Paulo de Tarso Lara Pires, engenheiro florestal, advogado, é mestre em Economia e Política Florestal pela UFPR e doutor em Ciências Florestais (UFPR). Pós-doutorado em Direito Ambiental e Desastres Naturais na Universidade de Berkeley – Califórnia.
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terça-feira, 15 de maio de 2012

Países começam nova rodada de negociações climáticas na Alemanha


Chefe da ONU para o clima pede discurso mais concreto sobre o tema.
É o primeiro encontro desde a COP 17, realizada na África do Sul.


Christiana Figueres, à esquerda, e o secretário geral da ONU,
 Ban Ki-moon, durante a COP 17, na África do Sul,
em 2011. (Foto: Unati Ngamntwini/AFP)

Uma nova rodada de debates climáticos começou nesta segunda-feira (14) em Bonn, na Alemanha, com países ricos e pobres discutindo uma possível redução de gases estufa para frear o aquecimento global.
É o primeiro encontro oficial de negociadores desde que última Conferência das Partes (a COP 17), realizada entre novembro e dezembro do ano passado em Durban, na África do Sul.
Enquanto a chefe para assuntos climáticos das Nações Unidas, Christiana Figueres, chamou a atenção para que todos os países transformem o discurso político em ações mais concretas para salvar o planeta, observadores e países em desenvolvimento insistiram em que os países ricos deveriam se comprometer a atingir metas mais rigorosas para a redução de gases.
Figueres mencionou uma nova pesquisa que prevê que a temperatura da Terra deve subir cinco graus Celsius dos níveis pré-industriais até as taxas atuais, em vez dos dois graus almejados.
"Ainda temos uma enorme lacuna entre intenção e esforço", declarou ela aos jornalistas, enquanto especialistas e diplomatas de 170 países se encontravam para começar a lançar as bases para um novo pacto sobre aquecimento global, a ser finalizado em 2015.

Acordo histórico 
Em dezembro passado, ao final da COP 17, países decidiram que devem deixar as taxas dos principais emissores abaixo de um teto determinado até 2020. Ainda nesta segunda-feira, foi iniciada a elaboração de emendas para o Protocolo de Kyoto sobre o aquecimento global que devem ser adotadas na próxima conferência climática em Doha em novembro ou dezembro.
"Todos os países têm a responsabilidade de cumprir com a sua parcela correspondente, especialmente aqueles que apresentam um histórico de maiores níveis de emissão", afirmou a Aliança dos Pequenos Estados Insulares.
Um grupo de países menos desenvolvidos acusou os desenvolvidos de "tentar renegociar as taxas e decisões combinadas" em vez de cumprir com as promessas financeiras feitas para diminuir o aquecimento global no mundo desenvolvido.
O Greenpeace alertou a União Europeia para reforçar seu compromisso para reduzir seus gases estufa em 20%. Contudo, o representante da UE, Christian Pilgaard Zinglersen, informou em uma coletiva de imprensa: "Não acho que a União Europeia vá mudar seus padrões" de emissões combinadas em Bonn.
Figueres considera que o processo político é "incrivelmente desafiador". "Precisamos acalmar nossa animação com realismo", disse ela em uma conferência transmitida online, acrescentando que uma solução deve ser "tecnicamente possível e economicamente viável"

Fonte: Globo Natureza

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Pré-sal triplicará emissão de gases

Extração de petróleo deve pôr o Brasil em terceiro lugar entre os maiores responsáveis pelo efeito estufa, atrás da China e Estados Unidos


A exploração de petróleo do pré-sal deverá colocar o Brasil na terceira posição entre os maiores emissores de gases do efeito estufa até 2020, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Atualmente, o país é o sexto colocado. A previsão foi feita pelo Greenpeace com base em vários estudos elaborados pelo governo federal, pela Petrobras e por pesquisadores de mudanças climáticas. A estimativa é de que as emissões brasileiras tripliquem a partir da extração de uma nova grande fonte de combustíveis fósseis e da queima desse óleo em veículos e indústrias.

