Paulo de Tarso Lara Pires, engenheiro florestal, advogado, é mestre em Economia e Política Florestal pela UFPR e doutor em Ciências Florestais (UFPR). Pós-doutorado em Direito Ambiental e Desastres Naturais na Universidade de Berkeley – Califórnia.
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

2012 confirma tendência global de aquecimento, afirma Nasa

Um novo estudo da Nasa confirmou o que outros dados já indicavam: a temperatura na Terra mantém uma tendência firme de alta, com 2012 sendo o nono ano mais quente desde 1880, quando os registros começaram. As conclusões são dos últimos dados divulgados pelo Giss (Instituto Goddard para Estudos Espaciais), que monitorou a temperatura de 2012 e a comparou com a de todos os anos anteriores.

A análise mostrou que a Terra experimenta um aquecimento mais acelerado do que em décadas anteriores.

A média de temperatura em 2012 foi de 14,6º C, cerca de 0,6º C mais quente do que em meados do século 20. Segundo a nova análise, a temperatura média mundial já subiu 0,8º C desde 1880.

Ano a ano, tem havido uma tendência expressiva de alta. Excluindo-se 1988, os nove anos mais quentes dentre os 132 avaliados aconteceram desde o ano 2000, com 2010 e 2005 encabeçando a lista de recordes de calor.

"Os números de mais um ano, por si mesmo, não significam nada", diz o climatologista do Giss Gavin Schmidt.

"O que importa é que esta década está mais quente do que a última, que por sua vez já foi mais quente do que sua anterior. O planeta está esquentando, e a razão para isso é que nós estamos jogando quantidades crescentes de dióxido de carbono na atmosfera", completou o cientista, em nota divulgada pela agência espacial americana.

As informações usadas pelo Centro Goddard foram recolhidas em mais de mil estações meteorológicas em todo o mundo, além de observações de satélite e centros de pesquisa.

O documento destaca ainda as temperaturas extremas nos Estados Unidos.

Em 2012, a parte continental do país registrou as temperaturas mais elevadas de toda sua história.

Fonte: Folha de S. Paulo

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Conferência do Clima estende Protocolo de Quioto até 2020


O presidente da COP 18, Al-Attiyah, encerra a conferência do clima
Apesar de garantir que o segundo período de compromissos do único tratado climático internacional começará em janeiro de 2013, evento foi marcado pela falta de ambição

Depois de se prolongar por 24 horas a mais do que o esperado, terminou neste sábado (8) a 18a Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 18), apresentando resultados pouco expressivos. 

Ninguém tinha grandes expectativas para a COP 18, realizada na cidade de Doha, no Catar, e o evento acabou realmente sem nenhum destaque inesperado. A principal decisão concreta terminou sendo a já esperada extensão do Protocolo de Quioto para 2020, e mesmo isso veio depois de negociações muito arrastadas. 

Muitas divergências se colocaram no caminho dos negociadores, sendo que a maior delas foi o que fazer para diminuir o excesso de créditos de carbono nos mecanismos de Quioto, a chamada crise do “Hot Air”. 

Países do Leste Europeu, em especial Rússia e Polônia, queriam ter o direito de utilizar no segundo período de compromissos, que começa já em janeiro de 2013, os créditos acumulados no decorrer da primeira fase do Protocolo. Outras nações, incluindo o Brasil, afirmavam que se isso fosse permitido, as ferramentas de Quioto, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), perderiam sua eficácia, pois seriam inundadas por créditos e acabariam apresentando um preço insignificante para o carbono. 

No fim, os países do Leste Europeu poderão utilizar o “Hot Air”, mas compradores deverão limitar sua aquisição desses créditos a 2% da sua alocação nacional no segundo período. Porém, diversas nações, como Japão, Liechtenstein, Noruega, Mônaco e Suíça, informaram que não comprarão nenhuma quantidade desse tipo de crédito. A delegação da Rússia ficou particularmente insatisfeita com o texto final.

“A decisão do presidente [da COP 18] Al-Attiyah de encerrar as discussões foi uma violação ultrajante das regras das negociações e analisaremos consequências legais”, declarou Oleg Shamanov, negociador russo.


Veja algumas das decisões sobre Quioto:

- O segundo período de compromissos terá oito anos de duração;
- Os países revisarão suas metas sob o Protocolo até 2014;
- Todos os mecanismos de mercado continuarão a funcionar;
- O acesso a esses mecanismos é livre para todos os países desenvolvidos que possuem metas no segundo período de compromissos;

Para a secretária-executiva da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), Christiana Figueres, Doha foi um passo na direção certa. 

“Eu parabenizo a presidência do Catar por conseguir administrar uma conferência tão complexa e desafiadora. Agora, temos muito trabalho para fazer. Doha é outro passo na direção correta, mas ainda temos uma longa estrada à frente. A ciência afirma e os dados provam que a porta para manter o aquecimento abaixo dos 2C continua apenas levemente aberta”, afirmou Figueres.



Financiamento

Outro acontecimento sendo enaltecido, apesar de não ser acompanhado por nenhuma medida concreta, foi o fato de a conferência estabelecer pela primeira vez que as nações ricas devem começar a compensar as nações pobres por perdas decorrentes das mudanças climáticas.

Porém, apenas alguns países europeus realmente apareceram com recursos novos, que somam somente €6,85 bilhões. 

As nações desenvolvidas reafirmaram que estão comprometidas em cumprir a promessa de que US$ 100 bilhões sejam liberados anualmente até 2020, porém não há muito além da criação de um programa de trabalhos em 2013 para analisar como tornar possível esta meta.

“Os resultados de Doha falham completamente ao não fornecerem clareza em como as nações ricas conseguirão atingir os US$ 100 bilhões [...] O primeiro parágrafo do texto sobre financiamento é uma boa indicação do quão fraco o documento é: 'os países desenvolvidos irão anunciar seus compromissos com o financiamento climático quando as circunstâncias econômicas permitirem'. Em termos de um documento legal, esta colocação é risível”, afirmou Brandon Wu, da ONG Action Aid.

Para o diretor executivo do Greenpeace, Kumi Naidoo, a COP 18 falhou na promessa de proteger os mais vulneráveis. “Qualquer governo dizendo que a conferência foi um sucesso está sofrendo um terrível caso de dissonância cognitiva”, declarou.



Novo Acordo

Sobre o tratado climático que precisa estar pronto em 2015 para que entre em vigor quando expirar o Protocolo de Quioto em 2020, a COP 18 concordou em acelerar o processo de negociações realizando um 'número significativo' de reuniões e workshops no decorrer de 2013.

Os países também se comprometeram a enviar até março deste ano sugestões e propostas para a Convenção-Quadro das Nações sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). A intenção é que os elementos de negociação estejam disponíveis para avaliação até o fim de 2014, com um texto propriamente dito sendo apresentado até no máximo maio de 2015.

“Doha concluiu com sucesso negociações de eventos anteriores e pavimentou o caminho para um acordo até 2015. Porém, mais precisa ser feito pelos governos, empresas, sociedade civil e cidadãos para limitar o aquecimento global em 2oC”, afirmou Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU.

Por sua vez, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que o Brasil não ficou totalmente satisfeito com o resultado obtido. “Queríamos mais. Acreditamos que é necessário mais. Mas também acreditamos que uma Conferência que garantiu o segundo período do Protocolo de Quioto é, por definição, um sucesso.”

