Paulo de Tarso Lara Pires, engenheiro florestal, advogado, é mestre em Economia e Política Florestal pela UFPR e doutor em Ciências Florestais (UFPR). Pós-doutorado em Direito Ambiental e Desastres Naturais na Universidade de Berkeley – Califórnia.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Economia verde opõe países ricos aos emergentes




A divergência entre priorizar crescimento econômico ou proteção ambiental marcou a reunião ministerial da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na semana passada, e ilustrou um confronto entre países ricos e emergentes que deve ter continuidade na conferência Rio+20, em junho, no Rio.

A OCDE reuniu ministros de Meio Ambiente para definir a mensagem que seus países-membros, ditos os mais desenvolvidos, vão levar ao Rio, e convidaram alguns emergentes - Brasil, China, Indonésia, Rússia, África do Sul e Colômbia - para a discussão. No final, os emergentes não endossaram a declaração ministerial, com exceção da Rússia, que está em processo de adesão à entidade e aceita tudo pelo momento.

A divergência de enfoque ficou patente. Os países desenvolvidos estão muito centrados no princípio de "economia verde", que consideram um dos meios para alcançar desenvolvimento sustentável, econômico, comercial e ambiental. Só que o social fica um pouco a reboque e não tem a mesma ênfase, segundo países como o Brasil.

Para vários ministros, instrumentos econômicos - taxação, encargos, imposto sobre poluição, eliminação de subsídios que prejudicam o meio ambiente - são importantes, mas os países precisam de regulação mais efetiva para acelerar a mudança de comportamento. Uma ideia que volta é a da cobrança do custo real do uso de recursos naturais, por exemplo, da água, que ficaria bem mais cara.

O "Policy Statement" dos países da OCDE para a Rio+20, destaca ainda que comércio e investimento não devem ser barreiras ao crescimento verde ou desenvolvimento sustentável. Nas discussões, na semana passada, a Coreia do Sul mostrou uma visão mais mercantilista que a europeia, por exemplo. O objetivo parece ser a derrubada de barreiras para vender equipamentos modernos que ajudariam a adaptação industrial.

Para os emergentes, o problema é que a OCDE quer atrelar demais a expansão econômica à proteção ambiental, o que exige priorizar investimentos enormes em equipamentos, pesquisas, renovação de indústrias, filtrar tudo, fechar usinas sujas e substitui-las por novas. "Não é o ambiental que puxa o desenvolvimento, é o desenvolvimento que puxa o ambiental", diz um negociador emergente.

A avaliação é que a receita dos desenvolvidos, que já tem capacidade instalada, regras ambientais e crescimento limitado, provocaria crescimento menor e a um custo muito maior para os países em desenvolvimento. Os emergentes voltaram a pedir que a OCDE demonstre quanto custaria a adaptação ao "crescimento verde". A entidade diz que isso é difícil, mas que no longo prazo todos ganham com economia forte e limpa.

Os emergentes concordam, mas insistem que a prioridade no contexto atual é continuar crescendo para aumentar a inclusão social, criar mais empregos, entre outras ações. "Isso passa à frente, não adianta falar de tecnologia sofisticada se for nos custar demais ou desacelerar o processo de inclusão social, distribuição de renda", diz uma fonte dos emergentes.

Embora sem endossar o texto da OCDE, o Brasil conseguiu incluir no texto uma menção à "economia verde inclusiva", numa nuance em relação ao "crescimento verde".

Por Assis Moreira | De Genebra para o Valor Econômico

Catástrofes naturais em 2011 atingem custo recorde


Tragédia no Japão foi a grande responsável pelo elevado número de mortes em
catástrofes naturais em 2011


O ano passado registrou um total de 820 catástrofes naturais, resultando em uma perda econômica recorde de US$ 380 bilhões. O número de eventos foi também maior que a média anual de 790 casos entre 2001 e 2010, mas pelo menos o número de mortes teve uma redução.

