Paulo de Tarso Lara Pires, engenheiro florestal, advogado, é mestre em Economia e Política Florestal pela UFPR e doutor em Ciências Florestais (UFPR). Pós-doutorado em Direito Ambiental e Desastres Naturais na Universidade de Berkeley – Califórnia.
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Obama prioriza combate às mudanças climáticas em discurso no Congresso

Obama anunciou suas metas de combate às
 mudanças climáticas para os próximos doze meses. 
Durante seu discurso de posse, o presidente Barack Obama foi criticado pelo pouco espaço dado às questões ligadas ao combate do aquecimento global. Obama se redimiu na última quarta-feira (13.02) quando, durante do discurso do Estado da União, anunciou suas metas para os próximos doze meses.

A imprensa local classificou a preleção como a política ambiental mais profunda já estabelecida por um presidente norte-americano. O democrata ainda aproveitou a oportunidade para desafiar outras autoridades nacionais, dizendo que se o Congresso não tomar atitudes, ele as tomará por conta própria.

“Exorto este congresso a seguir um modelo bipartidário em busca de solução de mercado para a mudança climática. Mas, se o Congresso não agir mais cedo para proteger as gerações futuras, eu vou. Eu dirigirei o meu gabinete para chegar a ações plausíveis, agora e no futuro, para reduzir a poluição, preparar nossas comunidades para as consequências das alterações climáticas e acelerar a transição para fontes energéticas mais sustentáveis”, anunciou o presidente.

Entre outras coisas, Obama disse que os EUA devem importar menos petróleo e investir em energia eólica e solar, como forma de aumentar também a quantidade de empregos disponíveis à população. Ele exaltou o esforço feito para aumentar a produção de gás natural e reconheceu que as mudanças climáticas têm sido ignoradas.

“Para o bem de nossas crianças e pelo nosso futuro, temos que fazer mais para combater a mudança climática. Agora, é verdade que nenhum único evento solucionará o problema. Mas, o fato é que os 12 anos mais quentes foram registrados nos últimos 15 anos. Ondas de calor, secas, incêndios florestal, inundações e outros desastres são mais frequentes e intensos. Podemos acreditar que eles são coincidências ou acreditar no que diz a ciência, antes que seja tarde demais”, finalizou Obama.

Fonte: CicloVivo

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Conferência do Clima estende Protocolo de Quioto até 2020


O presidente da COP 18, Al-Attiyah, encerra a conferência do clima
Apesar de garantir que o segundo período de compromissos do único tratado climático internacional começará em janeiro de 2013, evento foi marcado pela falta de ambição

Depois de se prolongar por 24 horas a mais do que o esperado, terminou neste sábado (8) a 18a Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 18), apresentando resultados pouco expressivos. 

Ninguém tinha grandes expectativas para a COP 18, realizada na cidade de Doha, no Catar, e o evento acabou realmente sem nenhum destaque inesperado. A principal decisão concreta terminou sendo a já esperada extensão do Protocolo de Quioto para 2020, e mesmo isso veio depois de negociações muito arrastadas. 

Muitas divergências se colocaram no caminho dos negociadores, sendo que a maior delas foi o que fazer para diminuir o excesso de créditos de carbono nos mecanismos de Quioto, a chamada crise do “Hot Air”. 

Países do Leste Europeu, em especial Rússia e Polônia, queriam ter o direito de utilizar no segundo período de compromissos, que começa já em janeiro de 2013, os créditos acumulados no decorrer da primeira fase do Protocolo. Outras nações, incluindo o Brasil, afirmavam que se isso fosse permitido, as ferramentas de Quioto, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), perderiam sua eficácia, pois seriam inundadas por créditos e acabariam apresentando um preço insignificante para o carbono. 

No fim, os países do Leste Europeu poderão utilizar o “Hot Air”, mas compradores deverão limitar sua aquisição desses créditos a 2% da sua alocação nacional no segundo período. Porém, diversas nações, como Japão, Liechtenstein, Noruega, Mônaco e Suíça, informaram que não comprarão nenhuma quantidade desse tipo de crédito. A delegação da Rússia ficou particularmente insatisfeita com o texto final.

“A decisão do presidente [da COP 18] Al-Attiyah de encerrar as discussões foi uma violação ultrajante das regras das negociações e analisaremos consequências legais”, declarou Oleg Shamanov, negociador russo.


Veja algumas das decisões sobre Quioto:

- O segundo período de compromissos terá oito anos de duração;
- Os países revisarão suas metas sob o Protocolo até 2014;
- Todos os mecanismos de mercado continuarão a funcionar;
- O acesso a esses mecanismos é livre para todos os países desenvolvidos que possuem metas no segundo período de compromissos;

Para a secretária-executiva da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), Christiana Figueres, Doha foi um passo na direção certa. 

“Eu parabenizo a presidência do Catar por conseguir administrar uma conferência tão complexa e desafiadora. Agora, temos muito trabalho para fazer. Doha é outro passo na direção correta, mas ainda temos uma longa estrada à frente. A ciência afirma e os dados provam que a porta para manter o aquecimento abaixo dos 2C continua apenas levemente aberta”, afirmou Figueres.



Financiamento

Outro acontecimento sendo enaltecido, apesar de não ser acompanhado por nenhuma medida concreta, foi o fato de a conferência estabelecer pela primeira vez que as nações ricas devem começar a compensar as nações pobres por perdas decorrentes das mudanças climáticas.

Porém, apenas alguns países europeus realmente apareceram com recursos novos, que somam somente €6,85 bilhões. 

As nações desenvolvidas reafirmaram que estão comprometidas em cumprir a promessa de que US$ 100 bilhões sejam liberados anualmente até 2020, porém não há muito além da criação de um programa de trabalhos em 2013 para analisar como tornar possível esta meta.

“Os resultados de Doha falham completamente ao não fornecerem clareza em como as nações ricas conseguirão atingir os US$ 100 bilhões [...] O primeiro parágrafo do texto sobre financiamento é uma boa indicação do quão fraco o documento é: 'os países desenvolvidos irão anunciar seus compromissos com o financiamento climático quando as circunstâncias econômicas permitirem'. Em termos de um documento legal, esta colocação é risível”, afirmou Brandon Wu, da ONG Action Aid.