A ministra lamentou que as Partes do Anexo I, as nações ricas, “não estão tomando a liderança e não estão apoiando os países em desenvolvimento suficientemente em seus esforços para combater as alterações climáticas". Postura que a ministra classificou como "inaceitável".

De acordo com a iniciativa Climate Action Tracker, as decisões de Doha representam que o mundo ruma a um aquecimento de 3oC até 2050. 

Todos os documentos da COP 18 podem ser vistos no portal do UNFCCC

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Em conferência do clima, ministra brasileira pede doação de países ricos


Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, eleva tom de cobrança e instiga colegas presentes da COP de Doha, no Catar, a fazerem investimentos e aprovarem o segundo período do Protocolo de Kyoto; ministra destaca queda do desmatamento no Brasil


A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, elevou ontem o tom de cobrança para os demais ministros presentes na Conferência do Clima das Nações Unidas, que ocorre em Doha (Catar) até o final da semana. Em uma rodada informal convocada pela presidência da COP para tratar de ambição, ela pediu investimento dos países desenvolvidos e transparência no que estão fazendo.

"Os meios de implementação para os países em desenvolvimento são cruciais. Eles estão enfrentando mudanças climáticas essencialmente com seus próprios recursos e não deveriam ser colocados na situação de ter de escolher entre lidar com o clima ou com outros desafios econômicos e sociais críticos", disse. Por outro lado, complementou, "os meios de implementação dos países desenvolvidos para cumprir seus próprios compromissos (de reduzir e doar) e esforços nacionais também não estão claros."

Logo depois, em plenária aberta aos participantes, solicitou que os países aprovassem o segundo período do Protocolo de Kyoto, que disse ser a principal tarefa desta COP. "É o nosso maior trunfo para garantir um forte regime contra as mudanças climáticas. É o que vai garantir a continuidade de um sistema multilateral, baseado em regras que asseguram a integridade ambiental de mitigação dos países desenvolvidos sob o protocolo", disse. 

Em discurso de oito minutos, Izabella tentou mostrar os esforços que o Brasil vem fazendo para atingir a meta de reduzir as emissões em pelo menos 36% em relação a um cenário tendencial projetado para as emissões em 2020. Destacou a redução do desmatamento de 83% desde 2004 e outras ações relativas à proteção da floresta. Mas reafirmou que, apesar das ações domésticas, é preciso vir dinheiro de fora para manter os projetos de mitigação e adaptação.

"Esse esforço nacional não elimina nem minimiza a necessidade de que a fonte dos financiamentos que apoiam as ações de países em desenvolvimento na área de mudança climática sejam os mecanismos de ajuda oficiais de países desenvolvidos", disse.

Custo. Para reduzir ainda mais a taxa de desmatamento e mantê-la baixa é preciso investir no desenvolvimento sustentável da região. "Cumprir as metas voluntárias, sair do 'business as usual', tem custo. É preciso ter meios de implementação para fazer e manter essa redução", disse depois, a jornalistas brasileiros. "Tem havido uma inversão da pauta. Os países desenvolvidos deveriam estar liderando, mas são os em desenvolvimento que estão."

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

COP18: Clima de incerteza marca Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas


A insegurança em torno dos resultados da 18ª Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP18) marcou o início da semana definitiva do encontro que ocorre em Doha, capital do Catar, desde o último dia 26. Ministros e autoridades de quase 200 países começaram a chegar à cidade para concluir as negociações, até então travadas por técnicos e especialistas que tentaram estipular os compromissos que cada nação terá de assumir para reduzir os impactos provocados pelo aquecimento global.

Segundo observadores que acompanham os debates desde o primeiro dia, o clima de incerteza toma conta dos corredores da conferência. A expectativa inicial em relação à COP18 já era tímida antes mesmo de as nações iniciarem as conversas. O maior resultado esperado é a definição de um segundo período de compromissos do Protocolo de Quioto. Para alcançar esse acordo, países desenvolvidos terão que definir metas obrigatórias de redução de emissões de gases de efeito estufa  (GEE), que têm que ser alcançadas a partir de janeiro de 2013. Esses compromissos dariam sequência ao atual tratado, que tem validade até 31 de dezembro deste ano.

"Diferentemente das últimas conferências, que começaram com tarefas bem complicadas, esta não tem uma tarefa tão difícil. Os negociadores só precisam fechar o segundo período de Quioto e começar os trabalhos para depois de 2020 (Plataforma Durban). Mas há certas delegações complicando esse processo", explicou Fernando Malta, coordenador da Câmara Temática de Clima do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds).

Além de buscar soluções para impasses como as emissões excedentes de GEE por países do Leste Europeu que, por conta da recessão econômica, reduziram suas produções e emitiram menos do que poderiam nos anos anteriores, os negociadores terão de buscar consenso sobre o prazo de validade das novas metas. "O problema atual está na indefinição do tempo para ratificação do segundo período. Alguns países não querem definir limites, enquanto os países em desenvolvimento exigem que haja um prazo curto para ratificação", explicou Malta.

Para representantes do governo brasileiro, a adoção formal do segundo período de compromisso de Quioto é um dos objetivos fundamentais do encontro em Doha e base essencial para as aspirações do regime internacional de mudanças climáticas. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que já está no Catar, destacou que os negociadores brasileiros vão buscar esse resultado. Mas o Brasil também fará pressão por avanços nos debates sobre a Plataforma Durban. Conhecida como acordo global, a ação foi acertada por todos os países no ano passado e prevê que tanto as economias desenvolvidas quanto as de países em desenvolvimento tenham compromissos obrigatórios com a redução das emissões a partir de 2020.

"As delegações estão fechando agora um cronograma de trabalho que começa no início de 2013. As discussões têm se dividido em ações mais práticas e na conceituação. Por ora, o que se tem é que em Bonn [Alemanha], no meio do ano que vem, provavelmente teremos uma série de papers (informes) nacionais sobre como aumentar a ambição do texto para o pós-Quioto", acrescentou Malta.

Fonte: Agência Ehcom

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

COP18: Clima está mudando diante dos nossos olhos, alerta agência da ONU


De acordo com a WMO, 2012 deve ficar entre os anos mais quentes dos últimos tempos

Sandy: exemplo de evento que evidencia a mudança climática
O fato do gelo ártico ter derretido a um nível recorde neste ano mostra, assim como outros extremos climáticos, que a "mudança do clima está diante dos nossos olhos", disse a Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês), uma das agência da ONU, nesta quarta-feira, 28.

Os primeiros dez meses de 2012 ficaram em nono lugar na lista dos períodos mais quentes desde que os registros começaram, em meados do século 19, mesmo com os meses iniciais ficando mais frios por causa do fenômeno "La Niña", mostrou um relatório do WMO apresentado em Doha, durante a Convenção do Clima da ONU.

Várias regiões registraram secas, enchentes e ondas de calor extremos. O número de ciclones em todo o mundo ficou estável, mas alguns, como a Supertempestade Sandy, que atingiu o Caribe e os Estados Unidos, foram especialmente devastadores, avalia a WMO.

"A extensão do gelo no Ártico atingiu um tamanho mínimo recorde. A taxa alarmante do degelo neste ano destacou o alcance das mudanças que estão ocorrendo nos oceanos e na biosfera", disse Michel Jarraud, chefe da base da WMO em Genebra, na Suíça.

