Paulo de Tarso Lara Pires, engenheiro florestal, advogado, é mestre em Economia e Política Florestal pela UFPR e doutor em Ciências Florestais (UFPR). Pós-doutorado em Direito Ambiental e Desastres Naturais na Universidade de Berkeley – Califórnia.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Meio Ambiente: sobram discursos, faltam ações



Por Edson Luiz Peters 
Promotor de Justiça de Proteção ao Meio Ambiente de Curitiba



Mais uma vez o Brasil é palco do maior evento e do mais importante fórum de meio ambiente do planeta: a Rio + 20.

As Nações Unidas e o Governo brasileiro se mobilizam e se articulam para receber comitivas e Chefes de Estado de mais de uma centena de Nações do Mundo para avaliar os resultados e projetar o futuro da Economia Verde no contexto da erradicação da pobreza e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.

Vale a pena perguntar: o que mudou após a festejada Rio 92, a Convenção do Rio de Janeiro para o Meio Ambiente e Desenvolvimento? 

É verdade que a questão ambiental passou a ser mais debatida e criou-se até um Partido Verde no Brasil. As universidades incluíram o tema em seus programas acadêmicos, criaram novos cursos de graduação e programas de pós-graduação voltados para o desafio da sustentabilidade. É verdade que as empresas adotaram Politicas, Planos e Programas em busca do desenvolvimento limpo. 

A sociedade civil passou a se movimentar mais e o Estado tomou mais iniciativas ao invés da postura meramente reativa.

Porem é preciso mais para mudar a rota do “crescimento acima de tudo”. Não basta exigir licenciamento ambiental e fechar o cerco da fiscalização, com alguém já pensou no passado.

Um dos temas da Conferencia Rio+20 é a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. Neste eixo cabem algumas reflexões sobre a realidade institucional ambiental brasileira.

Ainda existe a ideia de que preservar é papel do Estado através de seus aparatos fiscalizadores e repressores. Ainda o modelo de comando e controle é preponderante sobre as poucas iniciativas de estimulo e compensação, que podem premiar os conservadores da natureza.

Mais de 90% da legislação ambiental é restritiva, impeditiva, proibitiva e repressora e, ainda que fosse aplicada, traria poucos resultados na busca do equilíbrio ambiental.

O pagamento ou compensação pelos serviços ambientais prestados pela natureza ainda é tímido neste 3º milênio, cujas metas não saíram do papel. A fiscalidade ambiental é instrumento eficaz de preservação, ainda que pouco usado pelo poder público.

A transferência de potencial construtivo das áreas verdes preservadas nas cidades é muitas vezes inviabilizada pelos governantes locais que se deixam iludir com a perspectiva de arrecadar recursos de forma rápida e aparentemente fácil através da venda em bolsas de valores.

O sistema tributário é injusto com os Municípios, que acabam cedendo à pressão imobiliária e dos grupos econômicos e autorizam obras e atividades incompatíveis com o desenvolvimento sustentável.

O financiamento das campanhas pelo capital privado gera permissividade e promiscuidade que reflete no afrouxamento da fiscalização ambiental e na facilitação da concessão de autorizações e licenças.

A partidarização politica dos órgãos ambientais, que tem seus dirigentes indicados pela coligação que ganha a eleição, retira a independência de nossas frágeis agencias ambientais.

O jogo econômico se impõe sobre tudo e sobre todos como se fosse a única urgência. É verdade que numa Nação onde não se garantem os direitos de primeira geração (alimento, trabalho, moradia digna, educação, renda, saneamento e saúde publica) é difícil exigir que se respeitem direitos e deveres de 3ª geração, como é o caso do direito ao ambiente equilibrado, respeito ao consumidor, etc.

Analisando a história recente, a questão ambiental no Brasil foi reduzida ou apequenada entre dois extremos: a agropecuária, o agronegócio, de um lado, e os ambientalistas do outro. É um debate pobre, ideológico e sem perspectiva de evolução. Há uma miopia que impede os avanços rumo à sustentabilidade.
É o pior exemplo dos últimos tempos: o fraco debate do novo Código Florestal brasileiro que despreza o papel das florestas na manutenção do ciclo da água e outros tantos aspectos relevantes. Apesar de tantas terras ociosas neste imenso território brasileiro, ainda se quer atribuir ao meio ambiente a baixa produtividade agrícola, os prejuízos da agricultura e falta de investimento em novas tecnologias.

Lamentavelmente o meio ambiente virou o bode expiatório de muitos empreendedores e produtores no Brasil, que passam a olhar o movimento ambiental como inimigo do desenvolvimento. No outro extremo há ambientalistas quer perderam o senso da razoabilidade.

Falta pesquisa, aplicação do conhecimento cientifico e visão de futuro para ambas as partes que polarizam o debate.

É importante lembrar que a questão ambiental é muito maior e mais complexa do que se viu no Congresso Nacional. Transformou-se numa questão de segurança nacional diante de tantos desastres naturais e tantos prejuízos humanos e materiais que isso tem trazido para a Nação brasileira. 

Não há economia que resista a tantas perdas impostas pela degradação e poluição que compromete o futuro da Nação.

