Paulo de Tarso Lara Pires, engenheiro florestal, advogado, é mestre em Economia e Política Florestal pela UFPR e doutor em Ciências Florestais (UFPR). Pós-doutorado em Direito Ambiental e Desastres Naturais na Universidade de Berkeley – Califórnia.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Interesses econômicos atravancam novo acordo

Confira abaixo, a entrevista de Paulo de Tarso de Lara Pires, cedida ao jornal Gazeta do Povo no dia 07 de dezembro de 2011.



EUA, crise europeia e críticas feitas pelo Japão e pela Rússia indicam que uma renovação do Protocolo de Kyoto é improvável.


Mesmo com a China demonstrando disponibilidade em assinar um tratado sobre a emissão de carbono, ainda é incerta a continuidade do Protocolo de Kyoto, assunto mais importante da Conferência sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (COP-17), que ocorre em Durban, África do Sul.

Estados Unidos e China, responsáveis por quase metade da emissão de carbono no mundo, são os protagonistas do impasse para a aprovação de uma renovação ou redefinição do Protocolo de Kyoto. As duas potências trazem a reboque outros países como Canadá, Japão e Rússia.

“A afirmação do Ministro do Meio Ambiente do Canadá, Peter Kente, de que: ‘Kyoto está no passado’, causou indignação logo nos primeiros dias da Confe­­rência entre defensores da continuidade do Tratado”, diz o especialista em legislação ambiental, Paulo de Tarso Pires, da Univer­­sidade Federal do Paraná (UFPR), que já participou de outras edições do evento. Ele acrescenta: “Isso retrata bem a posição de países como Japão e Rússia que já se pronunciaram desfavoravelmente a um segundo período de compromisso”. Ele também não acredita em uma posição mais firme da União Europeia quanto a um novo acordo por causa da crise econômica que está enfrentando.

No início desta semana, a delegação chinesa que participa da COP-17 manifestou a possibilidade de adesão se os países desenvolvidos se comprometerem a providenciar financiamento. Enquanto isso, os EUA exigem o oposto, que nenhum dos países signatários precise contribuir com mais dinheiro que outros.

Malu Nunes, diretora-executiva da Fundação Grupo Boti­­cário de Proteção à Natureza, está participando da conferência como observadora e ressalta que um consenso só será possível se os países passarem por cima dos interesses próprios. “Esse acordo é necessário, não importa as justificativas que cada um apresente”, diz Malu. Ela lembra que alguns acordos que foram feitos no COP-16, no ano passado, ainda não tiveram muitos efeitos práticos. “Precisamos de planos concretos de proteção das florestas, isso precisa avançar e ser colocado legalmente”.

Pires argumenta que a pressa em estabelecer medidas para conter o máximo possível as mudanças climáticas se justifica pelo relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), que adverte que se, em cinco anos não forem tomadas providências firmes, as mudanças no clima podem se tornar incontroláveis. “O aquecimento global já é uma realidade e, por mais que alguns céticos queiram afirmar o contrário, a Europa tem tido nos últimos anos os verões com as temperaturas mais altas dos últimos cinco séculos”, alerta o pesquisador.

À margem

Para o Brasil, um dos aspectos mais relevantes a serem debatidos na COP-17 é a Redução de Emissões provenientes de Des­­florestamento e Degradação (REDD). “As discussões vêm ocorrendo de forma marginal, mas despertam grande interesse em pesquisadores e integrantes de organizações não governamentais dedicados à conservação das florestas no mundo”, diz Pires, que atualmente está fazendo pós-doutorado em Direito Am­­biental na Universidade de Ber­­keley, nos Estados Unidos.

Representantes da Fundação O Boticário, com sede no Paraná, participam como observadores no COP-17. A equipe executiva e de técnicos da Fundação vai apresentar o projeto Oásis em um workshop que faz parte da programação paralela da conferência. “Trabalhamos com pagamento por serviços ambientais ao reconhecer financeiramente os esforços de proprietários de terra para conservar o ecossistema onde produzem”, explica a diretora-executiva da Fundação sobre a iniciativa.



Mudanças

Ricos e pobres cobram responsabilidade mútua

O Grupo dos 77 e a China, que abarca 130 países em desenvolvimento, pediu ontem ações firmes dos países ricos na luta contra as mudanças climáticas, enquanto a Europa pediu uma contrapartida dos grandes emergentes, durante a Conferência Climática das Nações Unidas, realizada em Durban, África do Sul.

“São necessários esforços significativos e ambiciosos para elevar o nível de ambição dos compromissos – de redução de emissões nocivas ao clima – dos países desenvolvidos”, afirmou o vice-chanceler argentino, Alberto Pedro D’Alotto, em nome do G77, após a abertura do segmento de alto nível das negociações climáticas, que termina sexta-feira.

“Pedimos aos países desenvolvidos que mostrem que estão assumindo a liderança” nas ações contra as mudanças climáticas, disse D’Alotto. O G77 exige, para o avanço das negociações em Durban, que os países ricos renovem seus compromissos no Protocolo de Kyoto, único instrumento legalmente vinculante que estabelece cortes de emissões a algumas nações desenvolvidas e cuja vigência termina em 2012. Também pede “compromissos comparáveis” dos países não signatários de Kyoto, como os Estados Unidos.

