Paulo de Tarso Lara Pires, engenheiro florestal, advogado, é mestre em Economia e Política Florestal pela UFPR e doutor em Ciências Florestais (UFPR). Pós-doutorado em Direito Ambiental e Desastres Naturais na Universidade de Berkeley – Califórnia.
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Novo índice mundial calcula saúde dos oceanos



Indicador aponta quais são os países que têm a melhor e a pior qualidade marinha, baseado em critérios como oferta de alimento, proteção ecológica, contribuição para mudanças climáticas e biodiversidade; Brasil marcou 62 pontos de 100

Os oceanos tem um papel essencial para o ser humano, fornecendo alimentos, biodiversidade, empregos e até lazer. Mas como está a saúde dos oceanos pelo mundo? É essa pergunta que uma nova análise publicada nesta quarta-feira (15) pelo periódico Nature tenta responder. E, os resultados, segundo o estudo, não são muito positivos: da escala de 100 pontos, a média mundial dos oceanos não passou de 60.

A nova pesquisa, intitulada Ocean Health Index (Índice de Saúde dos Oceanos), classifica os mares de acordo com os benefícios que eles geram ao meio ambiente e ao ser humano. 

Os dez critérios de qualificação são fornecimento de alimentos; oportunidades de pesca artesanal; produtos naturais; estocagem de carbono; proteção costeira; meios de subsistência e economia costeira; turismo e recreação; proteção de espécies e locais; águas limpas; e biodiversidade.

Em média, os oceanos mundiais marcaram 60 pontos, que variaram de 36 a 86. Entre os critérios mais bem pontuados estão oportunidades de pesca artesanal, biodiversidade, estoque de carbono e meios de subsistência e economia costeira. Entre os piores, estão turismo e recreação, fornecimento de alimento e produtos naturais.

A área que teve a melhor classificação foi a ilha Jarvis, uma pequena região desabitada no sul do Oceano Pacífico que marcou 86 pontos. Já o local com pior pontuação foi Serra Leoa, com 36 pontos. O Brasil, com 62 pontos, ficou em 35o lugar, ao lado da Ucrânia e das Antilhas Holandesas.

Em geral, os países desenvolvidos tiveram uma pontuação melhor do que os países emergentes. Segundo a avaliação, isso ocorre porque apesar de muitas vezes as nações ricas sobreexplorarem seus mares, elas têm capital para investir em políticas de proteção e conservação, o que ocorre menos frequentemente nos  países subdesenvolvidos.

“Muitos países do oeste africano, Oriente Médio e América Central fizeram poucos pontos comparados a países ricos europeus ou como o Canadá e a Austrália”, afirmou a análise.

Países ricos como a Alemanha e a Holanda tiveram notas relativamente boas, marcando 73 e 70 pontos, respectivamente. No geral, entretanto, a situação não é muito otimista: dos 171 países, apenas 5% marcaram mais do que 70 pontos, e 32% marcaram menos do que 50.

Os autores do estudo descobriram que, dos dez critérios, cinco tiveram pioras, mas apesar disso, eles consideram que há boas notícias em relação à saúde dos mares.

“Pouquíssimos países fizeram muito para proteger espécies. Estamos vendo restauração dos habitats e muitos países estão começando a implementar uma gestão mais eficiente da pesca. Algumas coisas estão definitivamente indo bem”, comentou Benjamin Halpern, ecologista marinho do Centro Nacional para Análise e Síntese Ecológica dos EUA.

“Isso mostra que há grande espaço para melhorar. Apesar do sucesso de muitos países desenvolvidos em administrar sua pesca, a alimentação global sustentável está muito abaixo do que poderia ser feito se os estoques fossem obtidos mais sustentavelmente e se a produção da maricultura sustentável fosse aumentada”, alertaram os cientistas.

Por fim, os pesquisadores observaram que o índice é uma ferramenta importante para aumentar a consciência pública sobre a situação dos oceanos, a administração direta de seus recursos, melhorar as políticas de proteção e priorizar as pesquisas científicas.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Banco Mundial anuncia aliança para salvar os oceanos

Instituição promete ao menos US$ 300 milhões para ajudar a montar esforço global


Nascer do Sol junto ao arquipélago de Wakatobi, na Indonésia: é preciso estabelecer valor para recursos e serviços ambientais prestados pelos oceanos

O Banco Mundial anunciou nesta sexta-feira a criação de uma aliança mundial para melhor gerenciar e proteger os oceanos do planeta, sob a ameaça da pesca exagerada, poluição e mudanças climáticas. O presidente da instituição, Robert Zoellick, lembrou que os mares são o sangue da vida da Terra e da economia global, mas sofre com a superexploração, costas degradadas e seus corais e recifes estão em risco.
- Precisamos de um novo SOS: salvem nossos mares (em inglês, “save our seas”) - pediu durante conferência sobre a conservação dos oceanos em Cingapura.
Segundo Zoellick, a ideia é unir países, centros científicos, organizações internacionais e não governamentais, fundações e o setor privado em um parceria ampla. Já o Banco Mundial auxiliaria o esforço com seus já existentes programas de apoio à preservação dos oceanos e na obtenção de financiamento, ajudando a desenvolver um mecanismo para dar um valor aos benefícios fornecidos pelos mares. A princípio, a instituição comprometeria pelo menos US$ 300 milhões na formação da aliança.
- Mas trabalhando com os governos, a comunidade científica, a sociedade civil e a iniciativa privada, pretendemos levantar até US$ 1,2 bilhão para apoiar o uso sustentável dos oceanos – acrescentou.
Milhões de pessoas dependem dos oceanos para trabalhar e se alimentar e essa dependência vai crescer a medida que o mundo caminha para uma população de 9 bilhões de pessoas, o que destaca a necessidade de seu melhor gerenciamento. De acordo com Zoellick, um dos principais focos para isso é compreender o valor total das riquezas e dos serviços ambientais prestados por eles. Os oceanos são a principal fonte de oxigênio do planeta, ajudam a regular o clima e as suas formações costeiras protegem áreas povoadas de tempestades e outros desastres naturais, benefícios geralmente tidos como certos.
- Qualquer que seja o recurso, é impossível montar um plano para gerenciá-lo e desenvolvê-lo sem saber o seu valor – destacou o presidente do Banco Mundial.
Outro objetivo da aliança é ajudar a reconstruir os estoques pesqueiros do planeta, já que cerca de 85% das áreas de pesca dos oceanos estão classificadas como totalmente exploradas, superexploradas ou até mesmo esgotadas.
- É preciso aumentar os ganhos líquidos da pesca para entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões anuais. Atualmente, estimamos que a indústria pesqueira opera com um prejuízo econômico de US$ 5 bilhões por ano – indicou Zoellick.
Fonte: O Globo

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