Paulo de Tarso Lara Pires, engenheiro florestal, advogado, é mestre em Economia e Política Florestal pela UFPR e doutor em Ciências Florestais (UFPR). Pós-doutorado em Direito Ambiental e Desastres Naturais na Universidade de Berkeley – Califórnia.
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Conferência do Clima estende Protocolo de Quioto até 2020


O presidente da COP 18, Al-Attiyah, encerra a conferência do clima
Apesar de garantir que o segundo período de compromissos do único tratado climático internacional começará em janeiro de 2013, evento foi marcado pela falta de ambição

Depois de se prolongar por 24 horas a mais do que o esperado, terminou neste sábado (8) a 18a Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 18), apresentando resultados pouco expressivos. 

Ninguém tinha grandes expectativas para a COP 18, realizada na cidade de Doha, no Catar, e o evento acabou realmente sem nenhum destaque inesperado. A principal decisão concreta terminou sendo a já esperada extensão do Protocolo de Quioto para 2020, e mesmo isso veio depois de negociações muito arrastadas. 

Muitas divergências se colocaram no caminho dos negociadores, sendo que a maior delas foi o que fazer para diminuir o excesso de créditos de carbono nos mecanismos de Quioto, a chamada crise do “Hot Air”. 

Países do Leste Europeu, em especial Rússia e Polônia, queriam ter o direito de utilizar no segundo período de compromissos, que começa já em janeiro de 2013, os créditos acumulados no decorrer da primeira fase do Protocolo. Outras nações, incluindo o Brasil, afirmavam que se isso fosse permitido, as ferramentas de Quioto, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), perderiam sua eficácia, pois seriam inundadas por créditos e acabariam apresentando um preço insignificante para o carbono. 

No fim, os países do Leste Europeu poderão utilizar o “Hot Air”, mas compradores deverão limitar sua aquisição desses créditos a 2% da sua alocação nacional no segundo período. Porém, diversas nações, como Japão, Liechtenstein, Noruega, Mônaco e Suíça, informaram que não comprarão nenhuma quantidade desse tipo de crédito. A delegação da Rússia ficou particularmente insatisfeita com o texto final.

“A decisão do presidente [da COP 18] Al-Attiyah de encerrar as discussões foi uma violação ultrajante das regras das negociações e analisaremos consequências legais”, declarou Oleg Shamanov, negociador russo.


Veja algumas das decisões sobre Quioto:

- O segundo período de compromissos terá oito anos de duração;
- Os países revisarão suas metas sob o Protocolo até 2014;
- Todos os mecanismos de mercado continuarão a funcionar;
- O acesso a esses mecanismos é livre para todos os países desenvolvidos que possuem metas no segundo período de compromissos;

Para a secretária-executiva da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), Christiana Figueres, Doha foi um passo na direção certa. 

“Eu parabenizo a presidência do Catar por conseguir administrar uma conferência tão complexa e desafiadora. Agora, temos muito trabalho para fazer. Doha é outro passo na direção correta, mas ainda temos uma longa estrada à frente. A ciência afirma e os dados provam que a porta para manter o aquecimento abaixo dos 2C continua apenas levemente aberta”, afirmou Figueres.



Financiamento

Outro acontecimento sendo enaltecido, apesar de não ser acompanhado por nenhuma medida concreta, foi o fato de a conferência estabelecer pela primeira vez que as nações ricas devem começar a compensar as nações pobres por perdas decorrentes das mudanças climáticas.

Porém, apenas alguns países europeus realmente apareceram com recursos novos, que somam somente €6,85 bilhões. 

As nações desenvolvidas reafirmaram que estão comprometidas em cumprir a promessa de que US$ 100 bilhões sejam liberados anualmente até 2020, porém não há muito além da criação de um programa de trabalhos em 2013 para analisar como tornar possível esta meta.

“Os resultados de Doha falham completamente ao não fornecerem clareza em como as nações ricas conseguirão atingir os US$ 100 bilhões [...] O primeiro parágrafo do texto sobre financiamento é uma boa indicação do quão fraco o documento é: 'os países desenvolvidos irão anunciar seus compromissos com o financiamento climático quando as circunstâncias econômicas permitirem'. Em termos de um documento legal, esta colocação é risível”, afirmou Brandon Wu, da ONG Action Aid.

Para o diretor executivo do Greenpeace, Kumi Naidoo, a COP 18 falhou na promessa de proteger os mais vulneráveis. “Qualquer governo dizendo que a conferência foi um sucesso está sofrendo um terrível caso de dissonância cognitiva”, declarou.



Novo Acordo

Sobre o tratado climático que precisa estar pronto em 2015 para que entre em vigor quando expirar o Protocolo de Quioto em 2020, a COP 18 concordou em acelerar o processo de negociações realizando um 'número significativo' de reuniões e workshops no decorrer de 2013.

Os países também se comprometeram a enviar até março deste ano sugestões e propostas para a Convenção-Quadro das Nações sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). A intenção é que os elementos de negociação estejam disponíveis para avaliação até o fim de 2014, com um texto propriamente dito sendo apresentado até no máximo maio de 2015.

