Paulo de Tarso Lara Pires, engenheiro florestal, advogado, é mestre em Economia e Política Florestal pela UFPR e doutor em Ciências Florestais (UFPR). Pós-doutorado em Direito Ambiental e Desastres Naturais na Universidade de Berkeley – Califórnia.
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Gigante do sector do papel promete não destruir mais florestas


Uma dos maiores fabricantes mundiais de papel – o grupo Asia Pulp & Paper (APP) – comprometeu-se a não derrubar mais floresta tropical, utilizando apenas fibra vinda de plantações exclusivas.

Empresa, o Governo e a Greenpeace juntos
 na apresentação do plano da APPADEK BERRY.
Foto: AFP
A promessa está no centro de uma nova política de conservação florestal do grupo, que durante anos foi acusado de destruir vastas áreas de floresta tropical na Indonésia, para alimentar as suas fábricas. As novas normas, anunciadas esta terça-feira, já estão em vigor e valem para todos os fornecedores da APP e para todas as suas unidades industriais, inclusive na China.

Sob crescente pressão internacional, a APP reviu ao longo de 2012 a sua estratégia para o futuro, culminando agora com a renúncia ao uso de matéria-prima proveniente de florestas virgens. “Só florestas plantadas”, disse à agência Reuters Aida Greenbury, directora executiva de sustentabilidade do grupo. “Estamos a fazer isto para a sustentabilidade do nosso negócio e para o benefício da sociedade”, refere o presidente do grupo, Teguh Ganda Wijaya, citado pela Reuters.

O passo dado pela APP foi recebido por organizações ambientalistas com um misto de entusiasmo e cautela. Para a Greenpeace – que esteve envolvida nas negociações com a empresa e participou da apresentação do seu plano – trata-se de “um enorme avanço” para a protecção das florestas tropicais. “Se a APP colocar integralmente em prática a sua política, assinalará uma alteração dramática de direcção, depois de anos de desflorestação na Indonésia”, diz Bustar Maitar, líder da campanha florestal da Greenpeace naquele país, num comunicado da organização.

A Greenpeace promete estar vigilante quanto ao cumprimento das promessas da APP e já escreveu a outra grande empresa do sector na Indonésia, a Asia Pacific Resources International, a pedir para seguir o mesmo exemplo.

Mais cauteloso, o grupo Rainforest Action Network (RAN) saudou a medida, mas recorda que a APP tem uma longa história de promessas não-cumpridas. “A APP não será vista como uma empresa responsável no mercado enquanto não colocar em prática os seus novos compromissos e encerrar a crise de destruição das florestas e de direitos humanos que causou na Indonésia”, diz a RAN, num comunicado.

Por: Painel Florestal - Ciência P

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Novo Código Florestal não anula multas anteriores, decide STJ


Multas aplicadas a proprietários rurais que desrespeitaram o Código Florestal de 1965 não são automaticamente anuladas com a nova lei, de 2012. Este foi o entendimento firmado de forma unânime pela Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento do ano passado. A decisão foi divulgada apenas ontem (31.01).

Os ministros entenderam que a multa aplicada não é anistiada, e sim revertida em outras obrigações administrativas que precisam ser cumpridas pelo proprietário. Entre elas, a inscrição do imóvel no Cadastro Ambiental Rural (CAR), a assinatura de termo de compromisso e a abertura de procedimento administrativo no programa de regularização ambiental.

Mesmo com o cumprimento integral das obrigações, as multas não são anuladas, mas convertidas em serviços de preservação, melhoria e qualidade do meio ambiente, explicou o relator do processo, ministro Herman Benjamin. Ele ainda destacou que o cumprimento das regras deve ser checado pelos órgãos fiscalizadores da autoridade ambiental e não pelo Poder Judiciário.

O tribunal analisou o pedido de um proprietário rural do Paraná que queria anular multa de R$ 1,5 mil. Ele foi autuado por explorar de forma irregular área de preservação permanente nas margens do Rio Santo Antônio (PR).