A exploração e a queima do petróleo atualmente seriam responsáveis por liberar 321 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2 eq) ao ano. Com a perspectiva de aumentar a produção de combustível fóssil dos atuais 2 milhões de barris diários para 4,5 milhões em 2020, as emissões de gases do efeito estufa em consequência do petróleo passariam a ser de 956 milhões de toneladas de CO2 eq anuais, calcula o Greenpeace. Atualmente, a queima de combustíveis fósseis equivale a 12% das emissões de gases no Brasil, mas com o crescimento da produção de petróleo e a redução de outros tipos de liberação, como o desmatamento, pode chegar a quase metade das emissões em 2020.

O carbono é nosso

Todos esses números estão no estudo O carbono do petróleo é nosso, elaborado pelo Greenpeace. Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energia da ONG, destaca que o levantamento considerou a emissão de gases em todo o processo de extração e uso do petróleo, que inclui a extração, o transporte, o refino e a queima no consumo final. Por enquanto, a única opção apresentada pelas petroleiras para reduzir o impacto ambiental é um sistema que devolve para o subsolo o gás natural que escapa na perfuração dos poços. Chamada de CCS, essa tecnologia é cara e ainda pouco testada.

O físico Paulo Artaxo, professor da Universidade de São Paulo e integrante do Painel Intergover­namental sobre Mudanças Cli­­máticas, da Organização das Nações Unidas, destaca que não existem estudos conclusivos sobre a quantidade de petróleo no pré-sal nem sobre a emissão de gases decorrente da exploração do combustível fóssil. Ele destaca que o aumento da emissão vai depender da quantidade extraída, da eficiência do processo e também do refino e uso final do combustível fóssil a ser extraído. “A exploração em alto mar tem uma emissão muito pequena comparada à queima no consumo”, frisa.

André Ferretti, coordenador do Observatório do Clima da Rede Brasileira de ONGs Ambientais e coordenador de estratégias de conservação da Fundação Boticário, ressalta que falta estabelecer limites para que os países reduzam a emissão de gases. Essa atitude está sendo, ano após ano, protelada e no último debate mundial, em 2011, ficou combinado que os parâmetros serão fixados apenas em 2020. “Da Rio92 pra cá aumentou a emissão em no mínimo 50%, ou seja, foi no sentido contrário da discussão daquela época, que falava em reduzir”, lembra.

Artaxo acredita que o debate sobre o aumento do uso de combustíveis fósseis no Brasil precisa ser mais intenso, discutindo amplamente as alternativas e implicações que o uso de combustíveis fósseis tem sobre o aumento do efeito estufa e as mudanças climáticas. Os ministérios de Minas e Energia e de Meio Ambiente, além da Empresa de Pesquisa Energética, foram procurados pela Gazeta do Povo, mas não se manifestaram sobre a possibilidade de o Brasil subir três posições no ranking de emissores de gases do efeito estufa em função da exploração do petróleo do pré-sal.

Opção é não explorar, alertam especialistas

Para o professor Celio Ber­­mann, do Instituto de Eletro­técnica e Energia da USP, mais urgente do que discutir quanto a exploração do petróleo do pré-sal vai representar em aumento de poluição é debater se o combustível fóssil deve realmente ser tirado das profundezas do mar. “Seria mais adequado se guardássemos es­­sas reservas. Os Estados Unidos consomem o petróleo dos outros países e mantém suas reservas próprias”, reforça. Bermann avalia que uma alternativa é explorar o petróleo de forma parcimoniosa e sem exportar o produto bruto.

“Muito mais sério do que a emissão é a dependência de um modelo fadado a acabar”, argumenta André Ferretti. Para ele, o Brasil devia estar discutindo com os outros países como o mundo pode colaborar para evitar que a reserva do pré-sal seja explorada. O pesquisador de mudanças climáticas destaca que, há alguns anos, o Brasil era conhecido como o país do biocombustível e agora passou a ser visto como uma fonte de petróleo por causa do pré-sal.


Matriz diversificada

O físico Paulo Artaxo analisa que a ampliação do uso de energia solar, eólica e de petróleo do pré-sal daria ao país uma matriz energética diversificada e limpa. “Se utilizarmos inteligentemente um bom balanço entres as principais fontes energéticas no país, certamente o Brasil terá vantagens estratégicas enormes no futuro, com uma matriz energética mais limpa e diversificada”, pondera.