"A mudança climática está bem diante dos nossos olhos e persistirá como resultado das concentrações dos gases de efeito estufa na atmosfera, que cresceu de forma constante e que atingiu um novo recorde", disse Jarraud. Eventos naturais que costumam esfriar a temperatura, como a La Niña "não alteram a tendência de aumento de temperatura verificada como resultado das atividades do homem", disse o representante da agência.


Alguns dados

O levantamento mostrou que a temperatura das superfícies terrestre e oceânica dos primeiros nove meses de 2012 foi cerca de 0.45ºC superior ao período correspondente nos anos entre 1961 e 1990, que apresentam média de 14,2ºC.

Em todo o mundo, foi verificado que os ciclones tropicais ficaram próximos da média de 85 tempestades registradas entre 1991 e 2010, somando 81 eventos neste ano. O tufão Sanba, que atingiu as Filipinas, o Japão e a península coreana foi o mais forte.

A bacia atlântica teve uma temporada de furacões acima da média pelo terceiro ano consecutivo. O principal deles foi Sandy, que atingiu nações insulares no Caribe e os Estados Unidos.

As altas temperaturas afetaram principalmente a América do Norte, o sul da Europa, o oeste e o centro russo e o noroeste da Ásia, mostrou o levantamento da WMO. Ondas de calor atingiram boa parte dos Estados Unidos e a Europa entre março e maio.

Cerca de 15 mil recordes diários de calor foram quebrados por todos os Estados Unidos. Secas também atingiram várias partes dos Estados Unidos e parte da Rússia, Europa e China.

"Várias partes do oeste africano e da região do Sahel, incluindo Níger e Chade, sofreram com grandes enchentes entre julho e setembro por causa de uma monção bastante ativa", revelou o levantamento. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Blog Ambiente Legal transmitirá informações direto da COP18 no Catar



A partir desta quarta-feira (28), estaremos enviando informações para o Blog Ambiente Legal diretamente de Doha, capital do Catar, nos Emirados Árabes, onde vamos participar atentamente da 18ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP18), até o dia 07 de dezembro. Como professor e pesquisador da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e técnico, quero trazer informações sobre os temas de maior repercussão, curiosidades e resultados da COP18, com foco no Brasil.

O centro das preocupações de autoridades que integram delegações de 190 países é chegar a um consenso sobre o que precisa ser feito para minimizar os efeitos provocados pelas fortes mudanças de temperatura do planeta. Estamos vendo diariamente notícias sobre enchentes, secas extremas, deslizamentos e aumento da frequência de fenômenos naturais como os maremotos. Tudo isso é consequência das mudanças do clima, devido ao aumento da emissão de gases poluentes na atmosfera.

Durante COP18, as delegações de várias partes do mundo tentarão definir novos e antigos compromissos, entre eles, dar continuidade ao Protocolo de Quioto, que começou a valer há cinco anos. O Protocolo  definiu metas obrigatórias, no caso de países desenvolvidos, ou voluntárias, entre as nações em desenvolvimento para redução da emissão de gases.

As expectativas em relação ao evento recaem quase exclusivamente sobre esse ponto: o que cada economia está disposta a fazer, a partir de janeiro do ano que vem, para continuar os esforços pela redução das emissões de gases de efeito estufa.

O órgão das Nações Unidas responsável pelo debate sobre meio ambiente (Pnuma) mostrou que a concentração de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, aumentou 20% desde 2000. Diante da emergência apontada por estudos recentes, os países se comprometeram a adotar medidas para manter a elevação da temperatura do planeta abaixo dos dois graus centígrados.

O desafio será chegar a um acordo imediato para manter metas que reposicionem os países nessa direção, adotando medidas rigorosas em suas economias. Em meio ao debate, será preciso definir, por exemplo, se os países do Leste Europeu podem usar, para maiores emissões, a margem que conquistaram por ter emitido menos, nos últimos anos, quando a recessão enfrentada por essas economias reduziu o ritmo das fábricas, mantendo os níveis de poluição atmosférica abaixo do estipulado.

Além disso, os negociadores devem retomar os debates sobre o Fundo Verde e a regulamentação internacional de uma compensação para países em desenvolvimento que reduzem as emissões de gases de efeito estufa, conhecido como Redd – sigla que define a Redução das Emissões Geradas com Desmatamento e Degradação Florestal nos Países em Desenvolvimento. O mecanismo tem dividido as atenções nos debates sobre clima.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

COP 18: Brasil quer garantir no Catar metas ambientais para o mundo a partir de janeiro


O Brasil deve pressionar outros 190 países para que seja definida ainda este ano a segunda etapa de compromissos do Protocolo de Quioto, ao participar, a partir desta segunda-feira (26), da 18ª Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP18), em Doha, capital do Catar.

O país defende que as novas obrigações sejam estabelecidas a tempo de começarem a valer a partir de janeiro de 2013. O Tratado de Quioto, que define metas e limites de emissão de gases de efeito estufa para os países desenvolvidos, expira no final deste ano.

A nova fase do acordo é a maior expectativa do Brasil e, talvez, a única aposta de especialistas, como saldo da COP18, que prossegue até 7 de dezembro. Especialistas e observadores que vão participar da conferência também acreditam que o avanço nessa proposta deve ser o único resultado concreto de Doha.

Alguns países declararam que não seguirão o conjunto de obrigações jurídicas previstas no tratado. Mas os negociadores brasileiros não acreditam que a ausência de propostas obrigatórias do Japão, do Canadá e da Rússia esvazie o acordo ou minimize os esforços que já vêm sendo feitos desde 1992.

Nas últimas entrevistas concedidas à imprensa, diplomatas do Brasil têm ressaltado que, mesmo não sendo signatárias, essas economias devem apresentar metas voluntárias para redução de emissões de gases de efeito estufa.

O Japão, por exemplo, se propôs a realizar cortes absolutos de 25% das emissões de gases de efeito estufa até 2020, levando-se em conta os níveis de 1990. No Brasil, a meta de corte é 39% até 2020, também considerando os níveis de duas décadas atrás.

Para os negociadores brasileiros, os resultados e a ambição das metas assumidas pelos países que ainda não têm compromissos internacionais devem funcionar como pressão para que delegações de países desenvolvidos adotem medidas mais rigorosas para minimizar os impactos provocados pela elevação de temperatura no mundo.

Além das propostas, os negociadores também terão que se debruçar sobre o prazo de validade do novo tratado. A atual etapa do protocolo vigorou por cinco anos. Inicialmente, a proposta é que a nova rodada seguisse o mesmo período. Mas, dessa forma, o tratado terminaria ao final de 2017. O problema é que o acordo que substituirá essa segunda etapa de Quioto só entrará em vigor em 2020.

Conhecida como Plataforma de Durban, o compromisso global foi assumido no ano passado por todos os países que participaram da conferência na África do Sul. O acordo global terá metas obrigatórias para todos os países, que serão definidas até 2015, mas que serão cumpridas apenas a partir de 2020.

Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Negociações climáticas se arrastam em Bangcoc

Apesar de a presidente do braço climático das Nações Unidas (UNFCCC), Christiana Figueres, afirmar que avanços estão sendo conquistados, os relatos sobre a última rodada de negociações antes da Conferência do Clima de Doha (COP 18), no Catar, em novembro, não são nada positivos.

