Paulo de Tarso Lara Pires, engenheiro florestal, advogado, é mestre em Economia e Política Florestal pela UFPR e doutor em Ciências Florestais (UFPR). Pós-doutorado em Direito Ambiental e Desastres Naturais na Universidade de Berkeley – Califórnia.
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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Aprovada MP que beneficia atingidos pela seca e enchentes



A MP (Medida Provisória) 587/2012 foi aprovada nesta quinta-feira (4/4), pelo Plenário do Senado. A matéria autoriza, para a safra 2011/2012, o pagamento de valor adicional aos beneficiários do Fundo de Garantia-Safra e um auxílio emergencial financeiro pela quebra desta nos municípios atingidos pela seca no Nordeste e pelas enchentes no Rio de Janeiro.

Um aumento nos benefícios foi incluído no texto em alteração na comissão especial mista. O aumento estava previsto na MP 603/2013, que foi editada posteriormente, mas o relator dela solicitou que o senador Jayme Campos (DEM-MT), que relatou a MP 587, fizesse a unificação do conteúdo das duas medidas provisórias, dando parecer pela prejudicialidade da 603.

Dessa forma, a MP 587 alterou os valores dos adicionais a serem pagos para R$ 520 e R$ 320 para o fundo e para o auxílio, respectivamente. Inicialmente a MP previa adicionais de R$ 280 e de R$ 160, respectivamente, para o Fundo de Garantia-Safra e para o auxílio emergencial. Os deputados aprovaram, também, uma emenda que beneficia os produtores de cana-de-açúcar, elevando o subsídio de R$ 5 para R$ 10 por tonelada de cana plantada até o máximo de 10 toneladas. A medida terá impacto financeiro de R$ 1,7 bilhões. O montante dos recursos que serão liberados é R$ 955 milhões.

Por ter sido alterada, a medida provisória segue agora para sanção presidencial.

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Mudanças climáticas ameaçam segurança alimentar das cidades


Relatório afirma que a imensa maioria das políticas para o suprimento de alimentos são destinadas a aumentar a produção nas zonas rurais e que os pobres em áreas urbanas estão tendo cada vez mais dificuldade para comprar comida

Segundo o Banco Mundial, os preços dos alimentos estão muito perto de seu pico máximo histórico, o que para as pessoas mais pobres, que gastam boa parte de seu orçamento em comida, significa que está bastante pesado manter sua família bem nutrida. Muitas políticas internacionais e nacionais já existem para tentar minimizar esse problema, mas para o Instituto Internacional para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (IIED) elas falham porque estão muito concentradas em apenas aumentar a produção e não em como trazer esses alimentos de forma mais barata para os habitantes das cidades.

“A segurança alimentar está de volta à agenda graças ao aumento dos preços e a ameaça que as mudanças climáticas representam para a produção agrícola. Mas políticas focadas apenas na produção rural não resolverão o problema de insegurança alimentar nas áreas urbanas. Precisamos de políticas que melhorem as condições de acesso à comida das pessoas mais pobres, especialmente nas cidades”, afirmou Cecilia Tacoli, autora do novo relatório do IIED sobre o tema.

O documento destaca a relação entre a baixa renda das comunidades com a segurança alimentar. Como a compra de comida já ocupa boa parte do orçamento, qualquer aumento de preço é imediatamente sentido. Assim, qualquer interrupção na produção, transporte ou armazenamento de alimentos, seja causada pelo clima ou não, tem um grande impacto na qualidade de vida das bilhões de pessoas que vivem nos bolsões de pobreza das cidades.

“A jornada que a comida faz desde o produtor rural até o consumidor urbano envolve muitos passos. Ela precisa percorrer sistemas formais e informais para ser distribuída, armazenada e vendida. Cada um desses passos é um ponto de vulnerabilidade diante das mudanças climáticas. Para os consumidores, isso significa aumentos súbitos de preços”, explicou Tacoli.

Segundo o relatório, comunidades urbanas carentes também sofrem com a falta de espaço e condições apropriadas para armazenar comida, o que faz com que o pouco que conseguem comprar acabe se estragando rapidamente. Assim, é praticamente impossível pensar atualmente em políticas de alertas sobre secas e enchentes com o objetivo de fazer essas pessoas estocarem alimentos.