KATIA BREMBATTI - Para Gazeta do Povo

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Mudanças Climáticas - Seleção de Vídeos

Aquecimento global, tormentas do tempo, desastres, mortes de animais e pessoas. Os efeitos das mudanças climáticas já estão afetando a nossa vida? O que é verdade? O que é mito?
A seguir, seguem indicações de vídeos e documentários sobre Mudanças Climáticas e seus efeitos no planeta. Assista e tire suas conclusões.


Mudanças Climáticas- BBC

 




Uma Verdade Inconveniente - Dublado (Al Gore)

 



Mudanças no clima, mudanças de vidas - Greenpeace





A grande farsa do Aquecimento Global - BBC




Mudanças climáticas- Canal Futura

 


O mapa da tragédia em Nova Friburgo - Globo Filmes

 



 Mudanças Climáticas/ Meio Ambiente por inteiro - TV Justiça


 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Protocolo de Kyoto é renovado com ceticismo

Regras mudam pouco. China e EUA, os maiores poluidores, não seguirão metas antes de 2020, e emergentes ainda não precisam aderir



“Histórica”. Essa foi a expressão usada por enviados de mais de 190 países à Conferência do Clima da ONU (COP-17) em Durban, na África do Sul, para definir a decisão tomada pelas partes no último domingo de prorrogar o Protocolo de Kyoto até 2017. Na prática, no entanto, estender o prazo de validade do documento, de acordo com especialistas, foi uma estratégia para ganhar tempo e não admitir que o acordo não cumpriu sua função.

Quando foi finalizado, em 1997, o protocolo propunha que os países industrializados reduzissem até 2012 os níveis de emissão de gases de efeito estufa (GEE) em seus territórios, chegando a um nível 5,2% menor do que aquele emitido em 1990. Passados 15 anos, nenhum país conseguiu cumprir a meta, o que faz cientistas e ambientalistas se perguntarem de que vale a renovação de um acordo que não foi respeitado até agora.

A recusa dos EUA em ratificar o protocolo, segundo especialistas, foi o que até agora tem sepultado qualquer esperança de que o documento cumpra seu fim. Em 1997, os norte-americanos eram os maiores poluidores do planeta, responsáveis por quase 50% das emissões. Hoje, perdem para a China, mas ainda respondem por 25% do total. Em Durban, o país aceitou negociar metas de redução, mas não antes de 2020, o que causa baixas, como no caso de Canadá, Rússia e Japão, que não vão renovar o compromisso.

“Os EUA pautam a ação dos demais países. Sem eles, fica praticamente impossível cumprir o acordo”, avalia a deputada federal e presidente do Partido Verde no Paraná Rosane Ferreira. Além da questão econômica – o Senado americano se recusa a ratificar o protocolo pelas restrições impostas à indústria –, grande parte dos senadores acredita que o aquecimento global é um fenômeno natural, não fruto da ação do homem.

Emergentes

Outra decepção que se esconde por trás da euforia dos delegados em Durban é o fato de que, pelo menos até 2017, os países emergentes continuam não sendo obrigados a cumprir as metas. Esse é outro passo importante para a credibilidade e eficácia do acordo, na opinião do físico e professor da Universidade de São Paulo (USP) José Goldemberg, ex-secretário nacional de Ciência e Tecnologia.

Ele afirma que os países atualmente “se refugiam” atrás de uma resolução de 20 anos que já não traduz a realidade. “Um exemplo claro [da defasagem] é a China. Em 1992 ela não emitia quase nada, e hoje é o maior país emissor do mundo.” O Brasil, que não se encontrava entre os 40 maiores poluidores nos anos 90, hoje aparece em 12.º lugar no ranking de emissores de GEE.

Para Goldemberg, o Brasil não possui justificativas plausíveis para não aderir. Ele cita como exemplo o fato de São Paulo já ter dado um passo nesse sentido, com a aprovação de uma lei que determina que, até 2020, o estado precisa reduzir suas emissões a um nível 20% menor do que era emitido em 2005. O grande obstáculo é a falta de rigidez em relação ao desmatamento, responsável por 78% das emissões de gás carbônico na atmosfera do país, por meio de queimadas na mata – e alvo de crítica dos países industrializados.