“Doha concluiu com sucesso negociações de eventos anteriores e pavimentou o caminho para um acordo até 2015. Porém, mais precisa ser feito pelos governos, empresas, sociedade civil e cidadãos para limitar o aquecimento global em 2oC”, afirmou Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU.

Por sua vez, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que o Brasil não ficou totalmente satisfeito com o resultado obtido. “Queríamos mais. Acreditamos que é necessário mais. Mas também acreditamos que uma Conferência que garantiu o segundo período do Protocolo de Quioto é, por definição, um sucesso.”

A ministra lamentou que as Partes do Anexo I, as nações ricas, “não estão tomando a liderança e não estão apoiando os países em desenvolvimento suficientemente em seus esforços para combater as alterações climáticas". Postura que a ministra classificou como "inaceitável".

De acordo com a iniciativa Climate Action Tracker, as decisões de Doha representam que o mundo ruma a um aquecimento de 3oC até 2050. 

Todos os documentos da COP 18 podem ser vistos no portal do UNFCCC. 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

COP 18: Noruega pagará US$180 mi ao Brasil por redução no desmatamento

Erik Solheim, Ministro do Meio Ambiente da Noruega

A Noruega concordou em liberar 180 milhões de dólares ao Brasil como parte de um acordo mais amplo de 1 bilhão de dólares para reduzir o desmatamento na Floresta Amazônica, disse o ministro do Meio Ambiente norueguês na quinta-feira.

A Noruega havia prometido 1 bilhão de dólares ao Brasil e 1 bilhão de dólares para a Indonésia pela proteção de suas florestas tropicais e advertiu o governo indonésio no começo deste ano que a reforma de seu setor florestal não será o suficiente para o cumprimento da promessa de reduzir as emissões de carbono em 26 por cento até 2020.

O desmatamento no Brasil caiu ao seu nível mais baixo em 24 anos em 2012, informou o governo, e o acordo de quinta-feira eleva a contribuição total da Noruega ao Fundo Amazônia para 670 milhões de dólares.

"Esses esforços têm um efeito positivo tremendo para a biodiversidade, o sustento das comunidades locais e dos povos indígenas e os padrões de chuva local e global", disse o ministro norueguês Baard Vegar Solhjell.

"A importância do que o Brasil alcançou com relação ao desmatamento nos últimos anos não pode ser subestimada", afirmou ele em um comunicado.

A Noruega, um dos países mais ricos do mundo com PIB per capita de mais de 100 mil dólares, é também uma das nações mais generosas, gastando cerca de 1 por cento da renda nacional bruta em assistência internacional.

Em 2011, o país gastou 4,9 bilhões de dólares em ajuda externa. O dinheiro foi para mais de 100 países da América Central e do Sul, da África e da Ásia.

Fonte: Estadão

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Em conferência do clima, ministra brasileira pede doação de países ricos


Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, eleva tom de cobrança e instiga colegas presentes da COP de Doha, no Catar, a fazerem investimentos e aprovarem o segundo período do Protocolo de Kyoto; ministra destaca queda do desmatamento no Brasil


A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, elevou ontem o tom de cobrança para os demais ministros presentes na Conferência do Clima das Nações Unidas, que ocorre em Doha (Catar) até o final da semana. Em uma rodada informal convocada pela presidência da COP para tratar de ambição, ela pediu investimento dos países desenvolvidos e transparência no que estão fazendo.

"Os meios de implementação para os países em desenvolvimento são cruciais. Eles estão enfrentando mudanças climáticas essencialmente com seus próprios recursos e não deveriam ser colocados na situação de ter de escolher entre lidar com o clima ou com outros desafios econômicos e sociais críticos", disse. Por outro lado, complementou, "os meios de implementação dos países desenvolvidos para cumprir seus próprios compromissos (de reduzir e doar) e esforços nacionais também não estão claros."

Logo depois, em plenária aberta aos participantes, solicitou que os países aprovassem o segundo período do Protocolo de Kyoto, que disse ser a principal tarefa desta COP. "É o nosso maior trunfo para garantir um forte regime contra as mudanças climáticas. É o que vai garantir a continuidade de um sistema multilateral, baseado em regras que asseguram a integridade ambiental de mitigação dos países desenvolvidos sob o protocolo", disse. 

Em discurso de oito minutos, Izabella tentou mostrar os esforços que o Brasil vem fazendo para atingir a meta de reduzir as emissões em pelo menos 36% em relação a um cenário tendencial projetado para as emissões em 2020. Destacou a redução do desmatamento de 83% desde 2004 e outras ações relativas à proteção da floresta. Mas reafirmou que, apesar das ações domésticas, é preciso vir dinheiro de fora para manter os projetos de mitigação e adaptação.

"Esse esforço nacional não elimina nem minimiza a necessidade de que a fonte dos financiamentos que apoiam as ações de países em desenvolvimento na área de mudança climática sejam os mecanismos de ajuda oficiais de países desenvolvidos", disse.

