Paulo de Tarso Lara Pires, engenheiro florestal, advogado, é mestre em Economia e Política Florestal pela UFPR e doutor em Ciências Florestais (UFPR). Pós-doutorado em Direito Ambiental e Desastres Naturais na Universidade de Berkeley – Califórnia.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Pesquisa mapeia áreas de risco no litoral do PR

O município de Guaratuba registrou 23 áreas de risco. É seguido por Guaraqueçaba, com 17; Paranaguá, com 16; Matinhos e Antonina, com dez cada um; Morretes, com cinco; e Pontal do Paraná, com três


Os sete municípios do litoral do Paraná têm 84 pontos vulneráveis a deslizamentos e enchentes, colocando em risco 65,5 mil pessoas. Os dados foram apresentados nesta quarta-feira, após levantamento feito pela Defesa Civil e pela Minerais do Paraná (Mineropar). "O resultado dessa pesquisa é um plano que irá nos auxiliar nas próximas ações", disse o chefe da Coordenação da Defesa Civil, major Antonio Hiller. Em março do ano passado, as chuvas provocaram deslizamentos e a morte de três pessoas no litoral paranaense.

Para o mapeamento, os técnicos levaram em conta os deslizamentos de encostas, os alagamentos provocados pela dificuldade de escoar a água e as inundações causadas pela elevação do nível dos rios. O município de Guaratuba registrou 23 áreas de risco. É seguido por Guaraqueçaba, com 17; Paranaguá, com 16; Matinhos e Antonina, com dez cada um; Morretes, com cinco; e Pontal do Paraná, com três. A pesquisa para a elaboração do Plano Preventivo para Controle de Desastres começou em junho de 2011. Em alguns locais, o governo já instalou sirenes para o alerta de desastres.

Uma área ao lado do embarque do ferryboat, em Guaratuba, é um dos que mais preocupam os técnicos. "Esse é um ponto pequeno que representa bastante risco", disse o chefe do setor operacional da Defesa Civil, Romero Nunes da Silva Filho. "Se ocorrer deslizamento, a infraestrutura local será muito afetada." Amostras do solo foram coletadas e a localidade catalogada por um sistema de geoprocessamento.

Em Paranaguá, uma comunidade na região de Floresta, com 19 pessoas pertencentes a sete famílias, está isolada do restante do município desde a madrugada de terça-feira, quando a enxurrada levou uma ponte provisória sobre o Rio Jacareí. De acordo com o coordenador municipal da Defesa Civil no município, Paulo Emmanuel do Nascimento Júnior, essa e outras sete pontes na zona rural são provisórias desde as chuvas do ano passado e, agora, aguarda-se a reconstrução de todas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), com recursos do governo federal.

Por outro lado, a escassez de chuvas já atinge 27 municípios, sobretudo nas regiões oeste e sudoeste do Estado. De acordo com a Defesa Civil, até ontem a estiagem afetava pouco mais de 159,8 mil pessoas. Os municípios estão realizando trabalhos de avaliação dos danos e, até agora, nenhum dos municípios decretou situação de emergência.

Fonte: Agência Estado

Tragédias reaquecem discussão sobre novo Código Florestal

Para ambientalistas, desmatamentos têm relação com os desastres naturais no Sudeste. Ruralistas rechaçam esse argumento. Votação final da lei será em março


Cidade de Brumadinho (MG) alagada: mata ciliar nos rios da zona rural pode ajudar a conter as cheias de rios em áreas urbanas

As tragédias causadas pelas chuvas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro devem influenciar a discussão do novo Código Florestal na Câmara Federal, prevista para ser retomada em março. Os ambientalistas consideram que os desastres naturais são resultado do desrespeito à atual legislação ambiental, enquanto os ruralistas dizem que outros fatores contribuem para os alagamentos e deslizamentos de terras.

No ano passado, o novo Código Florestal foi aprovado na Câmara e sofreu alterações no Senado (veja infográfico ao lado). Por isso, voltou para nova votação pelos deputados. O atual relator do projeto, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), pode acatar ou vetar as sugestões ao texto original feitas pelos senadores, mas não pode fazer nova redação.


Eventos cíclicos

Membro da bancada ruralista, o deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS) sustenta que os desastres naturais são cíclicos – não sofrem influência direta do uso do solo para a agricultura e pecuária. “Tenho 61 anos e, desde criança, vejo isso acontecer. Há outros fatores que afetam essa situação”, afirma ele, sem citar exemplos.

Por outro lado, André Vargas (PT-PR), integrante da ala ambientalista, reconhece que a má ocupação do solo e o desmatamento colaboram para as catástrofes, pois as matas ajudam a reter água da chuva e evitam as cheias dos rios. Apesar de sua posição, considera que a influência dos desastres no Sudeste será menor em razão do tempo para o debate.

A opinião dos deputados segue o posicionamento das entidades da sociedade civil. O assessor da presidência da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) Carlos Augusto Albu­quer­que considera “desonesto” usar as tragédias para discutir o novo Código. “Essas tragédias são urbanas. Nada aconteceu no meio rural”, afirma.

A opinião dos deputados segue o posicionamento das entidades da sociedade civil. O assessor da presidência da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) Carlos Augusto Albu­quer­que considera “desonesto” usar as tragédias para discutir o novo Código. “Essas tragédias são urbanas. Nada aconteceu no meio rural”, afirma.