Para piorar, as áreas pobres das grandes cidades são justamente localizadas nas regiões mais vulneráveis climaticamente, como encostas de morros. Dessa forma, é comum que as pessoas percam tudo a cada novo evento extremo e fiquem cada vez mais sem acesso à alimentação.

O relatório recomenda que os governos encarem esses desafios e criem políticas que protejam os mais pobres das áreas urbanas da insegurança alimentar. Investir em infraestrutura e dar acesso a todos aos mercados formais de venda de alimentos seriam as principais medidas a serem feitas. 

“As mudanças climáticas podem exacerbar os desafios enfrentados pelos mais pobres nas nossas cidades. Legisladores precisam tem um melhor entendimento do que significa ser pobre em uma centro urbano”, concluiu Tacoli.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Metade dos alimentos produzidos no mundo são desperdiçados, afirma relatório

Estima-se que serão três bilhões de bocas a mais
 para alimentar até o final do século.
Em todo o mundo são produzidos cerca de quatro bilhões de toneladas de alimentos por ano, porém 30% a 50% deste montante são desperdiçados. Esta é a estimativa do relatório britânico “Global Food; Waste not, Want not” (Alimentos Globais; Não Desperdice, Não Queira).

Produzido pela Institution of Mechanical Engineers, uma organização de engenheiros mecânicos, o documento afirma que o número de humanos atingirá um pico de cerca de 9,5 bilhões de pessoas até 2075. O que significa que serão três bilhões de bocas a mais para alimentar até o final do século.

A projeção, realizada com base nos dados das Nações Unidas, tem como fim apresentar as questões sociais, econômicas, ambientais e políticas que precisam ser abordadas hoje para garantir um futuro sustentável para todos.

O desperdício de alimentos acontece devido, principalmente, aos seguintes fatores: práticas inadequadas no armazenamento, colheita e transporte, assim como o desperdício nas prateleiras do mercado e pelo próprio consumidor.

O instituto também alerta sobre outras questões decorrentes dessa prática insustentável. “Grandes quantidades de terra, energia, fertilizantes e água também são perdidos na produção de gêneros alimentícios, que simplesmente acabam no lixo. Este nível de desperdício é uma tragédia que não pode continuar, se quisermos ter sucesso no desafio de atender nossas demandas de forma sustentável de alimentos no futuro”.

Para enfrentar o desafio, a instituição faz três recomendações: Que a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) trabalhe junto às comunidades ajudando em todas as fases da produção de alimentos; indica também que os governos em desenvolvimento incorporem em sua prática a minimização de resíduos na infraestrutura de transporte e de armazenamento e também que os já desenvolvidos implementem políticas que tornem o consumidor mais consciente e desencorajam os varejistas a realizarem práticas que levem ao desperdício. Para ler o relatório completo (em inglês) clique aqui. 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Global Team of 200: mães blogueiras X mudanças climáticas



A sociedade está mais conectada a cada dia. Novas ferramentas de mídia social surgem e se estabelecem, provocando grandes mudanças na estrutura do poder social. Cidadãos passam a gerar, individualmente, conteúdo e influenciar pessoas e decisões, a um custo praticamente nulo. Mas o que faz a informação ainda mais poderosa são as novas conexões, que envolvem ainda mais pessoas.

Pensando nisso, mães digitais se uniram para enfrentar problemas globais: as blogueiras da comunidade Mom Bloggers for Social Good*(Mães Blogueiras pelo Bem Social, em português), que reúne membros de 17 países – Brasil, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Índia, Espanha, Nigéria, Cingapura, Paquistão, Malásia, Austrália, Nova Zelândia, Bulgária, Peru, Jamaica, Filipinas e Holanda – se juntaram para discutir questões que envolvem mulheres e meninas, crianças, fome mundial e saúde materna: o Global Team of 200*.