Os quase 200 países reunidos em Bangcoc, na Tailândia, estão debatendo em dois fronts, um referente ao Protocolo de Quioto e outro sobre a Plataforma de Durban, criada na COP 17 e que é a base para um novo acordo climático.

Porém, os dois ‘caminhos’ estão praticamente estagnados diante de impasses entre países ricos, emergentes e menos desenvolvidos.

A mais recente briga sobre Quioto, por exemplo, trata-se da ameaça feita pelo grupo conhecido como AOSIS, que representa as pequenas nações insulares, de que países que não assinarem o segundo período do Protocolo não poderão ter acesso ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Entre essas nações estariam Japão, Canadá e Rússia. Vale lembrar que os Estados Unidos nunca foram signatários de Quioto.

Em uma possível resposta, o governo japonês anunciou que está desenvolvendo sua própria ferramenta de transferência de tecnologias limpas em troca de créditos para emitir gases do efeito estufa. Chamada de Mecanismo Bilateral de Créditos de Emissão, a iniciativa funciona de forma semelhante ao MDL. O Japão afirma já estar em negociações com diversos países “amigos”, incluindo Vietnã e Mongólia.

Uma surpresa em Bangcoc é a apatia dos Estados Unidos, sempre um dos mais ativos nas negociações – para o bem ou para o mal. A falta de interesse dos delegados norte-americanos estaria sendo causada pela proximidade das eleições presidenciais. Enquanto Barack Obama não quer se comprometer com financiamento climático e ser visto internamente como um esbanjador, Mitt Romney não tem a menor intenção de adotar tratados climáticos, pois nega a existência do aquecimento global. Assim, a postura dos EUA no momento parece ser a de se deixar levar, desde que isso não resulte em novos compromissos.

Mesmo a União Europeia, sempre na vanguarda entre os países ricos nas negociações, parece não estar muito ambiciosa desta vez.

Delegados europeus em Bangcoc estariam afirmando que o bloco realmente não vai aumentar sua meta de 20% de redução de emissões até 2020 em relação aos níveis de 1990. Existia a esperança de que a UE elevaria esse valor para 30%, uma vez que os 20% serão alcançados sem esforço graças à recessão no continente, que freou a produção industrial.

A atual rodada de negociações prossegue até a próxima quarta-feira (5) e se nada de muito surpreendente acontecer nestes últimos dias, o resultado será o que já era esperado: poucos avanços e aprofundamento das diferenças.

Fonte: Instituto Carbono Brasil

terça-feira, 15 de maio de 2012

Países começam nova rodada de negociações climáticas na Alemanha


Chefe da ONU para o clima pede discurso mais concreto sobre o tema.
É o primeiro encontro desde a COP 17, realizada na África do Sul.


Christiana Figueres, à esquerda, e o secretário geral da ONU,
 Ban Ki-moon, durante a COP 17, na África do Sul,
em 2011. (Foto: Unati Ngamntwini/AFP)

Uma nova rodada de debates climáticos começou nesta segunda-feira (14) em Bonn, na Alemanha, com países ricos e pobres discutindo uma possível redução de gases estufa para frear o aquecimento global.
É o primeiro encontro oficial de negociadores desde que última Conferência das Partes (a COP 17), realizada entre novembro e dezembro do ano passado em Durban, na África do Sul.
Enquanto a chefe para assuntos climáticos das Nações Unidas, Christiana Figueres, chamou a atenção para que todos os países transformem o discurso político em ações mais concretas para salvar o planeta, observadores e países em desenvolvimento insistiram em que os países ricos deveriam se comprometer a atingir metas mais rigorosas para a redução de gases.
Figueres mencionou uma nova pesquisa que prevê que a temperatura da Terra deve subir cinco graus Celsius dos níveis pré-industriais até as taxas atuais, em vez dos dois graus almejados.
"Ainda temos uma enorme lacuna entre intenção e esforço", declarou ela aos jornalistas, enquanto especialistas e diplomatas de 170 países se encontravam para começar a lançar as bases para um novo pacto sobre aquecimento global, a ser finalizado em 2015.

Acordo histórico 
Em dezembro passado, ao final da COP 17, países decidiram que devem deixar as taxas dos principais emissores abaixo de um teto determinado até 2020. Ainda nesta segunda-feira, foi iniciada a elaboração de emendas para o Protocolo de Kyoto sobre o aquecimento global que devem ser adotadas na próxima conferência climática em Doha em novembro ou dezembro.
"Todos os países têm a responsabilidade de cumprir com a sua parcela correspondente, especialmente aqueles que apresentam um histórico de maiores níveis de emissão", afirmou a Aliança dos Pequenos Estados Insulares.
Um grupo de países menos desenvolvidos acusou os desenvolvidos de "tentar renegociar as taxas e decisões combinadas" em vez de cumprir com as promessas financeiras feitas para diminuir o aquecimento global no mundo desenvolvido.
O Greenpeace alertou a União Europeia para reforçar seu compromisso para reduzir seus gases estufa em 20%. Contudo, o representante da UE, Christian Pilgaard Zinglersen, informou em uma coletiva de imprensa: "Não acho que a União Europeia vá mudar seus padrões" de emissões combinadas em Bonn.
Figueres considera que o processo político é "incrivelmente desafiador". "Precisamos acalmar nossa animação com realismo", disse ela em uma conferência transmitida online, acrescentando que uma solução deve ser "tecnicamente possível e economicamente viável"

Fonte: Globo Natureza

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Projeto de reflorestamento com eucalipto recebe Certificado de Carbono temporário


Foto: Oly.e300
Um projeto de reflorestamento no Brasil, o Plantar, tornou-se o primeiro no mundo a obter Certificados de Redução de Emissões temporários (tCERs, em inglês). Foram 4,1 milhões de créditos de carbono emitidos para a iniciativa na sexta-feira, 13 de abril, por meio da Organização das Nações Unidas (ONU).


O projeto já até possui comprador: o Fundo BioCarbon, administrado pelo Banco Mundial e composto por alguns governos europeus e grandes corporações emissoras de gases estufa situadas em países como o Japão.

O projeto Plantar gera CERs plantando eucalipto para suprir o uso de carvão vegetal na indústria de ferro e aço do Brasil, além dessas serem usadas como escoadouros de carbono. De acordo com os administradores, ao longo de 28 anos, a iniciativa diminuirá a concentração de CO2 na atmosfera em, aproximadamente, 12,8 milhões de toneladas. Desde 2001, o projeto é apoiado por fundos do Banco Mundial.

Para desenvolver o projeto, a Plantar Carbon utiliza uma área plantada de 11 mil hectares de eucalipto (de um total de 23 mil hectares). Uma das determinações do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) é que o reflorestamento aproveite metade da extensão dos locais de pastagens, no intuito de não estimular o desmatamento para esse fim. Com o tempo, a madeira que será formada originará o carvão vegetal, que por sua vez contribuirá para a produção siderúrgica de ferro-gusa.

Certificados

Para que as economias desenvolvidas possam se adequar às reduções dos Gases de Efeito Estufa (GEE's) foi criado, no âmbito do Protocolo de Kyoto, o MDL. Por meio dele, é possível obter as reduções certificadas de emissões, os chamados créditos de carbono, com projetos sustentáveis e comercializá-los no mercado internacional.