Novo Código Florestal pode prejudicar esforços

A aprovação do novo Código Florestal é vista com ressalva por quem defende mais rígidez por parte do Protocolo de Kyoto. O professor da USP José Goldem­berg afirma que caso seja acatada pela presidente Dilma Rousseff, a nova lei irá impactar negativamente nos índices brasileiros de emissão de gases de efeito estufa (GEE) e até mesmo comprometer a ajuda externa para financiamento de projetos sustentáveis.

O físico lembra que o desmatamento da Floresta Amazônica é hoje o fator que mais contribui para a emissão dos GEE na atmosfera, e que um dos pontos defendidos pelo novo código, a anistia a quem desmatou até junho de 2008, fará com que a vegetação derrubada não seja recuperada. Ela também pode influenciar futuros desmates. “Se o meu vizinho desmata e nada acontece, eu vou desmatar também, acreditando que daqui a 10 anos eu irei obter o perdão”, analisa.

A Floresta Amazônica é hoje um dos maiores sumidouros de CO² do planeta – as árvores, no processo de fotossíntese, retiram o gás da atmosfera e “devolvem” no ar o gás oxigênio, contribuindo para minimizar os efeitos do aquecimento global. O fato de o Brasil não avançar no combate ao desmatamento é, inclusive, motivo de críticas por parte das nações industrializadas que precisam cumprir as metas do protocolo.

A deputada pelo Partido Verde Rosane Ferreira afirma que o novo código é “o calcanhar de Aquiles” do país e pode esvaziar o discurso brasileiro na Confe­rência da ONU Rio+20 caso seja aprovado. Ela acredita, no entanto, que a presidente Dilma Rous­seff vetará a nova lei. “Acom­panhei a luta da Marina Silva (ex-ministra do Meio Ambiente no governo Lula) com a Dilma (então ministra de Minas e Energia) e tinha muitas reservas em relação a ela. Recentemente estive com ela [Dilma] e percebi que ela é uma pessoa muito sensível a essa questão. Ela está ciente da sua responsabilidade.”




O acordo

Entenda o Protocolo de Kyoto e as ações por ele propostas:

Histórico teve fracassos e renovação

- O que é – Acordo firmado por 88 países em 1997 em Kyoto, no Japão, com o objetivo de frear o aquecimento global. Determinava que os países industrializados reduzissem suas emissões de gases de efeito estufa na atmosfera a um nível 5,2% menor do que aquele existente em 1990.

- Quando entrou em vigor – As assinaturas começaram em 1997, mas para que entrasse em vigor era necessário que 55% dos países responsáveis por 55% das emissões mundiais o ratificassem, o que só ocorreu em 2005.

- Por que não vingou – O maior emissor do mundo na época, os Estados Unidos, não ratificou o acordo. Um protocolo só vira lei em um país após ser aprovado pelas casas legislativas locais, o que não ocorreu naquele país. Hoje, os EUA respondem por 25% das emissões, mas a China é o maior emissor do mundo, com 30%.

- Renovação – O protocolo foi prorrogado até 2017 no último dia 11, mas avalia-se que terá pouca eficácia, visto que Canadá, Rússia e Japão não irão renová-lo, e as metas de redução para os emergentes deverão ser obrigatórias apenas a partir de 2020.

Outras ações previstas pelo documento:

- Recursos – Promover e financiar o uso de fontes de energia renováveis, como a eólica, a solar, os biocombustíveis e a de biomassa;

- Sustentabilidade – Modernizar a infraestrutura de transportes e de energia dos países, tornando-as sustentáveis;

- Proteção – Proteger florestas e outras áreas ambientais que contibuem para retirar gás carbônico da atmosfera, os chamados “sumidouros de CO²”;

- Cooperação – Financiar e apoiar projetos e parceiras entre países para educação e cooperação, visando ao consumo racional e responsável;

- Lixo orgânico – Diminuir as emissões do gás metano presentes em depósitos de lixo orgânico.

Fonte: ONU/Convenção Quadro sobre a Mudança do Clima.


Flexibilidade

Menos rigor para emergentes

O professor de Ciências Florestais da Universidade Federal do Paraná Carlos Roberto Sanquetta, que esteve em Durban, defende que os emergentes sejam cobrados a cumprir metas, mas defende índices mais baixos e cumprimento gradual. “O prazo poderia ser de dez anos, com esses países cumprindo metas em torno de 2% nos primeiros anos, chegando a 5% na metade desse tempo e chegando a 20% no décimo ano.”