Munidas com Tumblr, Twitter, Pinterest e Facebook, as blogueiras levantam temas urgentes, destacando a influência das mudanças climáticas sobre eles. O objetivo do grupo é mostrar como é possível trabalhar para adaptar e mitigar esses impactos por meio da educação, informação, manifestação e ação.

A cada mês, elas blogam a respeito de uma causa global diferente. Em setembro, quando a iniciativa foi lançada, as blogueiras escreveram a respeito da fome e de como ajudar crianças que passam por necessidades, divulgando informações da Oxfam, da Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância e do Programa Alimentar Mundial.

O lema do grupo é: “Individualmente, somos poderosos. Juntos, podemos mudar o mundo"

Fonte: Planeta Sustentável

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Mudanças climáticas e crise alimentar


Os desastres ambientais já estão provocando o início de uma crise alimentar no mundo contemporâneo, para a surpresa daqueles que pensavam que as mudanças climáticas eram um fenômeno que só iria afetar as futuras gerações.

O aquecimento global tem provocado efeitos climáticos extremos, como por exemplo, muita seca em algumas regiões e muita chuva em outras. Os Estados Unidos da América (EUA) e a China são as duas maiores economias do Planeta e os dois maiores produtores de alimentos do mundo. A Índia, a despeito da enorme pobreza, é um dos países que apresentam maior crescimento populacional e econômico nos últimos tempos. Os três países mais populososos do planeta estão sofrendo os efeitos das mudanças globais provocadas pelo aquecimento global, resultado da emissão desenfreada de gases poluentes de efeito estufa.

A seca nos Estados Unidos em 2012 deve repercutir em todo o mundo, pois a economia americana é responsável por quase metade das exportações mundiais de milho e boa parte das exportações de soja e trigo. O custo das carnes ainda não subiu porque, por enquanto, os rebanhos estão sendo abatidos aumentando a oferta, mas os preços provavelmente subirão até o fim do corrente ano. As chuvas excessivas na China tem reduzido a produção de alimentos, enquanto uma queda da precipitação provocadas pelas monções na Índia devem reduzir a produção mundial de arroz (a seca também tem sido severa no sertão nordestino do Brasil no corrente ano).

O índice de preços dos alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), embora em patamares elevados, vinha caindo ao longo do ano de 2012. Porém, as chuvas na China, as menores precipitações na Índia e a pior seca dos últimos 50 anos que atingiu os EUA provocaram a reversão das tendências, acelerando a tendência de aumento dos preços de alguns produtos agrícolas, devendo ter um impacto em outras commodities nos próximos meses. Há ainda a competição entre produção agrícola para a alimentação e para energia e biocombustíveis

No dia 09 de agosto, a FAO atualizou os dados para julho de 2012. O Índice de Preços dos Alimentos chegou a 213 pontos em julho de 2012, 12 pontos (6%) acima daquele do mês anterior, mas ainda abaixo do pico de 238 pontos atingido em fevereiro de 2011. O aumento atual ocorreu devido ao salto nos preços dos grãos e açúcar, com aumentos mais modestos de óleos e gorduras. Os preços internacionais da carne e produtos lácteos foram pouco alteradas até o momento, mas devem subir até o final do ano.

O Índice de preços dos cereais chegou na média de 260 pontos em julho, 38 pontos (17%) acima dos preços de junho e apenas 14 pontos abaixo do seu ponto mais alto (em termos nominais) de 274 pontos registrados em abril de 2008. Segundo a FAO, a grave deterioração das perspectivas de colheita de milho nos Estados Unidos, na sequência de condições de seca e calor excessivo, empurrou para cima os preços do milho em 23% em julho. Cotações internacionais do trigo também subiram (19%), em meio a uma piora das perspectivas de produção na Russia e aumento da demanda demográfica.

Portanto, os preços dos alimentos voltaram a apresentar uma tendência de alta, mesmo em uma situação de desaceleração da economia internacional. Este vai ser o grande desafio da segurança alimentar no século XXI: lidar com o aumento da demanda decorrente do aumento populacional e do crescimento da classe média mundial em um quadro de aumento do preço dos combustíveis fósseis e dos impactos negativos das mudanças climáticas provacadas pelo aquecimento global.

