Paulo de Tarso Lara Pires, engenheiro florestal, advogado, é mestre em Economia e Política Florestal pela UFPR e doutor em Ciências Florestais (UFPR). Pós-doutorado em Direito Ambiental e Desastres Naturais na Universidade de Berkeley – Califórnia.
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Falta de suprimentos e desastres naturais preocupam empresários


No Brasil, a falta de mão de obra qualificada e o envelhecimento da população trabalhadora também representam riscos às empresas

Desastres naturais preocupam as empresas globais e brasileiras, diz estudo (Adrees Latif/Reuters)

Um estudo realizado em mais de 28 países mostra que a paralisação do negócio por falha na cadeia de suprimentos e desastres naturais ou incêndios são as principais preocupações que as empresas enfrentam em 2013, inclusive as brasileiras.

De acordo com a pesquisa "Allianz Risk Barometer 2013”, realizada pela empresa de seguros de riscos especiais corporatyivos AGCS (Allianz Global Corporate & Specialty), 37,5% das empresas brasileiras consideraram os riscos na cadeia de suprimentos as maiores preocupações e 33,3% acreditam que as catástrofes naturais podem interromper seus negócios em 2013. O levantamento ouviu mais de 529 especialistas em seguros corporativos e industriais da marca Allianz.

"As empresas globais operam hoje em um cenário de risco complexo, que apresenta desde os riscos tradicionais, como incêndio, até riscos ultramodernos, como interrupções da cadeia de suprimentos e crimes cibernéticos", observa o CEO da AGCS Global, Axel Theis.

Já para o presidente da AGCS Brasil, Ângelo Colombo, acredita que o País está ainda mais exposto com esses riscos à medida que sua economia cresce e suas empresas se expandem internacionalmente e internamente. “Com o crescimento, as corporações brasileiras passam a se integrar mais na economia global e, como consequência, enfrentam maiores riscos com a cadeia de suprimentos, com desastres naturais e, como revela o estudo, com a falta de mão de obra qualificada”, diz o executivo.

Além de falta de suprimentos, catástrofes naturais e incêndios, as empresas brasileiras também se preocupam com as flutuações de mercados, como câmbio e taxas de juros, e nas mudanças na legislação e na regulação, ambas preocupações para 25% delas. 

Falta de talentos no Brasil
O levantamento ainda ressaltou que as empresas brasileiras enfrentam problemas com a falta de mão de obra qualificada e o envelhecimento da população trabalhadora. Esses risco afetam quase 17% das empresas e aparecem em 6º lugar entre os dez maiores riscos no País.

Mesmo representando um risco para o Brasil, o item não foi citado entre as preocupações nos outros países que participaram do estudo.

O estudo ainda mostra que aumento da concorrência (16,7%), poluição (12,5%) e baixa qualidade e defeitos de fabricação (12,5%) são outras preocupações para as empresas brasileiras.

Fonte: InfoMoney

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Mundo vai ter de aumentar produção de alimentos em 50%


Conclusão é de forum científico em Dublin

Foto: CGIAR Climate / Creative Commons
A questão da segurança alimentar foi uma das maiores preocupações de um importante fórum europeu de ciência realizado recentemente em Dublin, Irlanda.

Para alimentar a crescente população mundial, será necessário um enorme aumento de 50 por cento na produção de alimentos até 2050, disseram especialistas. A questão foi: como a humanidade conseguirá isto, se nem ao menos consegue alimentar 1 bilhão de pessoas que passam fome hoje?

Jonathan Jones, especialista em alimentos do Sainsbury Lab, em Norwich, Inglaterra, disse; “Uma agricultura melhorada pode fazer uma grande contribuição. O crescimento de população e consumo está colocando uma pressão sem precedentes sobre a agricultura e os recursos naturais. Hoje, cerca de um bilhão de pessoas estão cronicamente subnutridas enquanto nossos sistemas agrícolas estão degradando água, solos e biodiversidade, e o clima, em escala global. Para responder às necessidades do planeta, a produção de alimentos vai ter de crescer substancialmente, com uma queda dramática na pegada de carbono da agricultura.”

O estudo de Jones analisa soluções para este dilema, mostrando que um grande progresso poderia ser feito ao brecar a expansão agrícola, fechar “gaps de produção” em terras de baixo desempenho, aumentar a eficiência das colheitas, mudar dietas e, acima de tudo, reduzir o desperdício. “Juntas, estas estratégias podem dobrar a produção de alimentos e ao mesmo tempo reduzir grandemente os impactos ambientais da agricultura.”