Para o diretor executivo do Greenpeace, Kumi Naidoo, a COP 18 falhou na promessa de proteger os mais vulneráveis. “Qualquer governo dizendo que a conferência foi um sucesso está sofrendo um terrível caso de dissonância cognitiva”, declarou.



Novo Acordo

Sobre o tratado climático que precisa estar pronto em 2015 para que entre em vigor quando expirar o Protocolo de Quioto em 2020, a COP 18 concordou em acelerar o processo de negociações realizando um 'número significativo' de reuniões e workshops no decorrer de 2013.

Os países também se comprometeram a enviar até março deste ano sugestões e propostas para a Convenção-Quadro das Nações sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). A intenção é que os elementos de negociação estejam disponíveis para avaliação até o fim de 2014, com um texto propriamente dito sendo apresentado até no máximo maio de 2015.

“Doha concluiu com sucesso negociações de eventos anteriores e pavimentou o caminho para um acordo até 2015. Porém, mais precisa ser feito pelos governos, empresas, sociedade civil e cidadãos para limitar o aquecimento global em 2oC”, afirmou Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU.

Por sua vez, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que o Brasil não ficou totalmente satisfeito com o resultado obtido. “Queríamos mais. Acreditamos que é necessário mais. Mas também acreditamos que uma Conferência que garantiu o segundo período do Protocolo de Quioto é, por definição, um sucesso.”

A ministra lamentou que as Partes do Anexo I, as nações ricas, “não estão tomando a liderança e não estão apoiando os países em desenvolvimento suficientemente em seus esforços para combater as alterações climáticas". Postura que a ministra classificou como "inaceitável".

De acordo com a iniciativa Climate Action Tracker, as decisões de Doha representam que o mundo ruma a um aquecimento de 3oC até 2050. 

Todos os documentos da COP 18 podem ser vistos no portal do UNFCCC. 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Em conferência do clima, ministra brasileira pede doação de países ricos


Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, eleva tom de cobrança e instiga colegas presentes da COP de Doha, no Catar, a fazerem investimentos e aprovarem o segundo período do Protocolo de Kyoto; ministra destaca queda do desmatamento no Brasil


A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, elevou ontem o tom de cobrança para os demais ministros presentes na Conferência do Clima das Nações Unidas, que ocorre em Doha (Catar) até o final da semana. Em uma rodada informal convocada pela presidência da COP para tratar de ambição, ela pediu investimento dos países desenvolvidos e transparência no que estão fazendo.

"Os meios de implementação para os países em desenvolvimento são cruciais. Eles estão enfrentando mudanças climáticas essencialmente com seus próprios recursos e não deveriam ser colocados na situação de ter de escolher entre lidar com o clima ou com outros desafios econômicos e sociais críticos", disse. Por outro lado, complementou, "os meios de implementação dos países desenvolvidos para cumprir seus próprios compromissos (de reduzir e doar) e esforços nacionais também não estão claros."

Logo depois, em plenária aberta aos participantes, solicitou que os países aprovassem o segundo período do Protocolo de Kyoto, que disse ser a principal tarefa desta COP. "É o nosso maior trunfo para garantir um forte regime contra as mudanças climáticas. É o que vai garantir a continuidade de um sistema multilateral, baseado em regras que asseguram a integridade ambiental de mitigação dos países desenvolvidos sob o protocolo", disse. 

Em discurso de oito minutos, Izabella tentou mostrar os esforços que o Brasil vem fazendo para atingir a meta de reduzir as emissões em pelo menos 36% em relação a um cenário tendencial projetado para as emissões em 2020. Destacou a redução do desmatamento de 83% desde 2004 e outras ações relativas à proteção da floresta. Mas reafirmou que, apesar das ações domésticas, é preciso vir dinheiro de fora para manter os projetos de mitigação e adaptação.

"Esse esforço nacional não elimina nem minimiza a necessidade de que a fonte dos financiamentos que apoiam as ações de países em desenvolvimento na área de mudança climática sejam os mecanismos de ajuda oficiais de países desenvolvidos", disse.

Custo. Para reduzir ainda mais a taxa de desmatamento e mantê-la baixa é preciso investir no desenvolvimento sustentável da região. "Cumprir as metas voluntárias, sair do 'business as usual', tem custo. É preciso ter meios de implementação para fazer e manter essa redução", disse depois, a jornalistas brasileiros. "Tem havido uma inversão da pauta. Os países desenvolvidos deveriam estar liderando, mas são os em desenvolvimento que estão."

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

COP18: Clima de incerteza marca Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas


A insegurança em torno dos resultados da 18ª Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP18) marcou o início da semana definitiva do encontro que ocorre em Doha, capital do Catar, desde o último dia 26. Ministros e autoridades de quase 200 países começaram a chegar à cidade para concluir as negociações, até então travadas por técnicos e especialistas que tentaram estipular os compromissos que cada nação terá de assumir para reduzir os impactos provocados pelo aquecimento global.

Segundo observadores que acompanham os debates desde o primeiro dia, o clima de incerteza toma conta dos corredores da conferência. A expectativa inicial em relação à COP18 já era tímida antes mesmo de as nações iniciarem as conversas. O maior resultado esperado é a definição de um segundo período de compromissos do Protocolo de Quioto. Para alcançar esse acordo, países desenvolvidos terão que definir metas obrigatórias de redução de emissões de gases de efeito estufa  (GEE), que têm que ser alcançadas a partir de janeiro de 2013. Esses compromissos dariam sequência ao atual tratado, que tem validade até 31 de dezembro deste ano.

"Diferentemente das últimas conferências, que começaram com tarefas bem complicadas, esta não tem uma tarefa tão difícil. Os negociadores só precisam fechar o segundo período de Quioto e começar os trabalhos para depois de 2020 (Plataforma Durban). Mas há certas delegações complicando esse processo", explicou Fernando Malta, coordenador da Câmara Temática de Clima do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds).

Além de buscar soluções para impasses como as emissões excedentes de GEE por países do Leste Europeu que, por conta da recessão econômica, reduziram suas produções e emitiram menos do que poderiam nos anos anteriores, os negociadores terão de buscar consenso sobre o prazo de validade das novas metas. "O problema atual está na indefinição do tempo para ratificação do segundo período. Alguns países não querem definir limites, enquanto os países em desenvolvimento exigem que haja um prazo curto para ratificação", explicou Malta.