Os Certificados de Reduções de Emissões temporários são emitidos a projetos de reflorestamento enquadrados sob o MDL, para representar a não permanência desses tipos de atividades.

Há pouca demanda por esse tipo de crédito devido ao prazo de validade do certificado, que expira no fim do Protocolo de Kyoto (dezembro de 2012).
Fonte: EcoD

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Pré-sal triplicará emissão de gases

Extração de petróleo deve pôr o Brasil em terceiro lugar entre os maiores responsáveis pelo efeito estufa, atrás da China e Estados Unidos


A exploração de petróleo do pré-sal deverá colocar o Brasil na terceira posição entre os maiores emissores de gases do efeito estufa até 2020, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Atualmente, o país é o sexto colocado. A previsão foi feita pelo Greenpeace com base em vários estudos elaborados pelo governo federal, pela Petrobras e por pesquisadores de mudanças climáticas. A estimativa é de que as emissões brasileiras tripliquem a partir da extração de uma nova grande fonte de combustíveis fósseis e da queima desse óleo em veículos e indústrias.

A exploração e a queima do petróleo atualmente seriam responsáveis por liberar 321 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2 eq) ao ano. Com a perspectiva de aumentar a produção de combustível fóssil dos atuais 2 milhões de barris diários para 4,5 milhões em 2020, as emissões de gases do efeito estufa em consequência do petróleo passariam a ser de 956 milhões de toneladas de CO2 eq anuais, calcula o Greenpeace. Atualmente, a queima de combustíveis fósseis equivale a 12% das emissões de gases no Brasil, mas com o crescimento da produção de petróleo e a redução de outros tipos de liberação, como o desmatamento, pode chegar a quase metade das emissões em 2020.

O carbono é nosso

Todos esses números estão no estudo O carbono do petróleo é nosso, elaborado pelo Greenpeace. Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energia da ONG, destaca que o levantamento considerou a emissão de gases em todo o processo de extração e uso do petróleo, que inclui a extração, o transporte, o refino e a queima no consumo final. Por enquanto, a única opção apresentada pelas petroleiras para reduzir o impacto ambiental é um sistema que devolve para o subsolo o gás natural que escapa na perfuração dos poços. Chamada de CCS, essa tecnologia é cara e ainda pouco testada.

O físico Paulo Artaxo, professor da Universidade de São Paulo e integrante do Painel Intergover­namental sobre Mudanças Cli­­máticas, da Organização das Nações Unidas, destaca que não existem estudos conclusivos sobre a quantidade de petróleo no pré-sal nem sobre a emissão de gases decorrente da exploração do combustível fóssil. Ele destaca que o aumento da emissão vai depender da quantidade extraída, da eficiência do processo e também do refino e uso final do combustível fóssil a ser extraído. “A exploração em alto mar tem uma emissão muito pequena comparada à queima no consumo”, frisa.

André Ferretti, coordenador do Observatório do Clima da Rede Brasileira de ONGs Ambientais e coordenador de estratégias de conservação da Fundação Boticário, ressalta que falta estabelecer limites para que os países reduzam a emissão de gases. Essa atitude está sendo, ano após ano, protelada e no último debate mundial, em 2011, ficou combinado que os parâmetros serão fixados apenas em 2020. “Da Rio92 pra cá aumentou a emissão em no mínimo 50%, ou seja, foi no sentido contrário da discussão daquela época, que falava em reduzir”, lembra.

Artaxo acredita que o debate sobre o aumento do uso de combustíveis fósseis no Brasil precisa ser mais intenso, discutindo amplamente as alternativas e implicações que o uso de combustíveis fósseis tem sobre o aumento do efeito estufa e as mudanças climáticas. Os ministérios de Minas e Energia e de Meio Ambiente, além da Empresa de Pesquisa Energética, foram procurados pela Gazeta do Povo, mas não se manifestaram sobre a possibilidade de o Brasil subir três posições no ranking de emissores de gases do efeito estufa em função da exploração do petróleo do pré-sal.

Opção é não explorar, alertam especialistas

Para o professor Celio Ber­­mann, do Instituto de Eletro­técnica e Energia da USP, mais urgente do que discutir quanto a exploração do petróleo do pré-sal vai representar em aumento de poluição é debater se o combustível fóssil deve realmente ser tirado das profundezas do mar. “Seria mais adequado se guardássemos es­­sas reservas. Os Estados Unidos consomem o petróleo dos outros países e mantém suas reservas próprias”, reforça. Bermann avalia que uma alternativa é explorar o petróleo de forma parcimoniosa e sem exportar o produto bruto.

“Muito mais sério do que a emissão é a dependência de um modelo fadado a acabar”, argumenta André Ferretti. Para ele, o Brasil devia estar discutindo com os outros países como o mundo pode colaborar para evitar que a reserva do pré-sal seja explorada. O pesquisador de mudanças climáticas destaca que, há alguns anos, o Brasil era conhecido como o país do biocombustível e agora passou a ser visto como uma fonte de petróleo por causa do pré-sal.


Matriz diversificada

O físico Paulo Artaxo analisa que a ampliação do uso de energia solar, eólica e de petróleo do pré-sal daria ao país uma matriz energética diversificada e limpa. “Se utilizarmos inteligentemente um bom balanço entres as principais fontes energéticas no país, certamente o Brasil terá vantagens estratégicas enormes no futuro, com uma matriz energética mais limpa e diversificada”, pondera.

KATIA BREMBATTI - Para Gazeta do Povo

ONU divulga 'boas maneiras' a empresas na adaptação ao clima


Iniciativa tenta evitar prejuízos financeiros e elevar prevenção a catástrofes.
Criação de sementes mais resistentes à chuva e à seca é exemplo no Brasil.