Mesmo com os ganhos de produtividade da agricultura, revelou Jones, cerca de 1 em sete pessoas não tem acesso a alimentos e estão cronicamente subnutridas. A situação pode piorar como resultado da especulação de mercado, a expansão das colheitas de biocombustíveis e perturbações do clima. Ainda que resolvamos estes desafios de acesso a alimentos, será necessária uma produção muito maior. Estudos recentes sugerem que a produção teria de mais ou menos dobrar para atender o crescimento populacional projetado, com mudanças em dietas como menor consumo de carne.

A agricultura, lembrou Jones, “é agora uma força dominante por trás das ameaças ambientais, e isto inclui mudança do clima, perda de biodiversidade e degradação de solo e água.”

Até recentemente, disse ele, a comunidade científica não podia mensurar, monitorar e analisar as complexas ligações de agricultura e ambiente em escala global. “Hoje, no entanto, temos novos dados que caracterizam padrões e tendências globais em ambos. De acordo com a Organização para Alimentos e Agricultura da ONU (FAO), as colheitas cobrem 1.3 bilhão de hectares (ou cerca de 12 por cento da superfície livre do planeta), enquanto pastos cobrem outros 3.38 bilhões de hectares (ou 26 por cento). Isto compreende a terra mais adequada à agricultura. O resto é formado por desertos, montanhas, tundra, cidades, reservas ecológicas e outras terras não apropriadas.”

Estudos mostram que entre 1985 e 2005 os campos e pastos do mundo tiveram expansão de 154 milhões de hectares (cerca de 3 por cento). Mas este crescimento lento inclui expansão significativa nos trópicos, assim como pequena mudança ou decréscimo na zona temperada. O resultado é uma redistribuição bruta de terra tropical em direção aos trópicos, com implicações para produção de alimentos, segurança alimentar e ambiente.

A produção de colheitas no mundo aumentou substancialmente em décadas recentes. Um exame nos dados de colheitas mais comuns, que incluem cereais, oleaginosas, frutas e vegetais, mostra que a produção aumentou 47 por cento entre 1985 e 2005. No entanto, considerando todas as 174 colheitas rastreadas pela FAO, pesquisadores descobriram que a produção global delas cresceu apenas 28 por cento durante aquele período.

Este ganho de produção ocorreu com um aumento marginal de área plantada de 2.4 por cento, sugerindo um aumento de 25 por cento em ganho. No entanto, a área de plantio colhida aumentou em cerca de 7 por cento entre 1985 e 2005, quase três vezes a mudança em área de plantio, devido a colheitas múltiplas, menos colheitas ruins e menos terra alqueivada. Levando-se em conta o aumento de terra plantada, os ganhos globais de colheitas cresceram em apenas 20 por cento no período, substancialmente menos que os propagados 47 por cento , um indicador de que as colheitas não estão aumentando tão rápido quanto antes.

Descobriu-se também que a mensuração por agregado não revelou tendências em colheitas individuais ou grupos delas. As colheitas de cereais, por exemplo, diminuíram em área plantada em 3.6 por cento, mas a produção total cresceu em 29 por cento, refletindo um ganho de 34 por cento nestes hectares. As colheitas de oleaginosas, por outro lado, mostraram grandes aumentos tanto em área plantada (43 por cento) quanto produtividade (57 por cento), resultando em um aumento de 125 por cento na produção total. A maioria das outras colheitas mostraram ganhos no período, mas não as de forragem, com queda de produção de 18 por cento.

Outro ponto importante notado foi a alocação de colheitas para propósitos não-alimentares humanos, como alimentação de rebanhos, bioenergia e outros produtos industriais, o que afeta o total de alimentos disponíveis no mundo. Globalmente, apenas 62 por cento da produção é alocada para uso humano, versus 35 para uso de animais, que indiretamente produzem alimento humano, e 3 por cento para bioenergia e outros produtos industriais.

Revelou-se também a existência de chocantes disparidades entre regiões que primariamente plantam colheitas para consumo humano direto e as de plantio para outros usos. A América do Norte e a Europa devotam cerca de apenas 40 por cento de suas colheitas à produção direta de alimentos, enquanto que esta alocação na África e Ásia é tipicamente de 80 por cento. Os extremos vão do alto Meio Oeste americano, com menos de 25 por cento, ao sul da Ásia, com mais de 90 por cento, informa a Scientific American.

Fonte: Planeta Urgente

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