Para representantes do governo brasileiro, a adoção formal do segundo período de compromisso de Quioto é um dos objetivos fundamentais do encontro em Doha e base essencial para as aspirações do regime internacional de mudanças climáticas. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que já está no Catar, destacou que os negociadores brasileiros vão buscar esse resultado. Mas o Brasil também fará pressão por avanços nos debates sobre a Plataforma Durban. Conhecida como acordo global, a ação foi acertada por todos os países no ano passado e prevê que tanto as economias desenvolvidas quanto as de países em desenvolvimento tenham compromissos obrigatórios com a redução das emissões a partir de 2020.

"As delegações estão fechando agora um cronograma de trabalho que começa no início de 2013. As discussões têm se dividido em ações mais práticas e na conceituação. Por ora, o que se tem é que em Bonn [Alemanha], no meio do ano que vem, provavelmente teremos uma série de papers (informes) nacionais sobre como aumentar a ambição do texto para o pós-Quioto", acrescentou Malta.

Fonte: Agência Ehcom

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

COP18: Os 10 países mais afetados por eventos climáticos extremos

Relatório alemão divulgado na COP18, que acontece em Doha, no Catar, lista as perdas humanas e os prejuízos econômicos nos países mais afetados por desastres climáticos. Brasil é o 6º na lista

A ideia é chamar a atenção dos negociadores que estão participando da Conferência no Qatar para a importância de debater não só a redução das emissões de gases do efeito estufa, mas também o investimento em ações de mitigação e adaptação às alterações do clima.

1. Tailândia

Posição no ranking: 1º lugar

Número de mortos: 892

Perda de dinheiro: US$ 75,5 milhões







2. Camboja

Posição no ranking: 2º lugar

Número de mortos: 247

Perda de dinheiro: US$ 1 milhão








3. Paquistão

Posição no ranking: 3º lugar

Número de mortos: 585

Perda de dinheiro: US$ 5,8 bilhões








4. El Salvador

Posição no ranking: 4º lugar

Número de mortos: 35

Perda de dinheiro: US$ 1,6 bilhões







5. Filipinas

Posição no ranking: 5º lugar

Número de mortos: 1.659

Perda de dinheiro: US$ 1,1 bilhões








6. Brasil

Posição no ranking: 6º lugar

Número de mortos: 1.013

Perda de dinheiro: US$ 4,7 bilhões








7. Estados Unidos

Posição no ranking: 7º lugar

Número de mortos: 844

Perda de dinheiro: US$ 74,8 bilhões







8. Laos

Posição no ranking: 7º lugar

Número de mortos: 844

Perda de dinheiro: US$ 74,8 bilhões








9. Guatemala

Posição no ranking: 9º lugar

Número de mortos: 42

Perda de dinheiro: US$ 553 milhões








10. Sri Lanka

Posição no ranking: 10º lugar

Número de mortos: 106

Perda de dinheiro: US$ 602 milhões


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

COP 18: Brasil quer garantir no Catar metas ambientais para o mundo a partir de janeiro


O Brasil deve pressionar outros 190 países para que seja definida ainda este ano a segunda etapa de compromissos do Protocolo de Quioto, ao participar, a partir desta segunda-feira (26), da 18ª Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP18), em Doha, capital do Catar.

O país defende que as novas obrigações sejam estabelecidas a tempo de começarem a valer a partir de janeiro de 2013. O Tratado de Quioto, que define metas e limites de emissão de gases de efeito estufa para os países desenvolvidos, expira no final deste ano.

A nova fase do acordo é a maior expectativa do Brasil e, talvez, a única aposta de especialistas, como saldo da COP18, que prossegue até 7 de dezembro. Especialistas e observadores que vão participar da conferência também acreditam que o avanço nessa proposta deve ser o único resultado concreto de Doha.

Alguns países declararam que não seguirão o conjunto de obrigações jurídicas previstas no tratado. Mas os negociadores brasileiros não acreditam que a ausência de propostas obrigatórias do Japão, do Canadá e da Rússia esvazie o acordo ou minimize os esforços que já vêm sendo feitos desde 1992.

Nas últimas entrevistas concedidas à imprensa, diplomatas do Brasil têm ressaltado que, mesmo não sendo signatárias, essas economias devem apresentar metas voluntárias para redução de emissões de gases de efeito estufa.

O Japão, por exemplo, se propôs a realizar cortes absolutos de 25% das emissões de gases de efeito estufa até 2020, levando-se em conta os níveis de 1990. No Brasil, a meta de corte é 39% até 2020, também considerando os níveis de duas décadas atrás.

Para os negociadores brasileiros, os resultados e a ambição das metas assumidas pelos países que ainda não têm compromissos internacionais devem funcionar como pressão para que delegações de países desenvolvidos adotem medidas mais rigorosas para minimizar os impactos provocados pela elevação de temperatura no mundo.

Além das propostas, os negociadores também terão que se debruçar sobre o prazo de validade do novo tratado. A atual etapa do protocolo vigorou por cinco anos. Inicialmente, a proposta é que a nova rodada seguisse o mesmo período. Mas, dessa forma, o tratado terminaria ao final de 2017. O problema é que o acordo que substituirá essa segunda etapa de Quioto só entrará em vigor em 2020.

Conhecida como Plataforma de Durban, o compromisso global foi assumido no ano passado por todos os países que participaram da conferência na África do Sul. O acordo global terá metas obrigatórias para todos os países, que serão definidas até 2015, mas que serão cumpridas apenas a partir de 2020.

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Mudanças climáticas


O grande desafio ambiental deste século será frear o aquecimento global que já está provocando alterações no clima do planeta. Aqui você vai conhecer como funciona esse mecanismo, suas causas, consequências e possíveis soluções

Fonte: Horizonte Geográfico

As enchentes nas grandes cidades, como em São Paulo, podem se tornar mais frequentes.

Efeito estufa, aquecimento global e mudanças climáticas são expressões que estão cada vez mais incorporadas ao vocabulário daqueles que se interessam pelo futuro da Terra. 