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Araucária: Pela primeira vez, preservar a espécie está sendo mais rentável do que derrubá-la



A araucária é do tempo dos dinossauros: surgiu há cerca de 200 milhões de anos, durante o Jurássico, e sobreviveu a todas as mudanças no planeta desde então, inclusive a numerosas glaciações. Foi nesses períodos de baixa temperatura, aliás, que a espécie se espalhou pelo continente. Toda vez que a Terra esfriava, as matas avançavam para o norte. Quando aquecia, recuavam. Nesse movimento, alguns trechos se mantiveram confinados em zonas de maior altitude. Isso explica a existência de algumas ilhas de araucária mais ao norte, como é o caso da Serra da Mantiqueira, no Sudeste.

A araucária brasileira, ou pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia), é apenas uma das 19 espécies existentes no mundo, todas no Hemisfério Sul. Duas vivem na América do Sul: além da nossa, há também uma espécie que cresce nos Andes centrais. As outras habitam o Pacífico Sul, sendo que 13 são endêmicas de apenas uma ilha, a Nova Caledônia. No Brasil, antes da ocupação humana, as matas de araucária chegaram a estender-se por 185 mil quilômetros quadrados. Na Região Sul, um terço da superfície estava coberto por araucárias.

Essas árvores começaram a tombar ainda na segunda metade do século 19. Por mais de cem anos, sua madeira de excelente qualidade, resistente e maleável, serviu para erguer casas, fabricar móveis, construir ferrovias e levantar cidades. “Todo o madeiramento de Brasília é de araucária”, diz o agrônomo Anderson Silveira, da Ecoserra. Havia, inclusive, forte incentivo governamental. Em 1963, o pinheiro representava 92% das exportações de madeira do país. Quando o corte foi integralmente proibido, em 2001, restavam 2% da cobertura original.

Os coletores de pinhão valem-se, em grande parte, de uma mata regenerada, que cresceu onde as antigas serrarias entraram em decadência. Convém recordar que, quando uma nova araucária brota, ela começa a produzir pinhas apenas a partir dos 14 anos. Caso seja mantida de pé, terá frutos para sustentar diversas gerações por cerca de 200 anos – em média, quarenta pinhas por ano. Além disso, a árvore ainda ajuda a regenerar a mata em volta: sua raiz de muitos metros aumenta a porosidade do solo e suas folhas, quando caem, fornecem uma capa orgânica que preserva a umidade da terra. Anderson explica: “Se tu quer recuperar uma nascente, é só plantar um monte de araucária em volta. Em quatro ou cinco anos, está brotando água de novo”.

Leia a matéria completa na National Geografic BR

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Governo do Paraná fará mapeamento das áreas de florestas no estado


Segundo o governo, objetivo é promover ações de sustentabilidade.
Setor floresta movimentou R$ 3,2 bilhões em 2010.


O governo do Paraná fará um novo mapeamento de todas as áreas de floresta do estado. De acordo com o governo, o objetivo é poder definir, em um segundo momento, ações de desenvolvimento sustentável. O levantamento deve incluir tanto as áreas nativas quanto as que foram plantadas para a extração de madeira.

Segundo a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Seab), o custo desse mapeamento pode chegar a R$ 1 milhão. Desse total, o governo já disponibilizou R$ 400 mil para o início dos trabalhos, que devem começar nos próximos dias.

O mapeamento deverá ser feito com um satélite, de acordo com a metodologia definida junto ao Serviço Florestal Brasileiro. Conforme o governo, essa medida evita o deslocamento de técnicos até as florestas, reduzindo o custo do trabalho.

Para o governo, a importância do trabalho se deve ao impacto do setor florestal na produção agropecuária. Em 2010, o setor, que é responsável também pela produção de madeira, movimentou R$ 3,2 bilhões.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Como o desflorestamento colabora com o aquecimento?


Depende do uso da madeira, e de onde estão as árvores


Foto: Cletus Awreetus / Creative Commons
Um novo estudo da Universidade da Califórnia-Davis fornece uma compreensão mais profunda dos complexos impactos globais da utilizacão das florestas sobre as emissões de gases estufa.

O estudo, publicado ontem na edição online da Nature Climate Change, relata que o volume de gases estufa liberados pela derrubada de uma floresta depende de como as árvores vão ser usadas, e em qual parte do mundo elas crescem.

