Paulo de Tarso Lara Pires, engenheiro florestal, advogado, é mestre em Economia e Política Florestal pela UFPR e doutor em Ciências Florestais (UFPR). Pós-doutorado em Direito Ambiental e Desastres Naturais na Universidade de Berkeley – Califórnia.
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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Previsões do IPCC de 1990 se confirmaram, afirma análise


Grupo internacional de cientistas comparou as estimativas que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas projetou em seu relatório de 20 anos atrás com dados atuais e constatou que índice de acertos é notável

Muitas vezes acusado de alarmista, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sempre enfrentou críticas pela maneira como realiza seus trabalhos e apresenta seus resultados. Porém, isso pode ser coisa do passado, agora que já se pode comparar as previsões feitas pela entidade com a realidade climática.

Foi o que fez um grupo de cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, dos Estados Unidos, em conjunto com pesquisadores de diversas universidades. O que esse grupo constatou é que o relatório de 1990 do IPCC está correto na maioria absoluta de suas estimativas. A análise foi publicada nesta semana no periódico Nature Climate Change. 

“Descobrimos que as previsões iniciais do IPCC são muito boas e que o clima está respondendo às concentrações de gases do efeito estufa da forma com que cientistas projetavam já em 1990”, afirmou David Frame, diretor do Instituto de Pesquisas em Mudanças Climáticas da universidade de Victoria, na Nova Zelândia.

“A precisão das estimativas de 20 anos atrás é ainda mais notável porque na época os pesquisadores dependiam de modelos computacionais bem mais simples do que os de hoje”, salientou Dáithí Stone, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley.

Há 20 anos, o IPCC estimou que as temperaturas médias globais iriam subir entre  0.35˚C  e 0.75˚C até 2010 e hoje vivemos em um planeta 0.39˚C mais quente. Para 2030, a previsão é que o aquecimento seja de 0,7˚C a 1,5˚C.

É importante destacar que o IPCC, estabelecido em 1988 pelas Nações Unidas, não realiza pesquisas originais. O que os milhares de cientistas da entidade fazem é analisar o que está sendo produzido pelos centros de pesquisa climática em todo o mundo e sintetizar esses dados para que possam ser apresentados para a sociedade e, em especial, para os governos.

Cada relatório do IPCC leva pelo menos cinco anos para ser produzido, sendo que já foram divulgados estudos em 1990, 1995, 2001 e 2007. Neste último ano, a entidade recebeu, junto com o vice-presidente norte-americano Al Gore, o prêmio Nobel da Paz.

Porém, o IPCC sempre foi alvo de muitas criticas, principalmente por suas escolhas de que pesquisas fariam parte dos relatórios.

Assim, em 2011, uma reforma foi realizada na instituição e foram adotados novos procedimentos, como a obrigatoriedade dos autores de trabalhos selecionados para compor os relatórios de detalharem afiliações, fontes de financiamento e ligações que podem influenciar os resultados das pesquisas.

Também se definiu que  revistas, jornais, blogs e redes sociais não são fontes aceitáveis de informação e que estudos de ONGs e de ativistas climáticos podem ser utilizados desde que cientificamente e tecnicamente válidos.

Segundo Penny Wheton, uma das autoras do terceiro relatório do IPCC, é muito gratificante ver  o trabalho da entidade validado por análises independentes e que isso pode facilitar a aceitação dos alertas climáticos pela comunidade internacional, principalmente pelos governos.

“O que o IPCC tem dito há anos está se tornando realidade, evidências suportam isso. O que faremos com nossas emissões daqui para frente é o que vai definir se teremos um aquecimento de 2˚C ou de 5˚C até o final do século”, afirmou Wheton.

Cientistas alertam que manter o aumento das temperaturas abaixo de 2˚C é essencial para evitar as piores consequências das mudanças climáticas.

Imagem: Capas dos relatórios de 1990 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. 
Fonte: Instituto Carbono Brasil

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Como o desflorestamento colabora com o aquecimento?


Depende do uso da madeira, e de onde estão as árvores


Foto: Cletus Awreetus / Creative Commons
Um novo estudo da Universidade da Califórnia-Davis fornece uma compreensão mais profunda dos complexos impactos globais da utilizacão das florestas sobre as emissões de gases estufa.

O estudo, publicado ontem na edição online da Nature Climate Change, relata que o volume de gases estufa liberados pela derrubada de uma floresta depende de como as árvores vão ser usadas, e em qual parte do mundo elas crescem.

Quando as árvores são derrubadas para criar produtos de madeira sólida, tais como o madeiramento de casas, elas mantêm seu carbono por décadas. Em contraste, quando a madeira é usada para bioenergia ou transformada em polpa de celulose, quase todo seu carbono é liberado na atmosfera.

“Nós descobrimos que, 30 anos depois da limpeza de uma floresta, entre 0 e 62 por cento do carbono dela pode permanecer armazenado,” disse o principal autor do estudo, J. Mason Earles, estudante de doutorado no Instituto de Estudo de Transportes da universidade. “Modelos anteriores assumiam em geral que o carbono era liberado imediatamente.”

Os pesquisadores analisaram como 169 países usam a madeira. Aprenderam que florestas temperadas encontradas nos EUA, Canadá e partes da Europa são derrubadas primariamente para uso em produtos de madeira sólida, enquanto que as florestas tropicais no hemisfério sul são mais usadas na produção de energia e papel.

“O carbono armazenado em florestas fora da Europa, EUA e Canadá, por exemplo, em países tropicais como Brasil e Indonésia, será quase totalmente perdido depois da derrubada,” afirma o estudo.

Estas descobertas têm implicações potenciais para os incentivos ao biocombustível. Se os EUA, por exemplo, decidirem incentivar colheitas de milho para etanol, outras menos lucrativas, como a soja, podem se mover para outros países. E estes países podem por isso ter de derrubar florestas. Onde estes países estão localizados e como a madeira de suas florestas irão ser usadas determinarão quanto de carbono será liberado na atmosfera.

Earles disse que o estudo fornece novas informações que podem ajudar os modelos de avaliação do Painel Intergovernamental Sobre a Mudança do Clima da ONU, informa o Physorg.

Fonte: José Eduardo Mendonça/ Planeta Sustentável


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