O efeito estufa é um fenômeno natural de importância fundamental à existência de vida no planeta. Ele é provocado principalmente por três gases que existem na atmosfera – a maior parte é o dióxido de carbono (CO2), depois há o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O), que formam uma espécie de filme de plástico sobre o planeta. Como uma estufa mesmo, que permite a entrada da luz do Sol e impede a dissipação do calor. Não fosse por esse mecanismo, a vida na Terra não seria possível, pois é ele que garante a temperatura do planeta numa média de 15 graus, adequada à existência de água líquida e dos seres vivos. Sem o efeito estufa, a temperatura aqui seria semelhante à da Lua, com média de 18 graus negativos! 
É fácil perceber que ao aumentarmos a emissão desses gases estamos também aumentando o mecanismo de efeito estufa. Em outras palavras, estamos promovendo o aquecimento global. Isso já está acontecendo. Segundo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança no Clima (IPCC), que reúne 2500 cientistas de mais de 130 países, a média global da temperatura aumentou, no século passado, 0,7 grau. Pode parecer pouco para constituir uma ameaça, mas não é, porque se trata de uma média. Ou seja, em alguns locais houve aumentos de temperatura muito maiores do que em outros, com consequências localizadas – como, por exemplo, o degelo acentuado nos polos do planeta ou dos picos das montanhas mais altas.
Esse aumento da temperatura média provoca o que passou a se chamar de “mudanças climáticas”. Isso significa, segundo os pesquisadores, que teremos mais situações extremas – como o aumento de furacões, o recrudescimento de inundações e mais secas. 

O efeito estufa provoca o aquecimento global, que, por sua vez, leva às mudanças climáticas fazendo parte de um ciclo de causas e consequências que pode ficar mais grave à medida que a origem de tudo – a emissão dos gases de efeito estufa – continue crescendo. Impedir esse aumento de emissões para minimizar os danos exige, da mesma forma, novos comportamentos, novos formas de produção e um novo conceito de desenvolvimento: o sustentável.


Consequências que estão por vir

O aquecimento global irá gerar mudanças em regiões remotas, mas também preocupam os efeitos que serão sentidos nos centros urbanos

Em 2007, o IPCC confirmou a tese de que o planeta não apenas está mais quente, mas também que a causa desse aquecimento tem relação direta com a atividade humana. Um estudo demonstrou que o aumento da temperatura do planeta “coincide” com o aumento da emissão de gás carbônico (veja gráfico abaixo). 

Quando pensamos nas causas desse fenômeno é inevitável uma reflexão sobre o modelo de desenvolvimento adotado, principalmente a partir da Revolução Industrial no século 19, baseado na produção a qualquer preço, na energia gerada pelos combustíveis fósseis, no avanço da agricultura e dos aglomerados urbanos sobre a natureza e na tecnologia atrelada a essas atividades. O aquecimento global e as consequentes mudanças climáticas têm causas sistêmicas, em que atuam diversos fatores entrelaçados – e que estão intimamente ligados à maneira com que a economia global vem se desenvolvendo nas últimas décadas. 

Fábio Feldmann, ambientalista e secretário-executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais, acredita que a questão já faz parte da agenda da política internacional por meio da discussão de uma mudança da matriz energética “em direção a fontes de energia renovável e limpa, redução do desmatamento e da emissão de gases dos aterros sanitários”. Mas isso não basta. Segundo ele, é preciso pensar já nas consequências dessas mudanças climáticas. Apesar de a discussão girar sempre sobre o desaparecimento de ilhas rasas nos oceanos, as secas prolongadas em regiões semiáridas ou a savanização das florestas, é também essencial avaliar os impactos sobre as populações. “Os maiores efeitos serão vistos nas grandes cidades”, diz ele dando como exemplo desses efeitos, o aumento da intensidade das chuvas, dos deslizamentos e das enchentes nas áreas urbanas. 

As ações destinadas a enfrentar o problema não devem ser, portanto, apenas medidas para combatê-lo – ou seja, relacionadas à redução da liberação de gases ou do desmatamento –, mas também as chamadas medidas de adaptação, que representam alterações nas estruturas da cidade e do campo para suportar as alterações do clima.


Desmatamento: o papel do Brasil

Cabe aos brasileiros encontrar meios de explorar a floresta amazônica sem agravar o aquecimento global

O desmatamento tem um papel fundamental no processo de aquecimento global e de mudanças climáticas. O problema não é devido à suposta menor produção de oxigênio provocada pela redução da mata, como muitos acreditam, mas, sim, pelo gás carbônico liberado pela queima das florestas. 

É o que explica Roberto Waack, presidente da empresa de gestão ambiental Amata e membro da comissão internacional do FSC (siga em inglês para Conselho de Manejo Florestal). Segundo ele, as florestas armazenam no solo e na estrutura celular o gás carbônico que absorvem da atmosfera. Quando ocorre o desflorestamento, tanto pela queima como pela derrubada das árvores, esse gás armazenado é liberado para a atmosfera, agravando o processo de efeito estufa. A questão atinge principalmente os países em desenvolvimento porque são os que ainda preservam áreas grandes de florestas. E o Brasil é o que tem a maior floresta do mundo.

Por causa do processo de ocupação e desenvolvimento da Amazônia, executado sem planejamento e atenção às causas do aquecimento global, a floresta vem dando lugar a pastos e áreas agrícolas e, assim, liberando gás carbônico na atmosfera – e é por isso que o Brasil é o país que ocupa o quinto lugar como maior emissor mundial de gases de efeito estufa e o desmatamento é responsável por mais da metade dessas emissões. Segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, 3% das emissões globais de CO2 são oriundas da destruição das florestas brasileiras. 
Soma-se a esses dados o fato de que, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), 10% do total mundial de áreas florestadas estão no Brasil. São 4,8 milhões de km², o equivalente a 19 estados de São Paulo. “É preciso encontrar formas de manter as florestas em pé”, considera Waack, “elas são essenciais não só pela questão do carbono, mas também para o clima, por interferir no ciclo de chuvas, entre outras coisas.” Para Waack, é preciso agir em duas frentes para se evitar o desmatamento: de um lado, investindo em inovação e tecnologia. E, por outro, criando formas que recompensam financeiramente aqueles que preservam a floresta, ainda que exerçam atividades econômicas ligadas a ela. Por exemplo, por meio da certificação da madeira, pela qual se garante que o produto foi extraído da floresta com um mínimo de impacto ambiental. Madeiras certificadas alcançam valores de mercado bem mais altos do que aquelas que não o são, induzindo um ciclo de produção de mais qualidade e menos agressão ao meio ambiente. 