O aumento do preço dos alimentos foi um dos estopins da Primavera Árabe. Uma nova crise alimentar poderá ser a centelha de novas revoltas pelo mundo afora, especialmente entre as gerações jovens e desalentadas. Além disto, existem, globalmente, cerca de 1 bilhão de pessoas em situação de insegurança alimentar. O aumento do preço dos alimentos, num quadro de crise econômica na área do Euro e de desaceleração da economia global, pode provocar uma grande queda no padrão de vida da comunidade internacional, atingindo, principalmente, as camadas mais pobres e vulneráveis da população mundial. A alternativa milagrosa do crescimento econômico não é mais visto como uma panaceia, pois seus efeitos deletérios estão cada vez mais presentes.

Já o decrescimento econômico só seria benéfico para o meio ambiente e para a sociedade se viesse acompanhado de uma grande redução dos níveis de desigualdade e uma diminuição acentuada do consumo conspícuo das parcelas ricas do planeta. Mas uma recessão acompanhada de aumento do preço dos alimentos só vai aumentar o fosso que separa os incluidos e os excluidos da sociedade.

O fato é que o aumento das atividades antrópicas está provocando mudanças climáticas cada vez mais desastrosas. O diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa, James Hansen, disse para a BBC, que “A mudança climática está aqui e é pior do que pensávamos”. Ele disse que foi otimista, quando testemunhou diante do Senado americano, no verão de 1988, quando traçou “um panorama obscuro sobre as consequências do aumento contínuo da temperatura impulsionado pelo uso de combustíveis fósseis”. Segundo Hansen, que está cada vez mais pessimista, os verões de calor extremo registrados recentemente em diversos pontos do planeta provavelmente são resultado do aquecimento global.

Portanto, o efeito da interferência humana no clima pode provocar uma séria crise alimentar, como está indicando a tendência do índice de preço dos alimentos da FAO para julho de 2012. Atualmente a concentração de CO2 está em 390 partes por milhão (ppm), mas ultrapassando 400 ppm provocará secas ainda maiores. Portanto, é necessário reverter urgentemente o aquecimento do clima e do preço da comida.

Fonte: EcoDebate

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Mundo vai ter de aumentar produção de alimentos em 50%


Conclusão é de forum científico em Dublin

Foto: CGIAR Climate / Creative Commons
A questão da segurança alimentar foi uma das maiores preocupações de um importante fórum europeu de ciência realizado recentemente em Dublin, Irlanda.

Para alimentar a crescente população mundial, será necessário um enorme aumento de 50 por cento na produção de alimentos até 2050, disseram especialistas. A questão foi: como a humanidade conseguirá isto, se nem ao menos consegue alimentar 1 bilhão de pessoas que passam fome hoje?

Jonathan Jones, especialista em alimentos do Sainsbury Lab, em Norwich, Inglaterra, disse; “Uma agricultura melhorada pode fazer uma grande contribuição. O crescimento de população e consumo está colocando uma pressão sem precedentes sobre a agricultura e os recursos naturais. Hoje, cerca de um bilhão de pessoas estão cronicamente subnutridas enquanto nossos sistemas agrícolas estão degradando água, solos e biodiversidade, e o clima, em escala global. Para responder às necessidades do planeta, a produção de alimentos vai ter de crescer substancialmente, com uma queda dramática na pegada de carbono da agricultura.”

O estudo de Jones analisa soluções para este dilema, mostrando que um grande progresso poderia ser feito ao brecar a expansão agrícola, fechar “gaps de produção” em terras de baixo desempenho, aumentar a eficiência das colheitas, mudar dietas e, acima de tudo, reduzir o desperdício. “Juntas, estas estratégias podem dobrar a produção de alimentos e ao mesmo tempo reduzir grandemente os impactos ambientais da agricultura.”

Mesmo com os ganhos de produtividade da agricultura, revelou Jones, cerca de 1 em sete pessoas não tem acesso a alimentos e estão cronicamente subnutridas. A situação pode piorar como resultado da especulação de mercado, a expansão das colheitas de biocombustíveis e perturbações do clima. Ainda que resolvamos estes desafios de acesso a alimentos, será necessária uma produção muito maior. Estudos recentes sugerem que a produção teria de mais ou menos dobrar para atender o crescimento populacional projetado, com mudanças em dietas como menor consumo de carne.