O grupo, presidido pela Argentina, quer ainda que sejam efetivados os recursos e o financiamento para a ajuda aos países em desenvolvimento para enfrentar os flagelos das mudanças climáticas. “Somos os que mais sofremos com os impactos adversos das mudanças climáticas”, lamentou o vice-chanceler argentino.

Em nome dos 27 países da União Europeia, a comissária do Clima Connie Hedegaard pediu o compromisso de “todas as maiores economias” do mundo na luta contra as mudanças climáticas e destacou que a participação dos países ricos nas emissões globais está “caindo rapidamente”.

A Europa se ofereceu sozinha para renovar o Protocolo de Kyoto, mas as emissões europeias “só representam 11% do total”, disse a comissária europeia, pedindo o compromisso de “outros que se somem a nós em um novo marco legal vinculante” e definir quando o fariam.

AFP

Leia matéria original no jornal Gazeta do Povo

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Picos mais altos do mundo são muito vulneráveis às mudanças climáticas



Os resultados da avaliação mais abrangente - até hoje escrita - sobre a região do Himalaia, que abriga os picos mais altos do mundo, incluindo o Monte Everest, indicam que a região é particularmente vulnerável à elevação da temperatura que perturba o equilíbrio de neve, gelo e água, ameaçando 1,3 bilhão de pessoas que vivem ao longo das principais bacias hidrográficas da Ásia.

Segundo David Molden, diretor-geral do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD) situado em Kathmandu, "Precisamos conhecer a intensidade da mudança climática nas montanhas, com uma intensidade igual à vontade de mitigar e se adaptar aos impactos”.

As descobertas, publicadas em três relatórios, na ocasião do “Dia da Montanha” são a avaliação mais completa realizada até hoje sobre as mudanças climáticas, a neve e o degelo na região do Himalaia, na Ásia.

"Esses relatórios fornecem uma nova base e informações específicas de localizações para um entendimento sobre a mudança climática em um dos ecossistemas mais vulneráveis ​​do mundo", disse o Dr. Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). "Eles substancialmente aprofundaram nossa compreensão desta região - e de todos os sistemas montanha - ao mesmo tempo, apontaram as lacunas de conhecimento ainda a ser preenchidas e as ações que devem ser tomadas para lidar com o desafio da mudança climática global e para minimizar os riscos de impactos localmente."

As pesquisas também representam os primeiros dados confiáveis sobre o número e a extensão das geleiras e os padrões de precipitação de neve na região mais montanhosa do mundo.

"A região Hindu Kush-Himalaia (HKH) é como um gigante gentil. Enquanto é fisicamente imponente, é uma das áreas ecologicamente mais sensíveis do mundo", disse Molden.

A região oferece meios de subsistência para 210 milhões de pessoas e indiretamente proporciona bens e serviços para o 1,3 bilhão de pessoas que vivem em bacias hidrográficas a jusante e que se beneficiam de alimentos e energia.

Rico em biodiversidade, a região é o lar de 25 mil espécies de plantas e animais, e contém uma diversidade de tipos de floresta maior do que a Amazônia.

A região HKH hospeda 30% das geleiras do mundo, e tem sido chamada como o Terceiro Pólo, mas ainda há poucos dados sobre essas geleiras. Com informações do ICIMOD.

Fonte: Ciclo Vivo

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Criação de reservas naturais em Curitiba ganha incentivos com nova lei

Lei prevê a redução de custos e burocracia, além da concessão de potencial construtivo, para incentivar a formação de reservas particulares. Curitiba já possui quatro reservas desse tipo

Uma nova lei municipal de Curitiba normatizou a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural Municipal (RPPNMs). As mudanças incluem a redução de custos e burocracia no processo e preveem a concessão de potencial construtivo como forma de incentivar donos de imóveis a transformarem suas áreas em reservas.

Atualmente, Curitiba já possui quatro reservas e outros 19 pedidos estão sendo encaminhados. De acordo com a Comissão de Urbanismo da Câmara de Vereadores, a capital possui cerca de mil imóveis que poderiam ser transformados em reservas.


Mudanças

As alterações feitas na lei desburocratizam parte do processo, evitando a apresentação de documentos desnecessários nos processo de criação das reservas. Além disso, está previsto a transformação de áreas com menos de 70% de vegetação nativa em reserva, desde que já possua 60% da área e firme um compromisso com um plano de manejo. A subdivisão de imóveis para a criação de reservas só será autorizada em casos especiais.

O proprietário que se dispuser a transformar seu imóvel em uma reserva terá isenção de taxas municipais no processo de criação e prioridade de analise dos processos. Já a concessão de potencial construtivo será regulamentada e pode ser renovada periodicamente. O cálculo do potencial não vai levar em conta uma eventual depreciação no valor do terreno por causa da área de preservação. Os locais serão fiscalizados periodicamente e os proprietários poderão implantar edificações no terreno para fins de turismo, educação ambiental ou para moradia, desde que conste no plano de manejo.

Fonte: Gazeta do Povo

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