A necessidade de se agir imediatamente na proteção das áreas florestadas brasileiras está comprovada em uma projeção feita pela consultoria internacional McKinsey & Company, no estudo Caminhos Para Uma Economia de Baixa Emissão de Carbono no Brasil. A pesquisa, que analisou um cenário comparativo entre a situação atual e o ano de 2030, indicou que 85% do potencial brasileiro de redução nas emissões de gases de efeito estufa está ligado à diminuição dos desmatamentos e à reestruturação dos setores de pecuária e de agricultura. O Brasil aparece ainda entre os países com maior potencial para a redução dessas emissões, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Rússia. 
Um primeiro passo foi a fixação de uma meta para a preservação das florestas no Plano Nacional sobre Mudanças Climáticas, documento divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente em 2008 e que detalha as áreas estratégicas para a redução da emissão de gases de efeito estufa no país. No compromisso, assumido pelo governo, está prevista a redução, a cada cinco anos, de 42% da área total desmatada até 2020.


Um modelo em questão

O desenvolvimento da humanidade apoia-se no consumo de petróleo e carvão mineral, os principais responsáveis pelo aquecimento global

O carvão mineral, a partir do século 19, e o petróleo, a partir do século 20, foram os principais combustíveis que moveram as máquinas das indústrias e os veículos automotores, responsáveis pelo modelo de desenvolvimento econômico adotado desde a Revolução Industrial e que dura até hoje Um modelo cujo preço está sendo pago agora. O relatório do IPCC deu uma dimensão mais exata do problema, mostrando que cerca de 60% das emissões de gases que contribuem para o agravamento do efeito estufa são provenientes da queima de combustíveis fósseis – tanto o carvão mineral como o petróleo e seus subprodutos. Segundo Arnaldo Walter, pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), cerca de 80% da energia elétrica do mundo e quase a totalidade dos combustíveis usados no transporte têm origem fóssil. 

Mudar esse cenário, na análise de Walter, é um processo delicado. Além de requerer tempo e recursos financeiros, envolve boa vontade política dos países envolvidos, pois requer mudanças estratégicas nos modelos energéticos nacionais. “Primeiro há de se considerar todo o estoque de equipamentos existentes. Segundo, há de se ter em conta os custos relativos. Terceiro, há de se considerar o estágio de desenvolvimento das tecnologias. Quarto, os interesses econômicos em jogo. Quinto, que o uso de qualquer fonte de energia tem impactos ambientais associados”, sintetiza.
Todavia, isso não significa que seja impossível enfrentar o problema. Já há, inclusive, clareza sobre as principais medidas que devem ser tomadas para reduzir o impacto da queima de combustíveis fósseis sobre o efeito estufa. É preciso que haja a diversificação das matrizes energéticas, o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes na conversão e no uso de energia e a redução do consumo. “Se não fosse preciso gerar parte da eletricidade que é consumida, melhor”, diz Walter.


A solução para o transporte

Além de grandes emissores de gás carbônico, a mobilidade dos automóveis já não é mais a mesma. É hora de explorar alternativas

Omodelo de desenvolvimento calcado no transporte rodoviário foi a opção que a maioria dos países adotou no último século. Lester Brown, referência mundial na área ambiental, fundador e presidente do Earth Policy Institute – organização americana que trabalha a sustentabilidade para o desenvolvimento econômico –, prevê o colapso desse modelo. Para Brown, situações como a dos Estados Unidos, na qual há três carros para cada quatro pessoas, em breve se tornarão inviáveis. A tendência de migração das zonas rurais para centros urbanos exige sistemas de transporte adaptados a essa nova demanda populacional. Brown ironiza que, se os automóveis nasceram tendo como promessa a mobilidade, hoje eles promovem a imobilidade, simbolizada pelas centenas de quilômetros de congestionamentos vistos todos os dias nas maiores cidades do mundo.

Mas, mais que o incômodo do trânsito, a queima de gasolina e diesel – ambos produtos derivados do petróleo – nos motores de carros e caminhões é fonte de parte considerável das emissões de CO2. Um exemplo extremo são os Estados Unidos, maior emissor do mundo de gases que agravam o efeito estufa e onde os transportes são o segundo setor que mais emite, com 28%, ficando apenas um pouco atrás do setor de geração de energia elétrica, com 33%.
Entretanto, já há pelo mundo soluções que têm se mostrado eficientes para a redução da dependência de combustíveis fósseis para o transporte. Uma delas são os trens-bala europeus e japoneses, que, além de atrair centenas de passageiros pela rapidez das viagens, têm emissões bem mais baixas de CO2 que outros meios de transporte. 

Segundo Brown, elas chegam a ser um terço menores que a dos carros e um quarto inferiores à dos aviões. E podem chegar a zero, caso a eletricidade usada para se colocar os trens em movimento venha de fontes limpas e renováveis – o que ainda não é uma realidade na União Europeia.
No Brasil, o etanol, usado como combustível de veículos, e o bagaço da cana, para a geração de eletricidade, já são responsáveis por 16% de toda a energia consumida no país. O Proálcool (Programa Brasileiro de Álcool), na década de 70, obrigou o acréscimo de álcool à gasolina. O percentual da mistura variou ao longo dos anos e, atualmente, a gasolina brasileira recebe de 20% a 25% de etanol. Assim, de 1970 a 2007, o Ministério de Minas e Energia calcula que 854 milhões de barris de petróleo tenham sido substituídos por etanol, evitando-se a descarga de 800 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Mais recentemente surgiram novos modelos no Brasil, como o da utilização da biomassa nas usinas de produção de açúcar e do etanol: os quilowatts produzidos pelo bagaço da cana-de-açúcar são suficiente para atender à demanda energética das próprias usinas. Segundo Luiz Fernando Amaral, assessor de meio ambiente da Única (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) “cerca de 3% da energia elétrica no Brasil é produzida a partir da cana”.


