Paulo de Tarso Lara Pires, engenheiro florestal, advogado, é mestre em Economia e Política Florestal pela UFPR e doutor em Ciências Florestais (UFPR). Pós-doutorado em Direito Ambiental e Desastres Naturais na Universidade de Berkeley – Califórnia.
Mostrando postagens com marcador Ilhas Maldivas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ilhas Maldivas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de abril de 2012

10 lugares do mundo que podem ser engolidos pelo mar

Saiba quais são as regiões mais vulneráveis à elevação do nível do mar, que deve subir de 0,8 até 2 metros ainda neste século em função do aquecimento global


Da National Geographic Brasil Online
Um levantamento recém-divulgado pela ONG Co+Life mostra quais são os lugares mais vulneráveis à elevação do nível do mar, em consequência do aquecimento global e que deve subir de 0,8 até 2 metros ainda neste século.Muitos destes lugares podem ser varridos do mapa com uma elevação brusca, alguns deles tem mais de 80% de seu território abaixo do mar.


Veneza, Itália: com cerca de 270 mil habitantes, e mais de 60 mil turistas por dia, Veneza carrega a fama de cidade submersa há tempos - e é daí que vem boa parte de sua fama. De acordo com pesquisadores da Scripps Institution of Oceanography da Universidade da Califórnia, San Diego, a cidade afunda a uma taxa de 2 milímetros por ano. Pode não parecer muito, mas considere que ao longo de cinco anos, a cidade desaparece mais um centímetro, e o cenário certamente se torna preocupante para gerações futuras.


Delta do Mekong: Densamente povoado, a região do Delta do Mekong, uma das mais férteis do Vietnã, pode tornar-se vítima das mudanças climáticas. Um aumento do nível do mar inundaria rapidamente as fazendas de camarões, os vilarejos e os cultivos agrícolas, que garantem trabalho e sustento para os moradores locais. Segundo as previsões mais pessimistas, até 2100, o mar engolirá 5% do território, 7% das terras agrícolas e 11% de sua população.


Tuvalu: Assim como as Maldivas, o pequeno conjunto de nove ilhas localizado no oceano pacífico, entre a Austrália e o Havaí, sofre as consequências do aquecimento global. Com área de 26 km², o minúsculo Estado corre o risco de submergir diante do aumento do nível do mar. Nos últimos anos, as inundações constantes já vêm atrapalhando a produção de cultivos locais e a obtenção de água potável.


Roterdã, Holanda: A localização ao lado do Mar do Norte gera uma série de possibilidades para negócios no porto de Rotterdam, um dos maiores do mundo. Por outro lado, representa uma luta constante contra a água, uma vez que aproximadamente um terço do país fica abaixo do nível do mar, sendo que o ponto mais baixo está quase 7 metros abaixo do nível da água. Sem uma extensa rede de barragens, diques e dunas, a Holanda seria especialmente propensa a inundações. Mas segundo cientistas, nem mesmo a sofisticação do sistema de gerenciamento de água holandês poderá dar conta de uma elevação brusca do nível do mar até o final do século.


Rio do Nilo: Na Antiguidade, o Delta do Nilo, uma planície com 160 km de comprimento e 250 km de largura, era onde se localizava o chamado Baixo Egito, a região que mais sofreu a influência do período helênico. É aí que o rio Nilo se divide em vários braços para desaguar no mar Mediterrâneo, ao norte. Hoje, a região é uma das mais ameaçadas do mundo pelo aumento do nível do mar, que, segundo previsões, pode afetar até quatro milhões de pessoas, e, destruir boa parte da produção agrícola local.


Rio Tâmisa, Londres: sede dos próximos jogos olímpicos, a capital britânica também não está a salvo da variação do nível do mar, que vem subindo cerca de um milímetro por ano. Preocupados com a questão, a firma de arquitetura britânica Baca desenvolveu uma casa anfíbio capaz de resistir às enchentes. Primeiro projeto deste tipo a receber autorização do governo inglês, a casa de 225 metros quadrados de área está sendo construída a apenas 10m da margem do rio Tâmisa, em Male, no condado de Buckinghamshire.