Segundo Sanquetta, uma prova de que o protocolo seria mais eficiente com a participação dos emergentes é o fato de que, desde 1990, embora os industrializados tenham deixado de emitir quase 900 milhões de toneladas, a concentração de CO² na atmosfera do planeta aumentou 39%. O metano aumentou em 158%, e o óxido nitroso, em 20%.

A justificativa para isso é justamente o crescimento da economia dos BRICs (Brasil, Rússia, China e Índia), que não querem oferecer uma contrapartida pelo aumento de suas riquezas, nem mudar seu sistema de produção. O Brasil vem cumprindo metas voluntariamente, mas a Índia oferece maior resistência, mais do que a própria China.

A explicação, de acordo com o professor, é de que, ao passo que o Brasil possui 15 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, e a China 150 milhões, a Índia possui 600 milhões, e não quer abrir mão do desenvolvimento. “E enquanto não houver um consenso entre eles, a tendência é de que os emergentes não sigam as metas.”


Fonte: Gazeta do Povo

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Clima do tempo

Por Miriam Leitão
O sucesso da reunião de Durban cria as bases para se pensar num acordo global de redução das emissões. O Brasil fez parte da solução, com a ministra Izabella Teixeira quebrando o impasse ao dizer que o país aceitaria metas, e com o embaixador Luiz Alberto Figueiredo encontrando a fórmula que rompeu um dos bloqueios. O Brasil sempre teve papel importante nas reuniões do clima.

Conferências diplomáticas normalmente são mornas, previsíveis e protocolares. As emoções na luta por palavras nos documentos só são entendidas pelos próprios negociadores. Para os outros, tudo parece uma briga semântica, uma disputa por sinônimos. Nas COPs, no entanto, os debates são emocionantes, as discussões acontecem à luz do dia ou sob cansativas vigílias. Até o último minuto um abismo separa fracasso de sucesso. Pessoas choram, delegados dormem em locais públicos estafados pelas horas finais.

Durban, pelo relato dos jornalistas, foi tudo isso em uma intensidade maior. Foi a mais longa das COPs, terminou apenas no domingo, quando estava previsto para acabar na sexta-feira. De Copenhague, em 2009, esperava-se tudo. O que saiu foi considerado nada, mas foi com esses retalhos de acordos, pontos de concordâncias e rascunhos que se costurou um avanço em Cancún, a reunião marcada para ser apenas a ressaca de Copenhague. Para Durban, todos foram desesperançados e, de repente, de lá saíram três boas notícias: a renovação de Kioto; a consolidação do Fundo Verde desenhado em Cancún; as linhas gerais de um acordo global do clima em que haverá metas obrigatórias para todos os grandes emissores, Estados Unidos, China, Brasil e Índia, incluídos. A mais resistente foi a Índia, que sempre põe sobre a mesa o fato de que tem 450 milhões de pessoas sem energia; mas é a Índia que também pode ficar sem as suas monções, em cenários de transformação do clima.

A próxima convenção será em Catar e lá terão que ser dados passos mais sólidos na direção desse acordo, que será fechado até 2015, para entrar em vigor em 2020. No meio do Caminho entre Durban e Catar tem o Rio de Janeiro.

Ontem, no twitter, a comissária da União Europeia para mudança climática, Connie Hedegaard, informou que já estava em Nova York para a última reunião de Painel de Mudanças Climáticas e que a recomendação lá era para que o foco na Rio+20, em junho, seja no acesso à energia sustentável e na preparação para a próxima batalha climática.

Muitos ambientalistas saíram da reunião reclamando e subestimando o que foi conquistado. Esse é o papel das ONGs. Precisam mostrar que o passo dado é insuficiente para o objetivo ao qual se quer chegar. As COPs trabalham para limitar em dois graus celsius o aquecimento global; porém já se sabe que, se todas as metas forem cumpridas, mesmo as que nem foram completamente aceitas, ainda assim o aquecimento do planeta pode superar este nível. Desde 2009, o Met Office, o Inpe britânico, trabalha com cenários de quatros graus ou mais. Portanto, o esforço terá que ser ainda maior.