Foram 27 mil em todo o mundo, contra a média de 73 mil fatalidades entre 1980 and 2010 - com o agravante de 2010 ter tido um recorde de 296 mil mortes, número alavancado pelo forte terremoto que aconteceu no Haiti. Os dados foram compilados pela Munich Reinsurance Company e analisados pela série de Sinais Vitais do Instituto Worldwatch.

De acordo com o geógrafo Petra Löw, autor do trabalho, a influência do fenômeno La Niña, oposto do El Niño, em que ocorre o resfriamento das águas do Oceano Pacífico, foi a principal causa dos eventos extremos.

O terremoto seguido de tsunami no Japão, no começo do ano, foi o principal responsável pelas mortes em 2011 por esses eventos - 62%. Esse fato específico talvez possa explicar a diferença gritante em relação a 2010. E expõe o fato de que as populações pobres são as mais vulneráveis a essas tragédias.

Fonte: Agência Estado


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mapa interativo mostra distribuição desigual de emissões de carbono


Tamanho dos países foi distorcido para representar dados de carbono.
Quanto maior a responsabilidade nas emissões, maior fica o país.

Mapa distorcido mostra o tamanho proporcional dos países de acordo com a emissão de carbono desde 1850. (Foto: Reprodução / The Carbon Map)
A emissão de carbono, que acentua o aquecimento global, ocorre de forma desigual no mundo -- por isso, as consequências das mudanças climáticas não são as mesmas em todos os países. Para mostrar estas diferenças, um jornalista e um programador criaram um mapa interativo, o "Mapa do Carbono", lançado na última quinta-feira (29/03).
Nele, o tradicional mapa mundi aparece de uma forma totalmente diferente. Os tamanhos dos países foram distorcidos para mostrar o peso relativo de cada um nas emissões globais de carbono e nas consequências do aquecimento global, de acordo com dados do Banco Mundial.
O objetivo é dimensionar a responsabilidade e a vulnerabilidade de cada um.
Assim, no quesito emissão de carbono atual, China, Índia, Japão, Estados Unidos e Europa ganham formas gigantes, porque são os maiores emissores. América do Sul e África têm formas menores. Já quando se analisa o acumulado de emissões desde 1850 (sendo que "a maior parte delas ainda continua no ar", segundo projeto), o peso da Ásia diminui e a responsabilidade recai sobre América do Norte e Europa.

Vulnerabilidade da Ásia aos efeitos do aquecimento global é muito maior que no restante do globo. (Foto: Divulgação / The Carbon Map)
Vulnerabilidade
Por outro lado, quando se avalia a vulnerabilidade às mudanças climáticas, a Ásia domina o mapa. A África também é apresentada com um tamanho relativo maior. Os outros continentes ficam bastante reduzidos. Os dados mostram o número de pessoas que podem ficar feridas, ser desalojadas ou precisar de ajuda de emergência devido a cheias, secas ou temperaturas extremas.
Em todas as variáveis, o Brasil é apresentado com um tamanho menor do que o real. Isto indica que nem sua responsabilidade nas emissões globais nem na vulnerabilidade são altas, em comparação com o resto do mundo.

Com relação às emissões atuais de carbono, China, Índia, Japão, EUA e Europa têm um peso maior que o restante do mundo. (Foto: Divulgação / The Carbon Map)
No mapa, o usuário também pode escolher uma variável para colorir os países. Ao optar por emissão de CO2 por pessoa, por exemplo, as nações ficam mais escuras à medida que aumentam os valores.
De acordo com Duncan Clark, jornalista do jornal britânico Guardian e um dos idealizadores do projeto, existem três vantagens de apresentar os dados desta forma.
"Primeiro, a distorção do mapa mundi é uma boa maneira de compreender muitos números com apenas um olhar. Segundo, animar as distorções torna a interação com os dados divertida. Terceiro, é possível escolher a variável para colorir o mapa distorcido, o que ajuda a perceber relações", afirma Clark.

Amanda Rossi, Globo Natureza

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