Para propagar iniciativas de empresas voltadas à adaptação da mudança climática, que já apresenta efeitos no planeta, um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) tenta mostrar como é possível produzir mesmo sob efeitos inevitáveis das alterações do clima.
Organizado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), a base de dados compartilha cem “cases” do setor privado realizados em diferentes países, inclusive no Brasil, que ajudam a evitar prejuízos financeiros durante catástrofes naturais e a prevenir consequências graves de desastres.
Ainda que seja um tema difundido globalmente, a mudança climática é considerada por muitos como distante e de responsabilidade apenas de governos. Porém, é somente quando “mexe no bolso” das companhias é que se inicia um movimento para evitar um novo prejuízo.
“Se falasse a um diretor de empresa da projeção de que a temperatura do planeta vai aumentar, isso não vai significar muita coisa. Agora, se mostrar a mesma projeção exemplificando uma redução de chuvas na região onde está sua empresa [afetando a produtividade], demonstro o impacto da mudança climática”, afirma o brasileiro Emerson Resende, coordenador do programa Iniciativa do setor privado em adaptação da UNFCCC.
Ele foi responsável por coletar informações das empresas e divulgá-las no relatório que contém ações implementadas por organizações empresariais, entre elas a Nestlé, Coca-Cola, Levi’s, Microsoft e Basf na adaptação dos riscos climáticos.
Adaptação
A Levi’s, fabricante de roupas dos Estados Unidos, criou uma forma de reduzir o consumo de água na produção de calças jeans, evitando assim o desperdício.
Outro exemplo vem da fabricante suíça Nestlé, cuja produção de grãos como o cacau e o café pode ser afetada devido à seca em determinados países. A empresa, investe em metodologias de plantio sustentáveis nessas regiões, que aumentam a fertilidade do solo e evitam o estresse hídrico e agrícola. “É uma forma de exemplificar a prevenção, uma maneira das empresas se adaptarem e adotarem estas medidas”, disse.
No Brasil
O relatório aborda também iniciativas de adaptação aos efeitos da mudança climática realizadas no Brasil pelas empresas Allianz Seguros, Basf, HSBC e Riverside.
A companhia química Basf, por exemplo, tem projetos citados como a criação de uma tecnologia de proteção costeira (que evita erosões e deslizamentos) e o desenvolvimento de plantas mais resistentes a chuvas e à estiagem.
“O país está muito avançado nesta área. Desenvolve iniciativas na parte ambiental há muitos anos – como o etanol. Mas a parte de adaptação precisa ser melhor desenvolvida rapidamente", disse Resende.
Em comunicado divulgado pela UNFCCC, a secretária-executiva do órgão, Christiana Figueres, afirma que o projeto tem a intenção de ajudar comunidades e empresas a se tornarem mais resistentes ao clima. “Riscos climáticos que afetam as comunidades ao redor do mundo são também um risco aos negócios”, disse.
A próxima etapa deste trabalho, de acordo com Resende, será propagar tais informações com a ajuda de centros regionais e associações de negócios. "Queremos aumentar a consciência da adaptação, mas também mostrar que aí existe oportunidade de negócios", afirma.

Fonte: G1 Natureza


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Mudanças Climáticas - Seleção de Vídeos

Aquecimento global, tormentas do tempo, desastres, mortes de animais e pessoas. Os efeitos das mudanças climáticas já estão afetando a nossa vida? O que é verdade? O que é mito?
A seguir, seguem indicações de vídeos e documentários sobre Mudanças Climáticas e seus efeitos no planeta. Assista e tire suas conclusões.


Mudanças Climáticas- BBC

 




Uma Verdade Inconveniente - Dublado (Al Gore)

 



Mudanças no clima, mudanças de vidas - Greenpeace





A grande farsa do Aquecimento Global - BBC




Mudanças climáticas- Canal Futura

 


O mapa da tragédia em Nova Friburgo - Globo Filmes

 



 Mudanças Climáticas/ Meio Ambiente por inteiro - TV Justiça


 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Protocolo de Kyoto é renovado com ceticismo

Regras mudam pouco. China e EUA, os maiores poluidores, não seguirão metas antes de 2020, e emergentes ainda não precisam aderir



“Histórica”. Essa foi a expressão usada por enviados de mais de 190 países à Conferência do Clima da ONU (COP-17) em Durban, na África do Sul, para definir a decisão tomada pelas partes no último domingo de prorrogar o Protocolo de Kyoto até 2017. Na prática, no entanto, estender o prazo de validade do documento, de acordo com especialistas, foi uma estratégia para ganhar tempo e não admitir que o acordo não cumpriu sua função.

Quando foi finalizado, em 1997, o protocolo propunha que os países industrializados reduzissem até 2012 os níveis de emissão de gases de efeito estufa (GEE) em seus territórios, chegando a um nível 5,2% menor do que aquele emitido em 1990. Passados 15 anos, nenhum país conseguiu cumprir a meta, o que faz cientistas e ambientalistas se perguntarem de que vale a renovação de um acordo que não foi respeitado até agora.

A recusa dos EUA em ratificar o protocolo, segundo especialistas, foi o que até agora tem sepultado qualquer esperança de que o documento cumpra seu fim. Em 1997, os norte-americanos eram os maiores poluidores do planeta, responsáveis por quase 50% das emissões. Hoje, perdem para a China, mas ainda respondem por 25% do total. Em Durban, o país aceitou negociar metas de redução, mas não antes de 2020, o que causa baixas, como no caso de Canadá, Rússia e Japão, que não vão renovar o compromisso.

“Os EUA pautam a ação dos demais países. Sem eles, fica praticamente impossível cumprir o acordo”, avalia a deputada federal e presidente do Partido Verde no Paraná Rosane Ferreira. Além da questão econômica – o Senado americano se recusa a ratificar o protocolo pelas restrições impostas à indústria –, grande parte dos senadores acredita que o aquecimento global é um fenômeno natural, não fruto da ação do homem.

Emergentes

Outra decepção que se esconde por trás da euforia dos delegados em Durban é o fato de que, pelo menos até 2017, os países emergentes continuam não sendo obrigados a cumprir as metas. Esse é outro passo importante para a credibilidade e eficácia do acordo, na opinião do físico e professor da Universidade de São Paulo (USP) José Goldemberg, ex-secretário nacional de Ciência e Tecnologia.

Ele afirma que os países atualmente “se refugiam” atrás de uma resolução de 20 anos que já não traduz a realidade. “Um exemplo claro [da defasagem] é a China. Em 1992 ela não emitia quase nada, e hoje é o maior país emissor do mundo.” O Brasil, que não se encontrava entre os 40 maiores poluidores nos anos 90, hoje aparece em 12.º lugar no ranking de emissores de GEE.

Para Goldemberg, o Brasil não possui justificativas plausíveis para não aderir. Ele cita como exemplo o fato de São Paulo já ter dado um passo nesse sentido, com a aprovação de uma lei que determina que, até 2020, o estado precisa reduzir suas emissões a um nível 20% menor do que era emitido em 2005. O grande obstáculo é a falta de rigidez em relação ao desmatamento, responsável por 78% das emissões de gás carbônico na atmosfera do país, por meio de queimadas na mata – e alvo de crítica dos países industrializados.

Novo Código Florestal pode prejudicar esforços

A aprovação do novo Código Florestal é vista com ressalva por quem defende mais rígidez por parte do Protocolo de Kyoto. O professor da USP José Goldem­berg afirma que caso seja acatada pela presidente Dilma Rousseff, a nova lei irá impactar negativamente nos índices brasileiros de emissão de gases de efeito estufa (GEE) e até mesmo comprometer a ajuda externa para financiamento de projetos sustentáveis.

O físico lembra que o desmatamento da Floresta Amazônica é hoje o fator que mais contribui para a emissão dos GEE na atmosfera, e que um dos pontos defendidos pelo novo código, a anistia a quem desmatou até junho de 2008, fará com que a vegetação derrubada não seja recuperada. Ela também pode influenciar futuros desmates. “Se o meu vizinho desmata e nada acontece, eu vou desmatar também, acreditando que daqui a 10 anos eu irei obter o perdão”, analisa.

A Floresta Amazônica é hoje um dos maiores sumidouros de CO² do planeta – as árvores, no processo de fotossíntese, retiram o gás da atmosfera e “devolvem” no ar o gás oxigênio, contribuindo para minimizar os efeitos do aquecimento global. O fato de o Brasil não avançar no combate ao desmatamento é, inclusive, motivo de críticas por parte das nações industrializadas que precisam cumprir as metas do protocolo.