Essas Conferências das Partes, as COPs, são um esforço impressionante de formação de consensos, avanços milimétricos, encontros de palavras que agradem a todos nos documentos. E por todos, entenda-se quase 200 países que vão dos Estados Unidos, China, aos pequenos países-ilha. Nações que vivem da energia fóssil, como Venezuela e Arábia Saudita, gostam de sustentar posições radicais, que só dos ingênuos esconde a vontade de bloquear as negociações.

Neste ambiente, o Brasil assumiu protagonismo logo no início da discussão, quando ajudou a desenvolver o Mecanismo do Desenvolvimento Limpo, que transformou em medida concreta o que eram apenas ideias teóricas. Durante alguns anos, o Brasil jogou na retranca, aferrado à tese de que todo o esforço de redução das emissões tinha que ser feito por quem emitiu primeiro, os países industrializados. Em 2009, em Copenhague, o Brasil deu o primeiro passo para romper com essa posição histórica à qual se agarravam o Itamaraty e o Ministério da Ciência e Tecnologia e caminhou no sentido de aceitar metas. Se o Brasil quiser conter suas emissões terá que lutar contra o desmatamento. Se parar de queimar floresta, que é a forma mais burra de emissão, poderá conciliar desenvolvimento e as metas que está assumindo. O que pode ser bom para o planeta, mas é melhor ainda para nós mesmos.

Curiosamente a União Europeia, que tem tido um papel de indiscutível liderança, está dividida na economia, mas não no clima. Ontem, a comissária Hedegaard comemorou também o fato de que os analistas viam a atuação unida dos 27 países mais importante do que se eles agissem individualmente.

Os Estados Unidos foram mais cooperativos este ano em que o governo Obama já está chegando ao fim. Para o clima, é melhor um segundo governo Obama do que a eleição de algum republicano fundamentalista que retome a surrada discussão sobre se existe ou não aquecimento global. Uma mudança de governo em Washington colocará a negociação climática em compasso de espera na próxima reunião, como foi a COP-14, em Poznam, na Polônia.

Agora, o que o Brasil precisa é ter políticas internas coincidentes com a posição internacional de conter as emissões. Por enquanto, algumas das decisões tomadas pelo governo parecem ir no sentido exatamente oposto.

Fonte: O Globo

domingo, 11 de dezembro de 2011

Países aprovam mapa do caminho para acordo mundial em 2015

Mais de 190 países aprovaram, neste domingo, um acordo global em 2015 destinado a reduzir as emissões de gases


Presidente da COP-17, Maite Nkoana-Mashabane, é aplaudida em pé por fechamento de acordo, em Durban, na África do Sul



