Paulo de Tarso Lara Pires, engenheiro florestal, advogado, é mestre em Economia e Política Florestal pela UFPR e doutor em Ciências Florestais (UFPR). Pós-doutorado em Direito Ambiental e Desastres Naturais na Universidade de Berkeley – Califórnia.
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terça-feira, 19 de junho de 2012

Maiores cidades do mundo se comprometem a reduzir poluição


O anúncio foi feito pelos prefeitos de Nova York, Michael Bloomberg, e do Rio de Janeiro, Eduardo Paes


O prefeito do Rio, Eduardo Paes, de São Paulo, Gilberto Kassab, de Nova York, Michael Bloomberg (ao centro da foto, ao lado de Paes) e mais cinco prefeitos de outras grandes cidades do mundo, como Joanesburgo, Seul e Buenos Aires

As maiores cidades do mundo comprometeram-se hoje (19) a reduzir em até 248 milhões de toneladas as emissões de gases de efeito estufa até 2020. O anúncio foi feito pelos prefeitos de Nova York, Michael Bloomberg, e do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, durante o encontro anual dos mandatários das maiores cidades do mundo (C40), com 59 integrantes. Segundo os prefeitos, há potencial para reduzir as emissões em cerca de 1,3 bilhão de toneladas até 2030, mais do que o México e o Canadá poluíram juntos em 2008.

Paes afirmou que o compromisso do C40 não é apenas uma carta de intenções, mas sim um desafio assumido pelos municípios. “A cidade se sente obrigada a cumprir os desafios assumidos aqui. O Rio será guardião desse desafio.”

“As megacidades já estão implementando estratégias de redução de gases de efeito estufa. Todas as cidades do grupo C40 têm programas. Não esperamos os governos nacionais tomarem a dianteira e aprovarem recursos”, disse Bloomberg que também é o presidente do grupo C40. Ele citou  Nova York como exemplo e disse que a cidade reduziu as emissões de gases de efeito estufa em 13% nos últimos cinco anos.

Agência Brasil

terça-feira, 17 de abril de 2012

Rio de Janeiro recebe a C40, reunião de cúpula com prefeitos de 40 metrópoles para discutir mudanças climáticas


Jay Carson, diretor-executivo da C40, que é o fórum de prefeitos das 40 cidades mais importantes do mundo para discutir sustentabilidade Agência O Globo / Gabriel de Paiva


O Rio de Janeiro se tornará a capital mundial da sustentabilidade em junho, com a realização da Rio+20. Paralelamente, a cidade abrigará, entre os dias 17 e 19 do mesmo mês, no Forte de Copacabana, mais um evento voltado para o tema: o C40, reunião de cúpula com prefeitos de 40 metrópoles para discutir mudanças climáticas. O presidente da conferência será o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que tem como consultor Jay Carson, diretor-executivo do C40 e que está no Rio para acertar os últimos preparativos.

Em entrevista, Carson disse que, além de uma agenda, também sairão do encontro ações concretas. No Rio, ele destacou projetos como o Bus Rapid Transit (BRT) e as famosas “laranjinhas” do programa de compartilhamento de bicicletas da Zona Sul. Disse ainda ter ficado impressionado com a visita que fez ao Centro de Operações da prefeitura. Para cidades em desenvolvimento, como o Rio, Carson apontou como desafios a política de transporte e os investimentos em coleta seletiva de lixo. Ele chamou a atenção para o papel de destaque das cidades nas questões de meio ambiente. Dados do C40 mostram que metade da população mundial vive em cidades, que consomem dois terços da energia produzida e respondem por 70% das emissões de gás carbônico.

Qual foi o propósito de criar o C40?
JAY CARSON: Desde que o evento foi fundado, em 2005, a maior parte dos líderes das megacidades se juntou ao C40. Agora temos 59 das maiores cidades do mundo trabalhando no processo de mudanças climáticas. O impacto do compartilhamento das melhores ideias das maiores cidades do mundo pode ser enorme, em termos de diminuição da emissão de gás carbônico e redução do efeito estufa. O que vai bem no Rio pode ser passado para Nova York; o que vai bem em Los Angeles pode ser transmitido para Paris. Por exemplo, na última vez em que estive no Rio, visitei o Centro de Operações (da prefeitura). Logo após a visita, enviei um e-mail para os prefeitos de Nova York e Los Angeles, dizendo que eles precisavam ver aquilo, que tínhamos que aprender mais com o sistema. Primeiro, porque o centro ajuda a cidade a fluir melhor. Mas também ajuda em termos de adaptações, ou seja, eles estão preparados para a ocorrência de um fenômeno climático de uma forma que outras cidades no mundo não estão. Fiquei bastante impressionado, e outras cidades podem aprender com isso.