Quando as árvores são derrubadas para criar produtos de madeira sólida, tais como o madeiramento de casas, elas mantêm seu carbono por décadas. Em contraste, quando a madeira é usada para bioenergia ou transformada em polpa de celulose, quase todo seu carbono é liberado na atmosfera.

“Nós descobrimos que, 30 anos depois da limpeza de uma floresta, entre 0 e 62 por cento do carbono dela pode permanecer armazenado,” disse o principal autor do estudo, J. Mason Earles, estudante de doutorado no Instituto de Estudo de Transportes da universidade. “Modelos anteriores assumiam em geral que o carbono era liberado imediatamente.”

Os pesquisadores analisaram como 169 países usam a madeira. Aprenderam que florestas temperadas encontradas nos EUA, Canadá e partes da Europa são derrubadas primariamente para uso em produtos de madeira sólida, enquanto que as florestas tropicais no hemisfério sul são mais usadas na produção de energia e papel.

“O carbono armazenado em florestas fora da Europa, EUA e Canadá, por exemplo, em países tropicais como Brasil e Indonésia, será quase totalmente perdido depois da derrubada,” afirma o estudo.

Estas descobertas têm implicações potenciais para os incentivos ao biocombustível. Se os EUA, por exemplo, decidirem incentivar colheitas de milho para etanol, outras menos lucrativas, como a soja, podem se mover para outros países. E estes países podem por isso ter de derrubar florestas. Onde estes países estão localizados e como a madeira de suas florestas irão ser usadas determinarão quanto de carbono será liberado na atmosfera.

Earles disse que o estudo fornece novas informações que podem ajudar os modelos de avaliação do Painel Intergovernamental Sobre a Mudança do Clima da ONU, informa o Physorg.

Fonte: José Eduardo Mendonça/ Planeta Sustentável


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Projeto de reflorestamento com eucalipto recebe Certificado de Carbono temporário


Foto: Oly.e300
Um projeto de reflorestamento no Brasil, o Plantar, tornou-se o primeiro no mundo a obter Certificados de Redução de Emissões temporários (tCERs, em inglês). Foram 4,1 milhões de créditos de carbono emitidos para a iniciativa na sexta-feira, 13 de abril, por meio da Organização das Nações Unidas (ONU).


O projeto já até possui comprador: o Fundo BioCarbon, administrado pelo Banco Mundial e composto por alguns governos europeus e grandes corporações emissoras de gases estufa situadas em países como o Japão.

O projeto Plantar gera CERs plantando eucalipto para suprir o uso de carvão vegetal na indústria de ferro e aço do Brasil, além dessas serem usadas como escoadouros de carbono. De acordo com os administradores, ao longo de 28 anos, a iniciativa diminuirá a concentração de CO2 na atmosfera em, aproximadamente, 12,8 milhões de toneladas. Desde 2001, o projeto é apoiado por fundos do Banco Mundial.

Para desenvolver o projeto, a Plantar Carbon utiliza uma área plantada de 11 mil hectares de eucalipto (de um total de 23 mil hectares). Uma das determinações do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) é que o reflorestamento aproveite metade da extensão dos locais de pastagens, no intuito de não estimular o desmatamento para esse fim. Com o tempo, a madeira que será formada originará o carvão vegetal, que por sua vez contribuirá para a produção siderúrgica de ferro-gusa.

Certificados

Para que as economias desenvolvidas possam se adequar às reduções dos Gases de Efeito Estufa (GEE's) foi criado, no âmbito do Protocolo de Kyoto, o MDL. Por meio dele, é possível obter as reduções certificadas de emissões, os chamados créditos de carbono, com projetos sustentáveis e comercializá-los no mercado internacional.

Os Certificados de Reduções de Emissões temporários são emitidos a projetos de reflorestamento enquadrados sob o MDL, para representar a não permanência desses tipos de atividades.

Há pouca demanda por esse tipo de crédito devido ao prazo de validade do certificado, que expira no fim do Protocolo de Kyoto (dezembro de 2012).
Fonte: EcoD

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