A deputada pelo Partido Verde Rosane Ferreira afirma que o novo código é “o calcanhar de Aquiles” do país e pode esvaziar o discurso brasileiro na Confe­rência da ONU Rio+20 caso seja aprovado. Ela acredita, no entanto, que a presidente Dilma Rous­seff vetará a nova lei. “Acom­panhei a luta da Marina Silva (ex-ministra do Meio Ambiente no governo Lula) com a Dilma (então ministra de Minas e Energia) e tinha muitas reservas em relação a ela. Recentemente estive com ela [Dilma] e percebi que ela é uma pessoa muito sensível a essa questão. Ela está ciente da sua responsabilidade.”




O acordo

Entenda o Protocolo de Kyoto e as ações por ele propostas:

Histórico teve fracassos e renovação

- O que é – Acordo firmado por 88 países em 1997 em Kyoto, no Japão, com o objetivo de frear o aquecimento global. Determinava que os países industrializados reduzissem suas emissões de gases de efeito estufa na atmosfera a um nível 5,2% menor do que aquele existente em 1990.

- Quando entrou em vigor – As assinaturas começaram em 1997, mas para que entrasse em vigor era necessário que 55% dos países responsáveis por 55% das emissões mundiais o ratificassem, o que só ocorreu em 2005.

- Por que não vingou – O maior emissor do mundo na época, os Estados Unidos, não ratificou o acordo. Um protocolo só vira lei em um país após ser aprovado pelas casas legislativas locais, o que não ocorreu naquele país. Hoje, os EUA respondem por 25% das emissões, mas a China é o maior emissor do mundo, com 30%.

- Renovação – O protocolo foi prorrogado até 2017 no último dia 11, mas avalia-se que terá pouca eficácia, visto que Canadá, Rússia e Japão não irão renová-lo, e as metas de redução para os emergentes deverão ser obrigatórias apenas a partir de 2020.

Outras ações previstas pelo documento:

- Recursos – Promover e financiar o uso de fontes de energia renováveis, como a eólica, a solar, os biocombustíveis e a de biomassa;

- Sustentabilidade – Modernizar a infraestrutura de transportes e de energia dos países, tornando-as sustentáveis;

- Proteção – Proteger florestas e outras áreas ambientais que contibuem para retirar gás carbônico da atmosfera, os chamados “sumidouros de CO²”;

- Cooperação – Financiar e apoiar projetos e parceiras entre países para educação e cooperação, visando ao consumo racional e responsável;

- Lixo orgânico – Diminuir as emissões do gás metano presentes em depósitos de lixo orgânico.

Fonte: ONU/Convenção Quadro sobre a Mudança do Clima.


Flexibilidade

Menos rigor para emergentes

O professor de Ciências Florestais da Universidade Federal do Paraná Carlos Roberto Sanquetta, que esteve em Durban, defende que os emergentes sejam cobrados a cumprir metas, mas defende índices mais baixos e cumprimento gradual. “O prazo poderia ser de dez anos, com esses países cumprindo metas em torno de 2% nos primeiros anos, chegando a 5% na metade desse tempo e chegando a 20% no décimo ano.”

Segundo Sanquetta, uma prova de que o protocolo seria mais eficiente com a participação dos emergentes é o fato de que, desde 1990, embora os industrializados tenham deixado de emitir quase 900 milhões de toneladas, a concentração de CO² na atmosfera do planeta aumentou 39%. O metano aumentou em 158%, e o óxido nitroso, em 20%.

A justificativa para isso é justamente o crescimento da economia dos BRICs (Brasil, Rússia, China e Índia), que não querem oferecer uma contrapartida pelo aumento de suas riquezas, nem mudar seu sistema de produção. O Brasil vem cumprindo metas voluntariamente, mas a Índia oferece maior resistência, mais do que a própria China.

A explicação, de acordo com o professor, é de que, ao passo que o Brasil possui 15 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, e a China 150 milhões, a Índia possui 600 milhões, e não quer abrir mão do desenvolvimento. “E enquanto não houver um consenso entre eles, a tendência é de que os emergentes não sigam as metas.”


Fonte: Gazeta do Povo

sábado, 10 de dezembro de 2011

Interesses econômicos atravancam novo acordo

Confira abaixo, a entrevista de Paulo de Tarso de Lara Pires, cedida ao jornal Gazeta do Povo no dia 07 de dezembro de 2011.



EUA, crise europeia e críticas feitas pelo Japão e pela Rússia indicam que uma renovação do Protocolo de Kyoto é improvável.


Mesmo com a China demonstrando disponibilidade em assinar um tratado sobre a emissão de carbono, ainda é incerta a continuidade do Protocolo de Kyoto, assunto mais importante da Conferência sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (COP-17), que ocorre em Durban, África do Sul.

Estados Unidos e China, responsáveis por quase metade da emissão de carbono no mundo, são os protagonistas do impasse para a aprovação de uma renovação ou redefinição do Protocolo de Kyoto. As duas potências trazem a reboque outros países como Canadá, Japão e Rússia.

“A afirmação do Ministro do Meio Ambiente do Canadá, Peter Kente, de que: ‘Kyoto está no passado’, causou indignação logo nos primeiros dias da Confe­­rência entre defensores da continuidade do Tratado”, diz o especialista em legislação ambiental, Paulo de Tarso Pires, da Univer­­sidade Federal do Paraná (UFPR), que já participou de outras edições do evento. Ele acrescenta: “Isso retrata bem a posição de países como Japão e Rússia que já se pronunciaram desfavoravelmente a um segundo período de compromisso”. Ele também não acredita em uma posição mais firme da União Europeia quanto a um novo acordo por causa da crise econômica que está enfrentando.

No início desta semana, a delegação chinesa que participa da COP-17 manifestou a possibilidade de adesão se os países desenvolvidos se comprometerem a providenciar financiamento. Enquanto isso, os EUA exigem o oposto, que nenhum dos países signatários precise contribuir com mais dinheiro que outros.

Malu Nunes, diretora-executiva da Fundação Grupo Boti­­cário de Proteção à Natureza, está participando da conferência como observadora e ressalta que um consenso só será possível se os países passarem por cima dos interesses próprios. “Esse acordo é necessário, não importa as justificativas que cada um apresente”, diz Malu. Ela lembra que alguns acordos que foram feitos no COP-16, no ano passado, ainda não tiveram muitos efeitos práticos. “Precisamos de planos concretos de proteção das florestas, isso precisa avançar e ser colocado legalmente”.

Pires argumenta que a pressa em estabelecer medidas para conter o máximo possível as mudanças climáticas se justifica pelo relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), que adverte que se, em cinco anos não forem tomadas providências firmes, as mudanças no clima podem se tornar incontroláveis. “O aquecimento global já é uma realidade e, por mais que alguns céticos queiram afirmar o contrário, a Europa tem tido nos últimos anos os verões com as temperaturas mais altas dos últimos cinco séculos”, alerta o pesquisador.

À margem

Para o Brasil, um dos aspectos mais relevantes a serem debatidos na COP-17 é a Redução de Emissões provenientes de Des­­florestamento e Degradação (REDD). “As discussões vêm ocorrendo de forma marginal, mas despertam grande interesse em pesquisadores e integrantes de organizações não governamentais dedicados à conservação das florestas no mundo”, diz Pires, que atualmente está fazendo pós-doutorado em Direito Am­­biental na Universidade de Ber­­keley, nos Estados Unidos.