Novos caminhos para a eletricidade

Fontes pouco exploradas de produção de eletricidade devem receber grandes investimentos a partir de agora, como a força dos ventos e a solar

Para quem vive no Brasil, onde 88,7% da energia elétrica vem de fontes renováveis, pode parecer estranho que grande parte do mundo dependa de combustíveis fósseis para gerá-la. Mas, como analisa Arnaldo Walter, da Unicamp, o país é um caso atípico, por ter um potencial hidrelétrico em que quase 70% da capacidade ainda não é aproveitada e por possuir condições favoráveis para a produção de biomassa – como a lenha e o bagaço da cana. O mesmo não acontece, por exemplo, com a China, principal economia mundial em expansão, segunda maior emissora de gases de efeito estufa do globo e cuja matriz energética vem, em grande parte, da queima de carvão mineral. 

Lá, as emissões de gases de efeito estufa estão associadas, primordialmente, à produção e ao consumo de energia elétrica, com o carvão mineral respondendo por 80% das emissões chinesas de CO2. Os métodos antiquados para a produção de eletricidade intensificam as chuvas ácidas e a poluição do solo e dos rios. Para reverter a situação chinesa, de acordo com Walter, é necessário aumentar a eficiência na geração, na transmissão e no uso final da eletricidade, além de diversificar sua matriz de geração elétrica. 
De forma geral, a diversificação das fontes de energia é apontada como medida essencial para os governos nacionais, com potenciais ainda pouco explorados, como a geração de eletricidade pelo vento ou por pequenas centrais hidrelétricas.


O uso do solo também produz gases

A agricultura e a pecuária contribuem para o aquecimento global e exigem novas tecnologias para reduzir esse processo

Não é apenas quando o homem desmata áreas verdes que há emissões de gases de efeito estufa. O cultivo de plantações ou as criações de gado também contribuem para o aquecimento global. Como explica o professor Luiz Claudio Costa, Ph.D. em agrometeorologia e reitor da Universidade Federal de Viçosa, a agricultura é responsável por cerca de 30% das emissões de gases de efeito estufa no mundo. Mas, ao contrário de outros agentes das alterações no clima –que contribuem principalmente com gás carbônico –, o vilão da atividade são o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). O primeiro, liberado pelas áreas alagadas para a produção de arroz, pelo processo de digestão da celulose dos ruminantes e pela decomposição do esterco. O segundo, presente nos fertilizantes nitrogenados, muito usados na agricultura.
Uma das soluções para a redução dos gases emitidos pelo uso do solo é o chamado plantio direto. O modelo já vem sendo desenvolvido no Brasil desde a década de 70, principalmente por agricultores do sul do país, no cultivo de grãos. Nessa forma de plantio, parte da matéria verde da planta – como restos de folhas e a palha – são deixados no campo após a colheita. Essa nova camada de matéria orgânica, mais exterior, diminui a necessidade de se revirar o solo. Além disso, como explica Costa, “reduz a erosão, melhora as condições físicas e de fertilidade do solo, aumenta o teor de nutrientes e de água armazenados e diminui o consumo de combustíveis com a manutenção da produtividade das culturas”. 

Entretanto, Ângelo Gurgel, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, da USP, ressalta a importância de se associar o uso do solo com o desflorestamento ao se avaliar o problema do aumento das emissões de gases. Isso porque a abertura de novas áreas agrícolas é uma das principais causas do desmatamento. Como aponta Gurgel, evitar o corte de áreas florestadas passa por um melhor aproveitamento dos terrenos já usados para o plantio e a criação de gado. Segundo o IBGE, atualmente quase metade dos 354 milhões de hectares agricultáveis brasileiros são ocupados por pastos. “Existe um grande potencial de uso de áreas já abertas para a agricultura, hoje subutilizadas na forma de pastagens de baixa produtividade”, lembra o professor.

Texto: Rachel Costa e Roberto Amado

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Governo Federal e CNI fazem parceria para diminuir emissão de gases de efeito estufa


O governo e a indústria firmaram ontem (21.08) uma parceria para a adoção de medidas que diminuam a emissão de gases de efeito estufa. De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, pela primeira vez na história do país governo e indústria assumem a tarefa de mudar o paradigma na área ambiental, consoante com um “cenário de competitividade internacional mais acirrado”.

Em solenidade realizada na Confederação Nacional da Indústria (CNI), ele e a ministra de Meio Ambiente, Izabella Teixeira, assinaram um acordo de cooperação técnica com a CNI para a realização de estudos setoriais e discussão de contrapartidas econômicas para as ações de redução das emissões de carbono.

Pimentel destacou que a indústria brasileira “é pujante, forte, embora tenha passado dificuldades”, mas acredita que o setor tem todas as condições para retomar o crescimento. Ele destacou que a modernização da indústria tem que ser constante, no rumo da sustentação ambiental, e ressaltou que a parceria hoje firmada “é o protagonismo que temos que ter com o setor produtivo”.

Por sua vez, a ministra Izabella Teixeira enfatizou a necessidade de ações de longo prazo para o desenvolvimento do país, e disse que a parceria do governo com a indústria “tem importância fundamental nesse sentido”, uma vez que o desafio é enorme. “Precisamos, portanto, compartilhar a visão de desafio em prol da redução da emissão de gases, que virá, certamente, com a modernização do parque industrial”, completou.

Para o presidente da CNI, Robson Braga Andrade, o acordo demonstra o esforço da indústria em atuar com o setor público na direção de uma economia de baixo carbono. Ele disse que o empresariado está ciente de que a parceria é um passo decisivo para transformar o discurso sobre mudança climática em realidade.

A parceria tem vigência até 2015. Período no qual o MDIC, o Ministério do Meio Ambiente e a CNI trabalharão juntos na implantação do Plano de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas do Setor Industrial, cujas diretrizes foram elaboradas pelo governo federal e colocadas em consulta pública até a última quarta-feira (15). A meta do plano é diminuir em pelo menos 5%, até 2020, as emissões de gases nas atividades de alumínio, cimento, papel e celulose, químico, cal, vidro e ferro-gusa.