Custo. Para reduzir ainda mais a taxa de desmatamento e mantê-la baixa é preciso investir no desenvolvimento sustentável da região. "Cumprir as metas voluntárias, sair do 'business as usual', tem custo. É preciso ter meios de implementação para fazer e manter essa redução", disse depois, a jornalistas brasileiros. "Tem havido uma inversão da pauta. Os países desenvolvidos deveriam estar liderando, mas são os em desenvolvimento que estão."

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

COP18: Clima de incerteza marca Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas


A insegurança em torno dos resultados da 18ª Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP18) marcou o início da semana definitiva do encontro que ocorre em Doha, capital do Catar, desde o último dia 26. Ministros e autoridades de quase 200 países começaram a chegar à cidade para concluir as negociações, até então travadas por técnicos e especialistas que tentaram estipular os compromissos que cada nação terá de assumir para reduzir os impactos provocados pelo aquecimento global.

Segundo observadores que acompanham os debates desde o primeiro dia, o clima de incerteza toma conta dos corredores da conferência. A expectativa inicial em relação à COP18 já era tímida antes mesmo de as nações iniciarem as conversas. O maior resultado esperado é a definição de um segundo período de compromissos do Protocolo de Quioto. Para alcançar esse acordo, países desenvolvidos terão que definir metas obrigatórias de redução de emissões de gases de efeito estufa  (GEE), que têm que ser alcançadas a partir de janeiro de 2013. Esses compromissos dariam sequência ao atual tratado, que tem validade até 31 de dezembro deste ano.

"Diferentemente das últimas conferências, que começaram com tarefas bem complicadas, esta não tem uma tarefa tão difícil. Os negociadores só precisam fechar o segundo período de Quioto e começar os trabalhos para depois de 2020 (Plataforma Durban). Mas há certas delegações complicando esse processo", explicou Fernando Malta, coordenador da Câmara Temática de Clima do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds).

Além de buscar soluções para impasses como as emissões excedentes de GEE por países do Leste Europeu que, por conta da recessão econômica, reduziram suas produções e emitiram menos do que poderiam nos anos anteriores, os negociadores terão de buscar consenso sobre o prazo de validade das novas metas. "O problema atual está na indefinição do tempo para ratificação do segundo período. Alguns países não querem definir limites, enquanto os países em desenvolvimento exigem que haja um prazo curto para ratificação", explicou Malta.

Para representantes do governo brasileiro, a adoção formal do segundo período de compromisso de Quioto é um dos objetivos fundamentais do encontro em Doha e base essencial para as aspirações do regime internacional de mudanças climáticas. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que já está no Catar, destacou que os negociadores brasileiros vão buscar esse resultado. Mas o Brasil também fará pressão por avanços nos debates sobre a Plataforma Durban. Conhecida como acordo global, a ação foi acertada por todos os países no ano passado e prevê que tanto as economias desenvolvidas quanto as de países em desenvolvimento tenham compromissos obrigatórios com a redução das emissões a partir de 2020.

"As delegações estão fechando agora um cronograma de trabalho que começa no início de 2013. As discussões têm se dividido em ações mais práticas e na conceituação. Por ora, o que se tem é que em Bonn [Alemanha], no meio do ano que vem, provavelmente teremos uma série de papers (informes) nacionais sobre como aumentar a ambição do texto para o pós-Quioto", acrescentou Malta.

Fonte: Agência Ehcom

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

COP18: Os 10 países mais afetados por eventos climáticos extremos

Relatório alemão divulgado na COP18, que acontece em Doha, no Catar, lista as perdas humanas e os prejuízos econômicos nos países mais afetados por desastres climáticos. Brasil é o 6º na lista

A ideia é chamar a atenção dos negociadores que estão participando da Conferência no Qatar para a importância de debater não só a redução das emissões de gases do efeito estufa, mas também o investimento em ações de mitigação e adaptação às alterações do clima.

1. Tailândia

Posição no ranking: 1º lugar

Número de mortos: 892

Perda de dinheiro: US$ 75,5 milhões







2. Camboja

Posição no ranking: 2º lugar

Número de mortos: 247

Perda de dinheiro: US$ 1 milhão








3. Paquistão

Posição no ranking: 3º lugar

Número de mortos: 585

Perda de dinheiro: US$ 5,8 bilhões








4. El Salvador

Posição no ranking: 4º lugar

Número de mortos: 35

Perda de dinheiro: US$ 1,6 bilhões







5. Filipinas

Posição no ranking: 5º lugar

Número de mortos: 1.659

Perda de dinheiro: US$ 1,1 bilhões








6. Brasil

Posição no ranking: 6º lugar

Número de mortos: 1.013

Perda de dinheiro: US$ 4,7 bilhões








7. Estados Unidos

Posição no ranking: 7º lugar

Número de mortos: 844

Perda de dinheiro: US$ 74,8 bilhões







8. Laos

Posição no ranking: 7º lugar

Número de mortos: 844

Perda de dinheiro: US$ 74,8 bilhões








9. Guatemala

Posição no ranking: 9º lugar

Número de mortos: 42

Perda de dinheiro: US$ 553 milhões








10. Sri Lanka

Posição no ranking: 10º lugar

Número de mortos: 106

Perda de dinheiro: US$ 602 milhões


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