Bangcoc, Tailândia: localizada sobre o delta do rio Chao Phraya, Bangok está, aos poucos, afundando, de 1,5 a 5 centímetros por ano. Partes da capital da Tailândia podem ficar totalmente submersas já nas próximas duas décadas. A cidade vem sofrendo com um crescimento populacional e urbano desorganizado, que se torna alvo fácil das enchentes constantes e cada vez mais intensas que assolam o país.


Maldivas: as pequenas e numerosas ilhas das Maldivas são tão belas quanto frágeis. Pelo menos 80% do arquipélago localizado no oceano Índico está apenas um metro acima do nível do mar. De acordo com o levantamento da Co+Life, uma elevação brusca das águas poderia varrer do mapa esse paraíso de praias de areia branquinha, palmeiras e atóis de corais. No último século, o nível do mar já subiu 20 centímetros em algumas partes do país. Temendo o pior, o governo local estuda comprar um novo território para o seu povo.


Delta do rio Mississipi, EUA: O delta do Mississippi, nos Estados Unidos, cobre uma área de 75 mil km², onde vivem cerca de 2,2 milhões de pessoas. É na cidade de Nova Orleans, castigada pelo furacão Katrina em 2005, que se concentra a maior parte da população. Localizada a meio metro abaixo do nível do mar, a região que tem na pesca uma de suas principais atividades econômicas, está sujeita a constantes enchentes.


Delta do Ganges, Bangladesh: só em Bangladesh, 120 milhões de pessoas que vivem no delta do Ganges estão ameaçadas pela elevação do nível do mar. O Bangladesh é um país com poucas elevações acima do nível do mar, com grandes rios em todo seu território situado ao sul da Ásia. Os desastres naturais como inundações, ciclones tropicais, tornados e marés em rios são normais no Bangladesh todos os anos.



quarta-feira, 4 de abril de 2012

O presidente que luta contra um desastre ambiental


Mohamed Nasheed, das Ilhas Maldivas, é personagem de filme que mostra como o aquecimento global pode destruir um país


Mohamed Nasheed, presidente das Ilhas Maldivas
The New York Times
Para as pessoas que vivem em zonas de clima temperado, como regiões interioranas e zonas industriais do ocidente, o aquecimento global gera uma ansiedade que pode beirar o pânico, mas de uma maneira quase impossível de se notar. O inverno sutil que a costa leste enfrentou este ano pode ter parecido um sinal ameaçador, embora tenha providenciado um clima agradável, e na maior parte do tempo outros problemas sociais, econômicos e políticos parecem ter tido uma importância muito maior do que a sobrevivência humana.

Existe também um grupo de pessoas que formou uma subcultura propensa a gerar controvérsia a respeito da mudança climática e da preservação do meio ambiente, dizendo que o aquecimento global não passa de farsa. Uma conspiração liberal! Como se tudo não passasse de um esquema idealizado por cientistas gananciosos e organizações internacionais que procuram fazer com que nós tenhamos culpa por nossos carros e sacolinhas de supermercado!

Em outras regiões do mundo, no entanto, a questão é mais alarmante. "The Island President" (O Presidente da Ilha, em tradução literal), um documentário de Jon Shenk, visita as Ilhas Maldivas, um arquipélago de cerca de 1.200 ilhas localizadas no Oceano Índico, das quais cerca de 200 são habitadas. O país é descrito como "o céu na Terra", com suas praias de areia branca e águas cristalinas que se tornaram um refúgio para turistas ricos. Mas embora o filme possua imagens aéreas e submarinas espetaculares da beleza das Ilhas Maldivas, ele foca a maior parte de sua atenção em uma realidade menos agradável.

Durante 30 anos o país foi governado por Maumoon Abdul Gayoom, um ditador que adotava uma postura autoritária de prender, torturar e aterrorizar todos os seus adversários. Entre eles estava Mohamed Nasheed, que depois de anos como ativista pró-democracia e prisioneiro político foi eleito presidente, aos 41 anos de idade, em 2008.