Na mesma solenidade, o MDIC anunciou também a criação de uma Comissão Técnica do Plano Indústria, que funcionará como fórum de debates e articulação dos diferentes setores industriais na elaboração e cumprimento de metas. No caso, a CNI fará a interlocução com o governo para produzir inventários de emissões e determinar o impacto das mudanças necessárias para promover a competitividade em ambiente mais sustentável. 

Com informações da Agência Brasil

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

INPE estima emissões por desmatamento na Amazônia


A redução do desmatamento na Amazônia brasileira, a partir de 2004, resultou em queda de 57% das emissões de dióxido de carbono (CO2). Isso significa que o desmatamento na região representa cerca de 1,5% de todo carbono antrópico lançado globalmente para a atmosfera. Os dados são do INPE-EM, novo serviço lançado nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos.

Desenvolvido por pesquisadores do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) em parceria com a Coordenação de Observação da Terra (OBT) e o Centro Regional da Amazônia (CRA), além de instituições colaboradoras nacionais e internacionais, o novo modelo gera resultados a partir dos dados do PRODES, sistema baseado no monitoramento de satélites do próprio INPE que calcula o quanto a Amazônia perde de floresta primária a cada ano.

“Nesta versão inicial, o sistema INPE-EM provê estimativas anuais para toda a Amazônia Brasileira e por Estado na região até 2011. São apresentados ainda indicadores para acompanhamento das reduções de emissões após 2006, tomando como base a média de desmatamento 1996-2005”, explica a pesquisadora Ana Paula Aguiar.

O novo serviço traz informações imprescindíveis para quantificar os impactos da perda da floresta para o balanço global de gases na atmosfera, assim como para monitorar os efeitos de ações para reduzir as emissões.

Cerda de metade da biomassa florestal é composta por carbono, que é liberado na forma CO2 pelas queimadas, desmatamentos ou outras alterações no uso da terra. A velocidade da transferência de CO2 para a atmosfera está relacionada às causas do desmatamento – exploração madeireira, estabelecimento de pastagens para pecuária, agricultura mecanizada de larga escala, agricultura familiar, etc.

Todos os resultados da estimativa de emissões de gases de efeito estufa (GEE) por mudanças de cobertura da terra estão disponíveis na internet: www.inpe.br > Produtos e Serviços > Amazônia > INPE-EM.

O INPE-EM utiliza o modelo descrito no artigo científico recente de Aguiar et al. (2012)

terça-feira, 19 de junho de 2012

Maiores cidades do mundo se comprometem a reduzir poluição


O anúncio foi feito pelos prefeitos de Nova York, Michael Bloomberg, e do Rio de Janeiro, Eduardo Paes


O prefeito do Rio, Eduardo Paes, de São Paulo, Gilberto Kassab, de Nova York, Michael Bloomberg (ao centro da foto, ao lado de Paes) e mais cinco prefeitos de outras grandes cidades do mundo, como Joanesburgo, Seul e Buenos Aires

As maiores cidades do mundo comprometeram-se hoje (19) a reduzir em até 248 milhões de toneladas as emissões de gases de efeito estufa até 2020. O anúncio foi feito pelos prefeitos de Nova York, Michael Bloomberg, e do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, durante o encontro anual dos mandatários das maiores cidades do mundo (C40), com 59 integrantes. Segundo os prefeitos, há potencial para reduzir as emissões em cerca de 1,3 bilhão de toneladas até 2030, mais do que o México e o Canadá poluíram juntos em 2008.

Paes afirmou que o compromisso do C40 não é apenas uma carta de intenções, mas sim um desafio assumido pelos municípios. “A cidade se sente obrigada a cumprir os desafios assumidos aqui. O Rio será guardião desse desafio.”

“As megacidades já estão implementando estratégias de redução de gases de efeito estufa. Todas as cidades do grupo C40 têm programas. Não esperamos os governos nacionais tomarem a dianteira e aprovarem recursos”, disse Bloomberg que também é o presidente do grupo C40. Ele citou  Nova York como exemplo e disse que a cidade reduziu as emissões de gases de efeito estufa em 13% nos últimos cinco anos.

Agência Brasil

segunda-feira, 26 de março de 2012

Apenas nove cidades paranaenses deram início a plano ambiental

Ação que previa o levantamento da emissão de gases e seu controle não foi colocada em prática em quase todos os municípios do estado


Alunos em ação para plantar árvores na cidade da Lapa: respeito ao meio ambiente e conscientização quanto ao controle de emissão de gases
Kátia Brembatti para o jornal Gazeta do Povo
A intenção do governo do estado de envolver as prefeituras em ações para frear as mudanças climáticas não decolou no Paraná. Um programa idealizado em 2009 pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente foi deixado de lado diante da falta de interesse dos municípios. Entre as 399 cidades paranaenses, apenas 12 se propuseram inicialmente a executar projetos-piloto e somente três concluíram as fases iniciais do Plano Municipal de Mudanças Climáticas.

A etapa inicial era acanhada: calcular as emissões de gases do efeito estufa apenas da rede municipal de ensino. Questões como quanto é o gasto de combustível no transporte escolar e qual é o consumo de papel deveriam ser respondidas para a elaboração de um inventário. Com a justificativa de que não há recursos suficientes para fazer frente a despesas das áreas de saúde e educação, as prefeituras, na ampla maioria dos casos, não dispuseram nem mesmo de apenas um funcionário para reunir informações sobre consumo e organizar ações de controle de emissões de gases. “O governo do Paraná não pode impor nada para as prefeituras”, diz a coordenadora estadual de Mudanças Climáticas, Themis Piazzetta Marques.

Os planos municipais deveriam estar prontos até o fim de 2011. Responsável pelo Programa Municipal de Mudanças Climá­ticas na gestão do governador Roberto Requião, Eliane Ivan­chechen conta que, após uma palestra com representantes de várias prefeituras, em 2009, meia dúzia de cidades se comprometeu a participar do projeto. O governo estadual colaborava principalmente com orientações e cursos de capacitação. “Explicávamos como fazer um inventário de emissões e a importância de realizar um mapeamento para definir ações”, destaca. Sem funcionários para se dedicar ao trabalho ou mesmo sem acesso a informações, a maioria das prefeituras voluntárias não conseguiu determinar como estava lidando com o lixo, com o consumo de energia, papel e água e com a queima de combustível nas redes municipais de ensino. “Era essencial descobrir onde estão os gastos acima da média.”