Os representantes de mais de 190 países aprovaram neste domingo, na conferência sobre o clima de Durban (África do Sul), a COP17, um mapa do caminho para um acordo global em 2015 destinado a reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa.
O objetivo é que o acordo, cuja natureza jurídica exata ainda deve ser discutida, entre em vigor até 2020.
O alívio era visível entre os representantes reunidos para a conferência, que esteve à beira da catástrofe, após 14 dias e duas madrugadas extra de negociações.
"Em homenagem a Mandela: isto parecia impossível, até que foi conseguido. E foi conquistado!", escreveu no twitter, Christiana Figueres, principal nome da ONU para a questão do clima.
Mas a União Europeia, que usou todo seu peso para obter um acordo juridicamente vinculante, se viu obrigada a aceitar ao fim da reunião - ofuscada pela crise do euro - um texto que deixa em aberto a questão do caráter obrigatório do futuro pacto climático.,
O objetivo da comunidade internacional é limitar o aumento da temperatura global a +2°C. A soma das promessas dos vários países em termos de redução de emissões está longe, no entanto, de alcançar a meta. Segundo um estudo apresentado esta semana em Durban, o mundo está no caminho de um aumento de 3,5°C no termômetro global.
Os ministros e delegados, à beira do colapso, também chegaram a um acordo para prolongar além de 2012 o Protocolo de Kioto.
A decisão sobre o futuro do Protocolo de Kioto, o único instrumento jurídico vinculante que limita as emissões de gases que provocam o efeito estufa da maioria dos países ricos, era um dos pontos chaves da COP17.
Os países em desenvolvimento, que estão isentos do protocolo, respaldam com firmeza o mesmo, pois estabelece um "muro selado" entre os países do norte, que têm uma responsabilidade "histórica" no acúmulo de CO2 na atmosfera, e o resto do planeta.
O Protocolo de Kioto, que foi assinado em dezembro de 1997, entrou em vigor em fevereiro de 2005 e impõe aos países ricos, com a grande exceção dos Estados Unidos, que não ratificaram o texto, a redução das emissões de seis substâncias responsáveis pelo aquecimento global, em particular a de CO2.
Os delegados concordaram com o início de um segundo período de compromissos, que envolverá principalmente a União Europeia. Canadá, Japão e Rússia ressaltaram que não desejam um novo compromisso.
A implementação do mecanismo de funcionamento de um Fundo Verde, destinado a ajudar os países em desenvolvimento ante o aquecimento global, também foi aprovado em Durban.
A ONG Oxfam criticou duramente os resultados da reunião e afirmou que os negociadores evitaram por pouco um colapso do processo ao alcançar um acordo sobre "o estrito mínimo possível".
A ministra sul-africana das Relações Exteriores, Maite Nkoana-Mashabane, que presidiu a conferência, admitiu, desde o início da sessão plenária, à noite, que o pacote de decisões sobre a mesa "não era perfeito", mas defendeu que era necessário "não deixar que a perfeição seja inimiga do bom".
A conferência de Durban, que terminou com 36 horas de atraso, entrará para a história das reuniões sobre o clima por ter batido o recorde das prorrogações nas negociações.
O próximo encontro sobre o clima acontecerá no Qatar, o maior emissor de gás carbônico per capita do mundo.

Gazeta do Povo

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Brasil terá risco de enchente 90% maior até 2100, diz estudo

Pesquisa britânica divulgada na cúpula do clima em Durban simulou efeitos de mudanças climáticas em 24 países; Espanha perderia toda a sua área cultivável.

Imagem de Antonina,PR em março de 2011 - Foto Orlando Kissner
A ocorrência de enchentes em rios do Brasil pode ser quase 90% maior até o fim do século, se nada for feito para combater as mudanças climáticas, de acordo com um estudo divulgado na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima em Durban, na África do Sul.
A pesquisa científica do Met Office Hadley Centre, da Grã-Bretanha, simulou os impactos, em 24 países, de emissões - no padrão atual - em 21 modelos climáticos diferentes. Cada modelo foi produzido por computadores poderosos que simulam a interação entre parâmetros de dados da atmosfera, temperaturas e oceanos.
No caso do Brasil, a conclusão a que chegaram é que o risco de aumento de enchentes no país seria 87% mais alto que atualmente. Esse é o valor central entre os dois extremos dos resultados apresentados pelos modelos climáticos, tanto de aumento (na maioria) quanto de redução do risco.
Os resultados mais extremos dos modelos chegaram a indicar um aumento de 638% no risco de cheias no Brasil. Por outro lado, houve modelos que indicaram até queda neste risco, com o mínimo sendo de -67%.
saiba mais
Sem ações para a redução de emissões, o aumento de temperatura pode ficar entre 3ºC e 5ºC até o fim do século, segundo a pesquisa.
Outra pesquisa divulgada no início da semana indica que, mesmo com as reduções já prometidas, o aquecimento global até 2100 pode chegar a 3,5ºC.
Sinal de alerta
A pesquisa foi encomendada pelo governo britânico e usada como sinal de alerta para que os negociadores de 194 países reunidos em Durban busquem um empenho maior na busca por um acordo de redução de emissões.
"Nós queremos um acordo global e legalmente vinculante para manter (o aumento) das temperaturas abaixo de 2ºC. Se isso for conseguido, este estudo mostra que alguns dos mais significativos impactos das mudanças climáticas poderiam ser evitados significativamente", afirmou o ministro de Energia e Mudança Climática da Grã-Bretanha, Chris Huhne.
Entre os 24 países analisados no estudo, o Brasil, apesar da possibilidade alarmante de aumento de enchentes, aparece como um dos que menos seriam afetados pelas mudanças climáticas, tanto positivamente quanto negativamente.
A Espanha, por exemplo, pode perder 99% da sua área de cultivo na agricultura, segundo os modelos climáticos, além de enfrentar um aumento na escassez de água que afetaria 68% da população.
A falta d'água também aparece como problema grave para o Egito, onde 98% da população seria afetada. O país norte-africano também perderia mais de 70% de sua área de cultivo.
A Grã-Bretanha, cujos dados meteorológicos, de temperatura e outros usados nos modelos são mais robustos, poderia até ter motivos para comemorar os impactos das mudanças climáticas. Enquanto o estudo indica que o Brasil não deve perder nem ganhar área de cultivo, a Grã-Bretanha poderia praticamente dobrar a sua agricultura, com um aumento de 96% na área compatível.
Os impactos se devem principalmente a previsões de mudança nos padrões de chuvas no planeta.
Isso pode levar a grandes riscos de fome, principalmente na África e em Bangladesh.