Porém, Mario Mantovani, diretor da ONG ambientalista SOS Mata Atlântica, alega que não se trata de fazer previsões apocalípticas, mas de observar o que acontece no país. “Estamos vivendo outros eventos climáticos extremos cada vez mais potencializados, como a seca no Paraná”, avalia.

Meio-termo

O texto do Senado parece pelo me­­nos ter agradado aos grupos envolvidos. No entanto, a anistia a quem avançou sobre as áreas de preservação permanente (APPs) continua a gerar discórdia. “As grandes propriedades [rurais] precisam ser vistas como empresas e fazer a reconstituição da mata, mas deve se pensar na agricultura familiar”, afirma Vargas.

O deputado Heinze, por outro lado, argumenta que, como a lei mudará, a nova regra só passaria a ser válida posteriormente – o que isentaria os agricultores que já desmataram de fazer a recomposição. “Trata-se de um direito adquirido. Pretendemos corrigir isso [retirar da lei o trecho que obriga o reflorestamento].”

Apesar do desacordo, os am­­bientalistas consideram o projeto do Senado mais benéfico do que o aprovado inicialmente pela Câ­­mara, sobretudo por reconhecer a restauração dos 30 metros nas APPs. Contudo, como Piau é também autor da emenda 164, que permitiria aos estados determinar o que pode ser plantado em APPs, há o temor de que as alterações sugeridas pelo Senado sejam rejeitadas. “O texto já não é o mais adequado. Com esse relator, isso será colocado em risco. É como ter a raposa cuidando do galinheiro”, diz Mantovani.

Vargas, por outro lado, não vê Piau como empecilho. “O texto atual [do Senado] tem tendência grande de ser mantido. A posição do governo é manter o que o Senado decidiu”, diz. Do lado dos agricultores, ainda existem assuntos a ser discutidos. “Há resistência a alguns pontos, estamos aguardando as conversas do relator com todos os envolvidos”, revela Heinze.

Estudo indica que desmate amplia efeitos das chuvas

Embora os ruralistas discordem, estudo realizado pelo Ministério do Meio Ambiente, no ano passado, baseado em imagens aéreas dos locais afetados pela chuva na região serrana do Rio de Janeiro, mostra que a ocupação de áreas de preservação permanentes (as APPs, como as margens de rios) e o desmatamento de morros são responsáveis por mortes e pelo prejuí­­zo econômico trazido pela chuva.

“Se a faixa de 30 metros em cada margem (...) estivesse livre para a passagem da água, bem como, se as áreas com elevada inclinação (...) estivessem livres da ocupação e intervenções inadequadas, (...), os efeitos da chuva teriam sido significativamente menores”, diz o documento do ministério.

Professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da UFPR, o engenheiro civil Cristó­vão Fernandes afirma que as catástrofes naturais deveriam mobilizar mais a discussão na so­­ciedade, pois colocam em jogo o futuro do país. Apesar de não culpar exclusivamente a falta de preservação ao meio ambiente, Fernandes afirma que esses eventos climáticos considerados extremos têm sido cada dia mais frequentes. “Isso deixa clara a falta de planejamento para uma política adequada de uso e ocupação do solo, que respeite o meio ambiente e a necessidade de uso dos recursos”, diz.
Fonte: Gazeta do Povo

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Governo anuncia envio especialistas para monitorar áreas de desastres

Geólogos e hidrólogos vão mapear áreas mais vulneráveis e auxiliar a defesa civil na remoção de pessoas




O governo federal anunciou o envio de 35 geólogos e 15 hidrólogos para as regiões atingidas pelas chuvas. Os especialistas vão mapear as áreas mais vulneráveis e auxiliar a defesa civil na remoção de pessoas em áreas de risco.

"A presidenta Dilma acolheu sugestões de diversos ministérios [...] para que a ação dos centros de monitoramento e de operação nos Estados fosse reforçada com a criação do que estamos chamando de Força Nacional de apoio técnico de emergência", afirmou, nesta segunda-feira (9), o ministro Fernando Bezerra, em coletiva de imprensa sobre o grupo de especialistas.

Ainda nesta segunda-feira (9), oito desses profissionais devem seguir para os estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

No primeiro dia em que voltou a despachar no Palácio do Planalto após o recesso de fim de ano, a presidente Dilma convocou uma ampla reunião com ministérios para saber das medidas já tomadas pelo governo para conter os estragos provocados pelas chuvas no país.

"A presidenta tomou a decisão [...] de que a Defesa Civil nacional vai recomendar às defesas civis dos estados do Rio de Janeiro, Minas e Espírito Santo, para quando o alerta que tiver de ser emitido pelo Cemaden [Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais] for um alerta alto ou muito alto, que sejam recomendadas as providências necessárias para a retirada das pessoas que estejam sujeitas a esse risco", disse o ministro da Integração.

Além de Bezerra, participaram do encontro os ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), Paulo Passos (Transportes), Alexandre Padilha (Saúde) e o ministro interino da Defesa, Enzo Peri.

Durante o balanço, Mercadante destacou, por exemplo, a necessidade de instalação de mais pluviômetros e radares meteorológicos no país. O governo prevê a compra de 4.000 pluviômetros e quatro radares para atender regiões atingidas pelas enchentes.

O ministro Alexandre Padilha anunciou o envio de 100 profissionais de saúde para o Estado de Minas Gerais e de 800kg de medicamentos para o Espírito Santo. O ministro dos Transportes afirmou que a pasta monitora os prejuízos causados nas estradas --até agora, 16 rodovias federais em cinco Estados,registram trechos com problemas.

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Top WordPress Themes