Outros passos

Pronto o inventário, os passos seguintes seriam racionalizar o consumo e compensar o que já havia sido emitido. Para neutralizar as emissões de gases de escolas e creches em apenas um ano, as prefeituras de três cidades plantaram árvores: 1.370 em Rio Negro, 550 na Lapa e 625 em Rondon, totalizando 2.525 espécies nativas. Na cidade da Lapa, o projeto foi além nos anos seguintes. As emissões de toda a prefeitura foram calculadas e 5,8 mil árvores foram plantadas como forma de compensação. O diretor municipal de Meio Ambiente da Lapa, Heitor Leonardi, reconhece que a cidade não tomou medidas institucionais para a redução de consumo, mas salienta que apenas ao fazer o levantamento de emissões algumas escolas já se surpreenderam com os gastos excessivos.

Para dar o exemplo, o governo estadual prepara um edital para contratar o inventário das emissões do Paraná. O investimento não foi definido, mas o trabalho deve levar ao menos um ano.



Cada árvore plantada rende R$ 5 por ano

Uma das apostas do governo estadual na ação local para o enfrentamento das mudanças climáticas é o projeto Estradas com Araucária, que prevê o pagamento de R$ 5 por árvore plantada ao ano. “Serve para fazer divisas das propriedades, não atrapalha a atividade agropecuária e tem também uma função paisagística”, destaca a coordenadora estadual de Mudanças Climáticas, Themis Piazzetta Marques. É ainda uma fonte de renda para os agricultores. Se ele planta 200 árvores, por exemplo, garante R$ 1 mil por ano, além do dinheiro da venda de pinhão. As araucárias precisam ser cuidadas por 21 anos. Depois, o proprietário ganha o direito de cortar a árvore e ficar com o dinheiro da madeira. As árvores consomem gás carbônico durante o processo de fotossíntese e captam o carbono emitido, por exemplo, na queima de combustíveis.

Cada árvore é plantada com cinco metros de espaçamento. O projeto foi desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e se baseia na coleta de sementes da mesma região do futuro plantio para o desenvolvimento de mudas. A empresa logística Logan patrocina o projeto. Ela procurou o governo estadual para calcular quanto emite de gases de efeito estufa e se propôs a compensar parte do impacto desembolsando R$ 100 mil por ano. “Ao contrário do que ocorre em outros países, a legislação brasileira ainda não exige a realização de inventário e a neutralização das emissões, mas existem empresas se antecipando”, conta Themis.

Em janeiro começou o plantio das araucárias e três dezenas de agricultores concordaram em se responsabilizar por 7,5 mil árvores na cidade da Lapa. Heitor Leonardi, diretor municipal de Meio Ambiente, conta que a próxima meta é plantar mais 10 mil araucárias. O pesquisador André Ferretti não condena o projeto Estradas com Araucárias, mas acredita que muito mais importante seria pagar para conservar as matas que já existem. “Não acho que o plantio de apenas uma espécie, em linha, seja a solução. Aliás, as pessoas confundem a árvore araucária com a mata de araucária. Na mata, existem vários outros tipos de árvores e é esse conjunto que está ameaçado de extinção”, reforça.

A ajuda dos estudantes faz diferença na hora
de plantar 5,8 mil árvores em três anos
Iniciativas locais são necessárias e urgentes

Controle dos processos na indústria e na agricultura, incentivo ao uso do transporte coletivo e de energias limpas, criação de parques e tratamento correto para o lixo são algumas das ações em que os municípios podem diretamente atuar. André Ferretti, coordenador do Observatório do Clima da Rede Brasileira de ONGs Am­­bientais e coordenador de estratégias de conservação da Fundação Boticário, avalia que, à medida que cada vez se tem mais convicção de que a ação do homem está acelerando as mudanças climáticas, é preciso correr para se adaptar e não ficar esperando os acontecimentos. “Com ações preventivas será possível salvar vidas e gastar menos. Isso vale também para as prefeituras”, destaca. Obras de contenção de encostas, retirada de pessoas de áreas de risco e avaliação das condições de represas geralmente são medidas tomadas localmente.

Ferretti participou dos mais importantes eventos ambientais dentro e fora do Brasil e conta que constantemente as prefeituras são cobradas pela inércia. “O governo federal não vai dar conta de cuidar de tantos aspectos em tantos lugares. São necessárias iniciativas locais, que podem ter suporte em uma estrutura maior, como o governo estadual e federal”, pondera. Para ele, hoje acontecem apenas ações isoladas. “As políticas públicas não podem ficar sujeitas a trocas de governantes. Deve ser um programa público e não deste ou daquele governador”, acredita. Ferretti sugere a criação de leis municipais de mudanças climáticas, que institucionalizariam as ações.

Na lógica de que é preciso agir localmente, são vários os eventos ambientais que abordam a necessidade do envolvimento dos governos municipais em ações efetivas. Para a diretora do Departamento de Mudanças Climáticas do Ministério de Meio Ambiente, Karen Suassuna, algumas grandes cidades – como São Paulo, Rio de Janeiro e Recife – estão realmente agindo, principalmente por conta da prevenção a grandes desastres, como enchentes. “Mas é preciso lembrar que 60% das emissões brasileiras são em decorrência de desmatamento e queimada. É aí que precisamos agir”, reforça. Karen lembra que há casos em que a responsabilidade é do governo federal e outros, como a gestão de resíduos sólidos, que cabem às prefeituras. (KB)




Veja as ações desenvolvidas pelo programa nas 12 cidades-piloto:

Concluiu as ações propostas:

Lapa


Realizaram inventário e plantio:

Rio Negro

Rondon


Não concluíram a primeira fase:

Pontal do Paraná

Tibagi

Castro

Guarapuava

Maringá

Almirante Tamandaré


Nem começaram o trabalho:

Guaraqueçaba

Icaraíma

Londrina

Fonte: Eliane Ivanchechen, ex-responsável pelo Programa Municipal de Mudanças Climáticas

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