Não há bem maior que as nossas riquezas naturais, nossa biodiversidade e nossa soberania ambiental, capazes de garantir um futuro digno para as futuras gerações. Talvez seja esta a principal missão das Forças Armadas no presente e no futuro.

A legislação ambiental não evolui na mesma proporção das necessidades de mudança, eis que continua promovendo divórcios entre o homem e a natureza, como se não fosse possível conciliar o desenvolvimento com a preservação.

Há um diferencial de ritmo. O Estado regulador não alcança o Mercado e a velocidade da economia ultrapassa de longe os meios de controle e a fiscalização dos órgãos ambientais.

O padrão de consumo impulsionado por medidas de politica econômica do Governo Federal torna cada dia mais insustentável o modelo de crescimento acelerado adotado por aqui.

O Ministério Público consegue compensar parte desta fragilidade das agencias ambientais, que não raras vezes cedem diante da pressão de grupos econômicos e políticos. Mas nem sempre as Promotorias de Justiça de Proteção ao Meio Ambiente chegam a tempo e raramente tem estrutura para dar conta da demanda crescente.

As Delegacias de Policia de Proteção Ambiental tem um papel muito mais simbólico que efetivo, pois carecem de estrutura humana e material mínima para o desempenho das funções. Os Batalhões Ambientais sofrem igualmente com a carência de recursos tecnológicos e humanos para bem exercer seu complexo mister.

Entre leis fortes e agencias fracas sobram discursos elaborados e apaixonados e faltam ações capazes de converter em realidade os bonitos preceitos constitucionais.

Como resultado direto aumenta a demanda judicial na área ambiental e dificilmente existem técnicos na estrutura do Judiciário para a necessária assessoria neste campo. Tramitam as ações civis publicas sem prioridade e misturadas na mesma agenda com milhares de ações de natureza individual e patrimonial. 

No entanto, pode-se afirmar que existe mais informação, mais debate, mais cursos e mais Ciência sobre as questões ambientais. Porem, estamos longe de ter uma população educada e ambientalmente alfabetizada. 
A consciência ambiental só se forma com educação. A maioria ainda tem a falsa impressão de que não pode fazer nada, se sente pequeno diante da grandeza do problema. Aí reside o engano: as verdadeiras mudanças e inovações ocorrem a partir das ideias e iniciativas individuais e locais. Dificilmente teremos soluções vindas das organizações globais, das grandes conferencias ou dos governos nacionais.

Definitivamente a questão ambiental ainda não é popular e não ocupa os primeiros lugares entre as preocupações dos governos, das empresas e da sociedade.

Apesar de todas as evidencias de que estamos no caminho errado ainda nos permitimos deixar para amanhã ou para a próxima geração, pois sempre há uma crise que parece maior e mais urgente que a crise ambiental.




segunda-feira, 4 de junho de 2012

Mercado voluntário de carbono alcança US$ 576 milhões


Ferramenta que facilita o investimento em ações de redução de emissões de gases do efeito estufa registrou em 2011 o maior valor de transações nos últimos três anos


 Apesar da crise econômica que assola a Europa e que está freando até o crescimento dos países emergentes, os resultados do mercado voluntário de carbono em 2011 surpreenderam e demonstram o maior interesse corporativo por iniciativas climáticas.

De acordo com o relatório State of the Voluntary Carbon Markets 2012, as transações de créditos de carbono no mercado voluntário em 2011 somaram US$ 576 milhões, ficando atrás somente do número alcançado em 2008, US$ 776 milhões.

Os compradores corporativos dominaram o mercado, contribuindo com US$ 368 milhões, cerca de 65%. A maioria das transações foi originada na Europa, porém o relatório reconhece o crescimento do interesse de empresas norte-americanas pelos créditos voluntários.

Imagens: Divisão no mercado voluntário por tipo
 de projeto e por países compradores / Ecosystem Marketplace 
“A demanda tem se mantido forte mesmo com as condições econômicas desafiadoras. Os compradores corporativos estão realmente interessados em créditos de carbono e em ações de neutralização”, afirma Jamal Gore, diretor da Carbon Clear, empresa que patrocinou o relatório.

Os projetos de energia renovável foram os mais populares no ano passado, gerando 45% de todos os créditos comercializados. O setor eólico aparece como o grande dominante, respondendo por 30% do total do mercado.

O relatório também registra o aumento da participação de projetos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), alcançando 9%. Créditos com a combinação de padrões VCS e CCB são os mais populares, transacionando 2,8 MtCO2e em 2011.

“O State of the Voluntary Carbon Markets destaca o contínuo aumento da maturidade do mercado voluntário, o que, diante da atual crise no mercado compulsório, fica ainda mais louvável. A amplitude e a qualidade dos créditos disponíveis estão melhores do que nunca, em parte graças à evolução dos padrões e das inovações nas metodologias”, declarou Gore.

Brasil

Entre as nações latino-americanas, o Brasil segue sendo dominante, com o maior volume de geração de créditos, 5,7 MtCO2e. Os projetos estariam sendo estimulados pelo aumento do número de compradores no próprio mercado interno brasileiro.