São dois eventos sobre sustentabilidade ocorrendo paralelamente. Como um complementa o outro?
CARSON: A Rio+20 não é necessariamente sobre clima. Já o C40 vai ter foco na questão climática. Chefes de estado e de governos locais, além de especialistas no tema estarão no mesmo lugar e poderão se encontrar informalmente para tomar um café e conversar. O que as cidades fazem é muito mais concreto, mais prático. Nós atuamos em nível local, enquanto que a Rio+20 discute questões mais amplas. É possível tocar e ver o que as cidades estão fazendo para criar um mundo mais sustentável e melhor para se viver. Não estou dizendo que as questões internacionais sobre sustentabilidade não são importantes, de forma alguma. Nós desejamos que esse processo tenha todo o sucesso, esperamos que haja um acordo. Mas nós somos diferentes.

Que avanços práticos o C40 já conquistou?
CARSON: Uma série de projetos e programas foram implementados com a parceria do C40. A nossa organização colabora com expertise para a implementação das políticas públicas. E, quando não temos expertise, ajudamos a encontrá-la. É uma parceria. Se Los Angeles quer implementar o programa de compartilhamento de bicicletas e o Rio tem um sistema bem-sucedido, o que vamos fazer é conectar as cidades e ajudá-las a transmitir o conhecimento. O Bus Rapid Transit e o ônibus híbrido elétrico (que reduz a emissão de gases do efeito estufa) começaram a ser instalados em Bogotá com a parceria do C40. Algumas cidades europeias também estudam o ônibus elétrico. Inclusive o Rio tem projetos neste sentido que contaram com o apoio do C40.

Esse intercâmbio tem continuidade ou se estabelece apenas durante o encontro?
CARSON: O trabalho continua depois. Fazemos os contatos, nos conhecemos, os conhecimentos são apresentados aos representantes das prefeituras e as coisas continuam caminhando a partir daí. No Rio de Janeiro, por exemplo, existe uma comissão que trabalha de forma integrada com a prefeitura no desenvolvimento de projetos e programas sustentáveis.

Na abertura da plenária da última edição do C40, em junho passado, o presidente da cúpula, Michael Bloomberg, assinou um acordo com o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick. O objetivo é facilitar o acesso das megacidades ao fundo do banco na área climática, que atinge cerca de US$ 6,5 bilhões (cerca de R$ 11,9 bilhões) por ano. Como funciona essa parceria?
CARSON: A parceria com o Banco Mundial criou uma janela de entrada para facilitar o financiamento para as megacidades. O Banco Mundial é uma organização enorme. Até conseguir chegar ao objetivo, o representante de uma cidade teria que ligar para dezenas de pessoas, teria que preencher centenas de papéis. E essas pessoas não têm tempo para isso. O Banco Mundial vai facilitar o acesso ao financiamento, diminuir os entraves burocráticos.

Mas isso já ocorreu na prática?
CARSON: Nós assinamos o acordo em junho e, desde então, estamos fazendo ajustes. O pacto vai além da teoria, mas ainda não temos uma política pronta para ser posta em prática.

Quais serão os temas centrais da próxima edição do C40?
CARSON: Nossos temas centrais serão baseados no que as próprias cidades apontaram como suas necessidades. Entre os temas, certamente estão créditos de carbono; transporte, o qual abrange uma série de questões, como transporte de massa, compartilhamento de bicicletas; resíduos, no sentido de se criar um sistema mais eficiente de coleta seletiva; água; e eficiência energética. Participam do fórum cidades com níveis diferentes de desenvolvimento. Por exemplo, quando se fala de sustentabilidade no Brasil, o tema da pobreza não pode ser descartado.

Como lidar com prioridades distintas entre as cidades?
CARSON: A maioria dos integrantes das outras edições ficou surpresa com a quantidade de semelhanças entre as cidades e com a quantidade de programas que podem ser divididos entre uma cidade em desenvolvimento e uma cidade mais desenvolvida. Nenhuma cidade é exatamente a mesma, o que fazemos nesta organização é nos conhecer e perceber as nossas necessidades. Mas as pessoas são frequentemente surpreendidas com o quanto é possível propor uma troca em ambas as direções. Todas as cidades têm problemas com transporte e com eficiência energética. Além disso, em algumas cidades, um projeto é implementado não apenas por questões ambientais, como pode ocorrer numa mais desenvolvida. Por exemplo, o foco da criação do BRT no Rio de Janeiro não é a redução do efeito estufa, e sim oferecer um meio de transporte mais eficiente para a população chegar ao trabalho. E adivinha o que ele ainda faz? Tira carros da rua, ele cria uma cidade mais habitável.

Quais são as prioridades das cidades em desenvolvimento?
CARSON: Na América Latina, está ocorrendo um grande avanço na área de transporte, como em São Paulo, em Bogotá, no Rio de Janeiro, em Buenos Aires. É possível dizer que essas cidades estão na vanguarda do mundo. Mas ainda há muito a ser feito nesse setor nessas e em outras cidades. Já na Cidade do México, o C40 auxiliou no fechamento de um lixão. Eu diria que as prioridades dessas cidades são investimentos em transporte e manejo de resíduos, com a intensificação da coleta seletiva.]

Fonte: O Globo

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