Representantes da Fundação O Boticário, com sede no Paraná, participam como observadores no COP-17. A equipe executiva e de técnicos da Fundação vai apresentar o projeto Oásis em um workshop que faz parte da programação paralela da conferência. “Trabalhamos com pagamento por serviços ambientais ao reconhecer financeiramente os esforços de proprietários de terra para conservar o ecossistema onde produzem”, explica a diretora-executiva da Fundação sobre a iniciativa.



Mudanças

Ricos e pobres cobram responsabilidade mútua

O Grupo dos 77 e a China, que abarca 130 países em desenvolvimento, pediu ontem ações firmes dos países ricos na luta contra as mudanças climáticas, enquanto a Europa pediu uma contrapartida dos grandes emergentes, durante a Conferência Climática das Nações Unidas, realizada em Durban, África do Sul.

“São necessários esforços significativos e ambiciosos para elevar o nível de ambição dos compromissos – de redução de emissões nocivas ao clima – dos países desenvolvidos”, afirmou o vice-chanceler argentino, Alberto Pedro D’Alotto, em nome do G77, após a abertura do segmento de alto nível das negociações climáticas, que termina sexta-feira.

“Pedimos aos países desenvolvidos que mostrem que estão assumindo a liderança” nas ações contra as mudanças climáticas, disse D’Alotto. O G77 exige, para o avanço das negociações em Durban, que os países ricos renovem seus compromissos no Protocolo de Kyoto, único instrumento legalmente vinculante que estabelece cortes de emissões a algumas nações desenvolvidas e cuja vigência termina em 2012. Também pede “compromissos comparáveis” dos países não signatários de Kyoto, como os Estados Unidos.

O grupo, presidido pela Argentina, quer ainda que sejam efetivados os recursos e o financiamento para a ajuda aos países em desenvolvimento para enfrentar os flagelos das mudanças climáticas. “Somos os que mais sofremos com os impactos adversos das mudanças climáticas”, lamentou o vice-chanceler argentino.

Em nome dos 27 países da União Europeia, a comissária do Clima Connie Hedegaard pediu o compromisso de “todas as maiores economias” do mundo na luta contra as mudanças climáticas e destacou que a participação dos países ricos nas emissões globais está “caindo rapidamente”.

A Europa se ofereceu sozinha para renovar o Protocolo de Kyoto, mas as emissões europeias “só representam 11% do total”, disse a comissária europeia, pedindo o compromisso de “outros que se somem a nós em um novo marco legal vinculante” e definir quando o fariam.

AFP

Leia matéria original no jornal Gazeta do Povo

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Protocolo de Kyoto está rumo a renovação, aponta secretária da ONU

Discussão é ‘como’ acordo será prolongado, não ‘se’ será renovado, disse.
Conferência climática em Durban, na África do Sul, entra na 2ª semana.


A secretária-executiva da ONU para mudanças climáticas, Christiana Figueres, expôs nesta segunda-feira (5) uma visão otimista sobre a renovação do Protocolo de Kyoto, único acordo de cumprimento obrigatório pelo qual parte dos países desenvolvidos se comprometem a reduzir emissões de gases causadores do efeito estufa.
Ela disse que, segundo informações que recebeu da negociação desta parte da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que acontece até o final desta semana em Durban, na África do Sul, o que está em discussão é 'como' o protocolo será renovado, e não 'se' será renovado. “É isso que está sobre a mesa de negociação”, reforçou.
A União Europeia é a favor de um segundo período de Kyoto, mas condiciona a renovação ao estabelecimento de um plano de médio e longo prazo de redução de emissões que inclua as economias emergentes.
Países como China, Índia e Brasil, apesar de estarem entre os maiores emissores de carbono, devido ao porte de sua economia, não se comprometeram internacionalmente com a diminuição dos índices de carbono porque se considera que tenham menos responsabilidade histórica nas mudanças climáticas, uma vez que se industrializaram tardiamente.
É importante lembrar que Japão, Rússia e Canadá não devem participar de um segundo período do protocolo, o que faz com que seus integrantes totalizem menos de 20% do total de emissões no planeta. Esse é um dos motivos pelo qual Kyoto é apontado como tratado pouco efetivo.
A China, nesta segunda feira, voltou a dizer que está pronta para assumir um compromisso de cumprimento obrigatório (legalmente vinculante), se outros países também o fizerem.
“Todos os países devem assumir responsabilidades e obrigações de acordo com suas próprias capacidades. E a China pode tomar parte nisso”, disse o negociador chinês Xie Zhenhua.
A disposição chinesa gera expectativa em relação aos EUA, outro grande emissor de carbono que tem emperrado as negociações do clima. Todd Stern, chefe da delegação americana em Durban, disse que ainda não conversou com Xie e, portanto, prefere não comentar a iniciativa de Pequim.
É sabido que os EUA teriam dificuldade de aprovar em seu congresso, em sua atual composição, de um acordo de cumprimento obrigatório de emissões de gases-estufa.
Stern disse que os EUA não se opõe ao conceito de um acordo vinculante. “Para ter um acordo legalmente vinculante é que é fundamental que todos os grandes emissores estejam comprometidos”, disse Stern. Teria de ser um acordo a que os países, ricos ou não, aderissem “sem condições para receber tecnologia e financiamento, sem armadilhas”, acrescentou.


Fonte: G1

terça-feira, 29 de novembro de 2011

COP 17 tem início na África do Sul e pode definir futuro do Protocolo de Kyoto

Começou nesta segunda-feira (28), em Durban, a Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU. A reunião conta com autoridades de 190 países que, durante os próximos 11 dias, irão discutir estratégias e possíveis acordos para reduzir o aquecimento global.

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, foi o responsável pelo discurso de abertura da COP 17. Durante a sua fala, o líder africano mostrou confianças de que é possível que o encontro termine com resultados positivos. Ele também lembrou a responsabilidade dos países desenvolvidos e as consequências das mudanças climáticas, que podem reduzir em 50% a produção agrícola de países africanos, durante os próximos 40 anos.

Um dos pontos que terá maior atenção durante os debates será o Protocolo de Kyoto, que expira oficialmente em 2012. Enquanto nações emergentes, como o Brasil, cobram a prorrogação do acordo, países desenvolvidos alegam que a responsabilidade pela redução nas emissões deve atingir a todos os grandes emissores, incluindo China e EUA, que atualmente não estão comprometidos com as metas.

Além desse, existe outro problema. A União Europeia, que está entre os mais dispostos a estabelecer metas e trabalhar para a redução das emissões de gases de efeito estufa, enfrenta uma grave crise financeira. Este problema também é um embate para o funcionamento do Fundo Verde, idealizado na COP 16, em 2010.

O Fundo Verde deveria funcionar como uma estratégia de financiamento, bancada pelos países ricos, para que as nações em desenvolvimento pudessem investir em tecnologia limpa e outras ações direcionadas à mitigação das mudanças climáticas e do impacto disso na população.

O Brasil está entre os países que irão defender a prorrogação do Protocolo de Kyoto. O embaixador André Corrêa do Lago, será o representante brasileiro na negociação e, segundo ele, é importante lutar pelo acordo já existente, pois será difícil conseguir outro que tenha toda a abrangência que Kyoto tem.

Com informações Globo Natureza.

Site Oficial da COP 17

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