Outra boa notícia para os desenvolvedores brasileiros é que os créditos com padrão VCS combinado com a certificação de Carbono Social aumentaram sua participação no mercado em 81%. Essa combinação é a mais utilizada por projetos de biomassa ou de substituição de combustíveis fósseis no Brasil.

Apesar de o relatório apontar que as políticas para o mercado voluntário têm sido aplicadas lentamente na América Latina, algumas iniciativas já chamam a atenção, como as do estado do Rio de Janeiro, que lançou a Bolsa Verde do Rio e prepara para a conferência Rio+20 o anúncio de um mercado de carbono propriamente dito.

Outra promessa que pode significar um grande salto nos números nacionais é a inclusão dos créditos florestais do Acre no mercado de carbono da Califórnia.

“O diálogo entre o governo californiano e os estados do Acre, no Brasil, e de Chiapas, no México, sobre criar um programa de REDD que funcione no mercado da Califórnia, tem acontecido. Porém, apesar desses sinais promissores, atualmente a diretoria do California Air Resources está apenas considerando essas opções e provavelmente não veremos o REDD na ferramenta antes do segundo período de compromissos (2015)”, afirmou Derik Broekhoff, vice-presidente de políticas do California Air Resources.

Fonte: Instituto Carbono Brasil

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Paraná lidera operações do Programa de Agricultura de Baixo Carbono


O Paraná é o estado com maior número de pedidos de financiamento aprovados na atual safra pelo Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que o governo federal lançou em 2010 para incentivar a adoção de técnicas agrícolas sustentáveis. No atual ano agrícola (julho 2011/julho 2012), foram financiados 457 contratos no Estado, no valor total de R$ 122 milhões. Depois do Paraná, o estado com maior número de contratos é Minas Gerais, com 424.

O valor total previsto para o programa na atual safra é de R$ 3,5 bilhões. De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, embora o Paraná não seja líder em valor liberado – posição que, segundo o Banco do Brasil, cabe a São Paulo –, o expressivo número de propostas aprovadas mostra que a ideia de promover uma agricultura sustentável começa a se disseminar no Estado. 

A maior parte dos financiamentos no Paraná foi direcionada para recuperação e reforma de pastagens, plantio direto na palha, plantio de florestas comerciais, que são práticas previstas em programas de agricultura sustentável. Também foram financiados projetos de tratamento de dejetos animais.

A elevada adesão de produtores paranaenses ao Programa ABC é atribuída à tradição do Estado como tomador de crédito rural e à qualificação dos profissionais de ciências agrárias e florestais que orientam os produtores. 

Além disso, a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento promoveu a articulação com 13 instituições dos setores público e privado, que passaram a integrar um grupo gestor do Programa ABC. O programa tem como diretriz a implementação de uma agricultura com balanço positivo de carbono, proporcionando estabilidade e incremento na produção de alimentos.

FINANCIAMENTO – Para o secretário da Agricultura, Norberto Ortigara, o Plano ABC traduz um novo jeito de fazer agricultura, com tecnologia e sem grandes impactos no meio ambiente. Segundo ele, o programa representa uma oportunidade que os produtores devem aproveitar, já que as condições de financiamento – disponível no Banco do Brasil – são atrativas.

Os financiamentos têm taxa de 5,5% de juros ao ano e prazo de pagamento de até 15 anos, dependendo da finalidade. O secretário lembrou que no Paraná o programa ABC é concentrado na recuperação de pastagens e na disseminação das boas práticas de agricultura sustentável, como a integração lavoura, pecuária e floresta.

Com as linhas de financiamento do programa ABC, o Paraná conseguiu vitalizar também outros programas, como os de conservação de solos e água em microbacias, plantio direto com uso de palha e plantio de florestas, fomentados pelo governo do Estado. Também foi estimulada a adesão ao Pronaf Eco, linha de crédito que financia iniciativas de produção de energias renováveis e implantação de outras tecnologias ambientais. 

MUDANÇA – O secretário Ortigara observa que o desenvolvimento sustentável requer conscientização por parte dos agricultores. “Não é simples convencer o agricultor ou pecuarista de que o que ele fazia há muitos anos agora não é mais recomendável”, afirma. Segundo ele, a única forma de promover mudanças é por meio da capacitação. Por isso, em parceria com os estados, o Programa ABC investe na capacitação e educação de técnicos e produtores.

As empresas vinculadas à Secretaria da Agricultura participam do processo com pesquisas, assistência técnica e extensão rural, propiciando aos produtores rurais o acesso a tecnologias de baixa emissão de carbono. As instituições da iniciativa privada que atuam no programa ABC colaboram para a implementação das medidas. O Sistema Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), por exemplo, comprometeu-se a financiar 50% dos custos dos cursos de qualificação para os técnicos e 100% dos custos dos cursos de qualificação dos produtores.

Dentro do programa ABC, o Banco do Brasil financia também sistemas orgânicos de produção; sistemas integrados de lavoura, pecuária e floresta; florestas comerciais; recomposição de áreas de preservação permanente ou de reserva legal.

Fonte: AEN

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Top WordPress Themes