Fonte: G1

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Código Florestal é destaque na COP-17, em Durban

A publicação ECO, editada pela Climate Action Network (CAN) e uma mais respeitadas na cobertura de negociações internacionais, estampou na capa da edição de hoje, quarta-feira (30 de novembro), uma nota das organizações da sociedade civil brasileira, presentes à Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP-17), em Durban, na África do Sul, sob o título "Brazil, protect your forests!" ou em português " Brasil, proteja suas florestas!"

No texto, as organizações da sociedade civil brasileiras dizem que a aprovação do Código Florestal pode comprometer as metas de redução de emissões e colocar o Brasil em situação embaraçosa nas negociações internacionais, já que o país se vale de seus indíces de redução do desmatamento para exercer papel de liderança na defesa de compromissos junto aos países desenvolvidos e principalmente, de mecanismos de incentivo financeiro para a preservação de florestas nos países em desenvolvimento.

As organizações brasileiras presentes em Durban convocaram também uma coletiva de imprensa para esta quinta, dia 1º de dezembro, para falar sobre o risco que as mudanças do Código Florestal representam para as florestas brasileiras. O Código Florestal está previsto para ser votado no plenário do senado, hoje, 30/11.

A Climate Action network (CAN) congrega mais de 700 organizações não governamentais em cerca de 90 países ao redor do mundo. Com informações do site www.socioambiental.com.br

Leia o texto na íntegra.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

COP 17 tem início na África do Sul e pode definir futuro do Protocolo de Kyoto

Começou nesta segunda-feira (28), em Durban, a Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU. A reunião conta com autoridades de 190 países que, durante os próximos 11 dias, irão discutir estratégias e possíveis acordos para reduzir o aquecimento global.

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, foi o responsável pelo discurso de abertura da COP 17. Durante a sua fala, o líder africano mostrou confianças de que é possível que o encontro termine com resultados positivos. Ele também lembrou a responsabilidade dos países desenvolvidos e as consequências das mudanças climáticas, que podem reduzir em 50% a produção agrícola de países africanos, durante os próximos 40 anos.

Um dos pontos que terá maior atenção durante os debates será o Protocolo de Kyoto, que expira oficialmente em 2012. Enquanto nações emergentes, como o Brasil, cobram a prorrogação do acordo, países desenvolvidos alegam que a responsabilidade pela redução nas emissões deve atingir a todos os grandes emissores, incluindo China e EUA, que atualmente não estão comprometidos com as metas.

Além desse, existe outro problema. A União Europeia, que está entre os mais dispostos a estabelecer metas e trabalhar para a redução das emissões de gases de efeito estufa, enfrenta uma grave crise financeira. Este problema também é um embate para o funcionamento do Fundo Verde, idealizado na COP 16, em 2010.

O Fundo Verde deveria funcionar como uma estratégia de financiamento, bancada pelos países ricos, para que as nações em desenvolvimento pudessem investir em tecnologia limpa e outras ações direcionadas à mitigação das mudanças climáticas e do impacto disso na população.

O Brasil está entre os países que irão defender a prorrogação do Protocolo de Kyoto. O embaixador André Corrêa do Lago, será o representante brasileiro na negociação e, segundo ele, é importante lutar pelo acordo já existente, pois será difícil conseguir outro que tenha toda a abrangência que Kyoto tem.

Com informações Globo Natureza.

Site Oficial da COP 17

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