Assim que assumiu o cargo, Nasheed enfrentou uma crise ambiental catastrófica. O aumento constante do nível dos oceanos causado pelo derretimento do gelo polar e o aumento das temperaturas globais já haviam gerado graves casos de erosão em algumas ilhas do arquipélago e a eventual inundação desta pequena e vulnerável nação está começando a parecer inevitável ao invés de apenas assustadoramente plausível.

Shenk e sua equipe tiveram acesso livre ao gabinete de Nasheed durante seu primeiro ano no poder e o "Presidente da Ilha" parece registrar a energia, por vezes quase caótica, de um líder jovem e ambicioso diante de enormes desafios. Informativo, o vídeo compartilha diversas informações de um ponto de vista privilegiado, como por exemplo ao revelarem entrevistas feitas com Nasheed, imagens de seus conselheiros e de sua esposa intercaladas com cenas da agitada vida de um político pós-moderno. Nasheed se reúne com membros de seu gabinete e assessores ambientais britânicos, participa da filmagem de anúncios de serviço público (incluindo um em que estar em uma reunião embaixo d'água, filmado utilizando um equipamento de mergulho), faz pausas para fumar um cigarro e viaja para uma série de conferências sobre a mudança climática.

A última delas, a Cúpula contra a Mudança Climática de Copenhague, dá ao filme o seu clímax, à medida que Nasheed se torna uma peça fundamental em uma série de complexas negociações que ele esperava poderem levar a um acordo internacional sólido para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa. Embora o filme apresente um relato razoavelmente claro sobre as questões técnicas envolvidas - não há muita discussão sobre quais são os graus aceitáveis de aquecimento, centímetros de aumento do nível do oceano e o quanto de dióxido de carbono é despejado no ar - ele também foca em alguns dos rituais de poder e diplomacia que ocorrem no século 21.

Nasheed, um homem sério, bonito, bem vestido e bem-educado parece se sentir em casa neste mundo da alta política mundial, embora seja muitas vezes criticado por seus aspectos pouco funcionais. Ele é um debatedor ágil que tem uma forte presença de câmera e que parece combinar seu jeito infantil de ser com uma certa auto-confiança tecnocrática.

Em Copenhague - e alguns meses antes, em uma sessão da ONU em Nova York - ele tentoi usar sua autoridade moral como líder de uma pequena nação em perigo para trazer alguns dos políticos mais céticos e cautelosos do mundo em desenvolvimento para o seu lado. Mas as complexidades geopolíticas são assustadoras e os obstáculos estruturais para poder realizar qualquer tipo de mudança parecem impor cada vez mais dificuldades.

Nasheed também enfrenta dificuldades em casa, embora além da elevação dos oceanos, nenhuma pareça tão importantes para ele quanto o meio ambiente. Até que após a narrativa somos informados que ele foi forçado a deixar o poder no mês passado, mais de dois anos após a conclusão das filmagens. Outra nota relata que, naquela época, os níveis de dióxido de carbono na atmosfera continuaram a aumentar.

O otimismo é da natureza dos líderes políticos, especialmente dos democráticos, e insistir que soluções podem ser encontradas até mesmo para os problemas mais difíceis faz parte disso. Documentários que lidam com assuntos politicamente engajados, principalmente aqueles feitos por cineastas americanos, também possuem essa tendência, oferecendo uma certa garantia implícita, mesmo que acabem falando a respeito das más condições do mundo em que vivemos. A conscientização virá à tona. Os progressos necessários serão feitos. Duvidar disso pode soar como cinicismo.

"The Island President" é positivo o suficiente para impedir que isso aconteça. É impossível torcer contra Nasheed ou a acreditar que ele vai fracassar enquanto assistimos o documentário. Mas a esperança que este filme gera faz com que a experiência de sair do cinema e contemplar um iminente desastre que os líderes mundiais parecem ser incapazes de evitar um pouco perturbadora.

Assista ao trailer do filme: 

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Top WordPress Themes