A agricultura, lembrou Jones, “é agora uma força dominante por trás das ameaças ambientais, e isto inclui mudança do clima, perda de biodiversidade e degradação de solo e água.”

Até recentemente, disse ele, a comunidade científica não podia mensurar, monitorar e analisar as complexas ligações de agricultura e ambiente em escala global. “Hoje, no entanto, temos novos dados que caracterizam padrões e tendências globais em ambos. De acordo com a Organização para Alimentos e Agricultura da ONU (FAO), as colheitas cobrem 1.3 bilhão de hectares (ou cerca de 12 por cento da superfície livre do planeta), enquanto pastos cobrem outros 3.38 bilhões de hectares (ou 26 por cento). Isto compreende a terra mais adequada à agricultura. O resto é formado por desertos, montanhas, tundra, cidades, reservas ecológicas e outras terras não apropriadas.”

Estudos mostram que entre 1985 e 2005 os campos e pastos do mundo tiveram expansão de 154 milhões de hectares (cerca de 3 por cento). Mas este crescimento lento inclui expansão significativa nos trópicos, assim como pequena mudança ou decréscimo na zona temperada. O resultado é uma redistribuição bruta de terra tropical em direção aos trópicos, com implicações para produção de alimentos, segurança alimentar e ambiente.

A produção de colheitas no mundo aumentou substancialmente em décadas recentes. Um exame nos dados de colheitas mais comuns, que incluem cereais, oleaginosas, frutas e vegetais, mostra que a produção aumentou 47 por cento entre 1985 e 2005. No entanto, considerando todas as 174 colheitas rastreadas pela FAO, pesquisadores descobriram que a produção global delas cresceu apenas 28 por cento durante aquele período.

Este ganho de produção ocorreu com um aumento marginal de área plantada de 2.4 por cento, sugerindo um aumento de 25 por cento em ganho. No entanto, a área de plantio colhida aumentou em cerca de 7 por cento entre 1985 e 2005, quase três vezes a mudança em área de plantio, devido a colheitas múltiplas, menos colheitas ruins e menos terra alqueivada. Levando-se em conta o aumento de terra plantada, os ganhos globais de colheitas cresceram em apenas 20 por cento no período, substancialmente menos que os propagados 47 por cento , um indicador de que as colheitas não estão aumentando tão rápido quanto antes.

Descobriu-se também que a mensuração por agregado não revelou tendências em colheitas individuais ou grupos delas. As colheitas de cereais, por exemplo, diminuíram em área plantada em 3.6 por cento, mas a produção total cresceu em 29 por cento, refletindo um ganho de 34 por cento nestes hectares. As colheitas de oleaginosas, por outro lado, mostraram grandes aumentos tanto em área plantada (43 por cento) quanto produtividade (57 por cento), resultando em um aumento de 125 por cento na produção total. A maioria das outras colheitas mostraram ganhos no período, mas não as de forragem, com queda de produção de 18 por cento.

Outro ponto importante notado foi a alocação de colheitas para propósitos não-alimentares humanos, como alimentação de rebanhos, bioenergia e outros produtos industriais, o que afeta o total de alimentos disponíveis no mundo. Globalmente, apenas 62 por cento da produção é alocada para uso humano, versus 35 para uso de animais, que indiretamente produzem alimento humano, e 3 por cento para bioenergia e outros produtos industriais.

Revelou-se também a existência de chocantes disparidades entre regiões que primariamente plantam colheitas para consumo humano direto e as de plantio para outros usos. A América do Norte e a Europa devotam cerca de apenas 40 por cento de suas colheitas à produção direta de alimentos, enquanto que esta alocação na África e Ásia é tipicamente de 80 por cento. Os extremos vão do alto Meio Oeste americano, com menos de 25 por cento, ao sul da Ásia, com mais de 90 por cento, informa a Scientific American.

Fonte: Planeta Urgente

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